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SOARES, A EUROPA E UM SARGENTO “Como os generais não querem fazer nenhum golpe de estado, um dia destes, é um sargento que toma S. Bento...”. A coisa até quase que rima mas não é boa de ouvir. Eu ouvi-a há dias a um profundo conhecedor, desde há várias décadas, deste sítio estagnado e mal-cheiroso... O homem, claro, falava com ironia um pouco amarga. Hoje, leio, Mário Soares a alertar que “corre-se o risco de o País ficar ingovernável, o que aconteceria pela primeira vez, desde a Revolução dos Cravos.... numa situação de crise aguda, que está longe de ter chegado ao fim. Que lembra os anos 30 do século passado. Quando podemos não ter uma Europa que nos valha. É um aviso que vos deixa um velho político, retirado mas atento, que sempre teve fama de optimista...” O que há de curioso nestas linhas de Mário Soares, publicadas hoje mesmo, é que desapareceu (melhor, ele admite pela primeira vez a possibilidade de desaparecer...) o seguro de vida do regime – a “Europa”. Há uns anos, Soares não admitia “golpes de estado” pois isso era impensável num “país europeu”; o ano passado, Soares considerava que “se não estivéssemos na Europa, já poderia ter havido um “golpe de estado”; hoje, Soares acha que “podemos não ter uma Europa que nos valha”... E, para ser mais explícito, acrescenta: “É um aviso que vos deixa um velho político, retirado mas atento, que sempre teve fama de optimista...”.
. Quem é que disse que andava à procura de um sargento...?
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