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Competitive Intelligence & Perceptions Management
num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Sunday, 31 May 2009

COMO O NOSSO FUTURO

ESTÁ NO FUNDO DO MAR

(e nos confins do espaço)

 

O modelo global da economia é definido por indústrias motoras, uma dimensão espacial organizadora, estatuto da empresa, quadro de concorrência, etc. É tudo isto que está a mudar hoje, mesmo debaixo dos nossos olhos.

 

O automóvel, que foi a indústria motora do modelo saído da II Guerra e dinamizou a montante e a juzante inúmeros sectores e segmentos da economia (da metalurgia às auto-estradas…) está esgotado e não tem capacidade para responder aos desafios e necessidades que se começaram a manifestar…

 

A área espacial e organizadora do modelo explodiu no fim dos anos 80 quando implodiu o “muro de Berlim” e começaram a surgir novas realidades (que o velho figurino não conseguiu acomodar…) com a adesão da China à OMC e com a Rússia a integrar-se no mercado mundial…

 

O próprio quadro de concorrência começou a empalidecer e a ficar amarelo com os dumpings sociais e ambientais dos chineses e se, num primeiro tempo, isso pareceu positivo pois os baixos preços das bugigangas chinesas faziam descer a marcha da inflação e aumentavam o poder de compra dos assalariados euro-americanos, depressa se percebeu que esse pequeno ganho tinha um alto custo e que o quadro de concorrência estabelecido não comportava estas novas realidades…

 

Neste cenário, a empresa, como a conhecíamos desde 1945, começou a dar provas de incapacidade estrutural para responder aos desafios e se, nos anos 90, alguns correram atrás de ilusões (investimentos na China e etc.) também depressa perceberam que não tinham capacidade para pagar os custos dessas aventuras em que perdiam o controlo do andamento das coisas (veja-se o caso de algumas das maiores multinacionais do agro-alimentar e do automóvel). Assim se começou a colocar o problema da dimensão da empresa a que o krach de 2008 veio dar uma enorme visibilidade…

 

Na mudança de modelo global que estamos a atravessar, vão mudar, portanto, as indústrias motoras. O que ocupará o lugar do automóvel…? E que dimensão de investimento (capital e tecnologia) irá exigir…?

 

Num primeiro tempo, surgiu como candidato ao lugar o espaço, a industria espacial. Nela convergia uma série imensa de inovações, do software à nanotecnologia, e dela parecia emanar também uma série de serviços de valor acrescentado (de que já usamos alguns…) capazes de reorganizar o nosso quotidiano, como o automóvel fizera desde 1945.

 

Ao espaço começa a juntar-se o mar. Mas o mar visto numa perspectiva inovadora e só agora (tecnologicamente) possível.

 

Os confins do espaço e os fundos marinhos parecem assim posicionar-se para se colocarem no centro do novo modelo global. Quem se integrar e os integrar, ocupará um lugar no centro do modelo, quem ficar de fora é condenado a ser periférico, por largas décadas. Periférico e, claro, muito, mesmo, muito dependente. É por isso que tem toda a razão a investigadora da Universidade de Aveiro, Marina Cunha, citada mais abaixo:

 

No Semanário Económico:


“O cenário é feio, mas é muito valioso. Tão valioso que Portugal, Rússia, China, Malásia, Filipinas e mais três dezenas de países, querem ter direito a mais quilómetros de mar. O objectivo da disputa não é o de encher barcos com turistas e levá-los a passear longe para ver corais ou peixes coloridos. A atracção encontra-se a grande profundidade e nem todos os turistas podem gostar da paisagem.

 

A luz é ínfima, o silêncio é arrepiante e alguns seres vivos que ali habitam podiam entrar num filme de terror: tapetes de bactérias, seres parecidos com minhocas e quimeras - peixes com um aspecto bastante estranho e que poucos teriam coragem de saborear, mesmo servido num restaurante de luxo.


É no meio desta paisagem assustadora que se encontram verdadeiras preciosidades. Até pode haver cofres cheios de ouro, moedas e jóias perdidas em navios submersos. Mas os países que reclamam a extensão da plataforma para além das 200 milhas marítimas não são caçadores de tesouros. Ou melhor, até são. Mas estes tesouros podem ter forma microscópica.

 

Eles procuram minerais e moléculas para serem utilizados na indústria farmacêutica, níquel, cobalto, manganês, cobre e energias fósseis como o petróleo ou o gás. Quem tiver mais território marítimo terá mais êxito na exploração destes recursos. E isso vale dinheiro. Mais dinheiro do que os objectos encontrados no Titanic e leiloados pela Christie´s.


Um relatório das Nações Unidas estima que o mercado mundial da indústria farmacêutica assente em recursos marinhos valia 643 mil milhões de dólares em 2006. Em 2005, as vendas de produtos com substâncias vindas do fundo do mar para combater o cancro ultrapassavam os mil milhões de dólares. Por exemplo, um medicamento para o tratamento de doentes com Sida, baseado nestes recursos, rendeu 23 mil milhões de dólares.

 

Uma boa parte deste mundo submerso está ainda a ser explorada pela indústria das enzimas e dos cosméticos. Mais atraentes para o sector energético são os hidratos de gás. Acredita-se que contenham o dobro da energia de todos os outros combustíveis fósseis existentes.

 

"É um investimento muito importante no futuro. Se os recursos a nível terrestre estão ameaçados, os países viram-se para o mar", diz Marina Cunha, investigadora da Universidade de Aveiro. “








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