| Competitive Intelligence & Perceptions Management num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais... CLARO |
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FREEPORT A ESGOTAR-SE... Uma grande guerra (de informação) por um pequeno eleitorado (flutuante mas determinante para a maioria absoluta) parece estar a chegar ao fim. E, embora admita que me possam faltar elementos importantes para a análise, creio ser possível concluir que o “caso Freeport”, no desenrolar dos próximos capítulos, vai revelar duas coisas:
Os ‘spin doctors’ das ‘Relações Públicas’ deixaram que a montanha emergisse e se impusesse. Deixaram-na desenvolver e impor-se-lhes. Depois, deixaram-se impressionar e dominar pela grandeza dessa montanha. E assim ficaram impotentes, deixando o PM exposto, isolado e desamparado na primeira linha da mais grave situação de crise político-mediática que um PM português alguma vez viveu e enfrentou. E ter-se-ão mesmo esquecido de encontrar as motivações específicas dos de cada um dos vários promotores do ataque... A imprescindível “comunicação de crise”, face a este ataque, do lado do PM tem sido… uma ausência. Não existe. O que tem aparecido são umas coisas reactivas, casuísticas e desgarradas. Nunca se vislumbrou uma estratégia inteligente, pró-activa e capaz de definir e impor os termos do afrontamento. Pelo contrário, os “spin doctors” deixaram-se levar, deixaram-se ir atrás do adversário, reagindo (tarde e mal) ao que o adversário queria, quando ele queria e nos termos e timings que o adversário queria e lhes impunha. Resultado: obrigaram Sócrates a bater-se encostado às cordas, contra um adversário que define a forma, o tema, o tempo e o lugar do “massacre”. Um desastre... Há, porém, neste desastre, um aspecto muito interessante que importa destacar e tem de ser relevado: o “caso Freeport” é, em Portugal, o momento em que as chamadas “Relações Públicas” mostram o que por si sós valem num quadro e num jogo de “Guerra da Informação”... Nada! Ou seja, os ‘spin doctors’ das RP puseram Sócrates a usar um guarda-chuva para se proteger de balas reais… E assim foi criado o desastre a que se chamou “caso Freeport”, a partir de uma trama de “guerra de informação”, sem substância, mas onde muita gente se deixou enredar... E ver-se-á quem, logo que o balão esvazie. Não me parece que falte muito... Na “guerra da informação” mantêm-se algumas características da guerra. Por exemplo, mantêm-se o “ziel” e o “zweck” (“a distinction between the art of warfare and statecraft, or alternatively, between the general and the statesman”, no texto e no contexto de Clauzewitz). Se, neste caso de “guerra da informação”, o “ziel” era embrulhar o nome do PM num processo judicial e na berlinda mediática (explorando a sede justicialista de certos media e seus profissionais e uma velha “guerra” e ódios na corporação da magistratura), o “zweck” seria, obviamente, levá-lo a perder uma pequena parte do seu eleitorado, pequena mas suficiente para lhe retirar a maioria absoluta... O “caso Freeport” será desvendado e Sócrates, muito provavelmente, limpo das suspeitas sobre ele lançadas... A Justiça fará o seu trabalho! Mas, para a “guerra de informação” e seus promotores, isso não interessa nada. Mesmo nada! O “ziel” foi alcançado e, muito provavelmente, o “zweck” também... A questão, neste cenário, é outra. Só pode ser outra, pois esta terá terminado. E, para isto, para esta outra questão, há um factor determinante: o tempo... Sócrates terá de contra-atacar. Primeiro, no plano do “ziel” (e este contra-ataque pode ter sido iniciado com os famosos processos...), mas visando o “zweck”, visando a recuperação do pequeno eleitorado perdido. Mas, para tanto e para nisso ter êxito, terá de mudar o que a “guerra” até agora já demonstrou que está mal, desadequado e ineficiente. E terá de arranjar novas armas, novos dispositivos, muita inteligência e estratégia (viável e inteligente). Terá de entender que, para travar e ganhar “guerras de informação”, as RP são... curtas! E que precisa de outras coisas e de outra lógica, mesmo que isso não elimine nem dispense as RP, embora as puxe para patamares onde elas por si nunca chegariam. E isso não é inédito e nem é difícil... Até há, em Portugal, algumas (poucas) grandes empresas que o praticam há anos. Nesta “guerra de informação”, Sócrates foi surpreendido. Os seus adversários jogaram bem com o factor surpresa no ataque que desenvolveram. E isso deu-lhes algumas vantagens. Mas, parece-me, que também a capacidade de resiliência demonstrada pelo “animal feroz” face a este ataque terá sido também uma surpresa para os atacantes... E, como já vimos, Sócrates conseguiu, com a sua capacidade de resiliência, não “entregar o jogo na primeira parte” e mesmo obter uma segunda parte. Que está a iniciar-se já ou se irá iniciar De todo o modo e, sublinho, este é que é o ponto que me importa, depois desta “guerra de informação” nunca mais ninguém, em Portugal, poderá dizer face a semelhantes ataques que foi surpreendido, nem invocar a surpresa. Abre-se, com isto, um belo mercado para a Inteligência Competitiva e para a sua terceira vertente, o Perceptions Management... PS: Não gosto do termo “campanhas negras”. Não corresponde a qualquer conceito estabelecido, nem categoria conhecida, é demasiado subjectivo e vago, não tem substância definida e lembra... ovelhas. E estórias de ovelhas negras, etc. Acho a expressão imprópria e típica de um mau marketing. Mesmo a roçar o amadorismo. Foi infeliz. José Mateus Cavaco Silva at April 30, 2009 23:03 |
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Tags: inteligência económica, perceptions management, josé sócrates, campanhas negras, mistérios |
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