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num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Monday, 27 April 2009

CARTA ABERTA DO PROF. BROTAS SOBRE:

OS PROBLEMAS FERROVIÁRIOS NA REGIÃO DE LISBOA

 

António Brotas é bem claro, nesta carta sua aberta: “Só um país com as disponibilidades financeiras da Arábia Saudita e com a engenharia descida ao nível zero poderá aceitar uma solução como esta da ponte para o Barreiro e do vale do Trancão, que a RAVE apresenta e sem procurar outras soluções que existem.”.

 

 O Dr. Santana Lopes já percebeu que a componente rodoviária da ponte para o Barreiro é um erro. Com um pouco mais de esforço vai perceber que a própria ponte é um erro. A primeira coisa a compreender é que a TTT (terceira travessia ferroviária do Tejo) e a saída de Lisboa para o Norte dos futuros comboios de bitola europeia  têm de ser pensadas e decididas em conjunto.

 

A actual proposta da Secretaria de Estado dos Transportes e da RAVE é a de que os comboios vindos pela ponte do Barreiro à chegada a Lisboa inflictam para a direita e sigam por um viaduto com cerca de 4 km até à gare do Oriente (entretanto ampliada pelo arquitecto Calatrava) donde partirão pelo vale do Trancão os comboios para o Norte.

 

O Dr. António Costa, que já se debruçou minimamente sobre estes assuntos, compreendeu que o viaduto seria um desastre urbanístico para toda a zona oriental de Lisboa e propôs que fosse substituído por um túnel. Mas, para isso, teve de propor que a ponte para o Barreiro fosse mais baixa, o que aumenta os seus inconvenientes, em qualquer dos casos muito grandes, para a navegação no estuário do Tejo. A passagem do viaduto para o túnel é, também, provavelmente, incompatível com a ampliação da gare do Oriente em que o arquitecto Calatrava está a trabalhar.

 

Mas, um problema mais grave é o da saída dos comboios para o Norte pelo vale do Trancão, onde estão previstos 20 km de túneis e viadutos em curva. Só um país com as disponibilidades financeiras da Arábia Saudita e com a engenharia descida ao nível zero poderá aceitar uma solução como esta, da ponte para o Barreiro e do vale do Trancão, sem procurar outras soluções, que existem. A RAVE, no entanto, procura abrir concurso para a construção do troço ferroviário à saída de Lisboa, antes do país se aperceber da gravidade do problema. Esperemos que haja o bom senso de o evitar.

 

Não se trata, apenas, do custo elevadíssimo a obra. Precisamos de começar a construir, agora, aquela que será a futura rede ferroviária portuguesa de bitola europeia. É fundamental que seja bem planeada. A linha dorsal desta futura rede deverá ser uma linha de Norte a Sul, com boas ligações a Espanha, adequada para comboios de passageiros, de baixa e alta velocidade, e para os comboios de mercadorias, que possa, ainda, ser utilizada pelos comboios suburbanos de Lisboa e do Porto. 

 

A linha pelo vale do Trancão não pode desempenhar estas funções. Porque a sua continuação entre as serras de Montejunto e dos Candeeiros a obrigaria a ter declives que a tornariam pouco adequada para os de comboios de mercadorias, porque teria uma má ligação a Espanha, e porque, sendo a sua primeira estação fora de Lisboa em Rio Maior, de pouco serviria a talvez mais de 2 milhões de habitantes que, depois de lhe pagarem os custos financeiros e ambientais, ficariam fora de Lisboa literalmente a ver passar os comboios. A construção desta linha compromete e atrasaria, assim, todo o desenvolvimento ferroviário português.

 

O que se pede aos actuais autarcas e candidatos nas próximas eleições, é que não se limitem a olhar os problemas dos seus concelhos, e procurem ter uma visão global dos problemas ferroviários, exigindo que sejam seriamente estudados e que as decisões precipitadas sejam evitadas.)

 (27/4/2009

                            António Brotas

                           Professor jubilado do IST








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