| Competitive Intelligence & Perceptions Management num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais... CLARO |
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DE PORTUGAL... Há vinte anos, a ilusão da Europa intoxicou os portugueses. E, há dez, a entrada na zona Euro potenciou o delírio. Na pequena-burguesia, não houve quem não fizesse férias em Cancum ou em Porto de Galinhas (no ano passado chegou a haver 30 vôos por semana de Lisboa para o Brasil, estão recordados?), comprasse casa a filhos desempregados, oferecesse popós ao menino e à menina pela entrada na universidade e se endividasse com os casamentos dos rebentos. Nas classes médias, sobretudo na alta, o padrão extrapolou. Tudo o que fosse menos que férias no Dubai ou na Patagónia representava uma confissão de derrota. E por aí fora. De repente, um país habituado à parcimónia brincava ao desafogo e ao cosmopolitismo. Uma a uma, as ilusões desfizeram-se. Dezenas de milhares de licenciados não encontram lugar no mercado de trabalho porque: a) o país é pequeno; b) a economia estagnou há mais de 30 anos; c) uma percentagem significativa desses licenciados nem para empregados de balcão estão preparados (os que sabem inglês, emigram; são cada vez mais). Um dia se fará a história do ensino universitário privado, e de quem o autorizou nestes termos, responsável pela geração dos desempregados que têm como primeira preocupação o cartão de visita: Dra. Maria do Entrevero Cascudo, Licenciada em Relações Internacionais. Não têm emprego, mas são doutores. OK. Do lado das gerações mais velhas (as dos pais) a realidade afunilou com brutalidade. Não vale a pena fazer o inventário: da magistratura à docência, passando pelo regime geral da função pública — fonte de tanta indignação bloguítica —, não há quem não tenha razões de queixa, porque o escrutínio apertou e o custo de vida disparou (isto vale para o privado). De certo modo, voltamos ao esplendor neo-realista da primeira metade dos anos 1980. Os mais velhos lembram-se. Os mais novos — entre eles os bloggers que então tinham 20 e poucos anos, e encontravam no Frágil um escape para o quotidiano medíocre — ou não se lembram, ou vivem, como é mesmo que se diz?, em estado de negação... Se as pessoas vivessem bem (a maioria não vive), marimbavam-se para a inoperância da justiça, os escândalos da banca, os salários dos gestores de topo, os investimentos em obras públicas, as muralhas de aço (Alcântara), a avaliação dos professores, as universidades a fechar, etc. Tal como se marimbaram, em devido tempo, com as fraudes do Fundo Social Europeu. Milhões e milhões e milhões delapidados entre 1986-96 em acções de formação profissional de que nunca ninguém viu resultados. (Sim, eu sei, os sindicalistas da UGT foram absolvidos em 2007, ao fim de 15 anos de querela jurídica.) Alguém quis saber? Agora é tarde. Etiquetas: Política nacional, Sociedade posted by Eduardo Pitta at 11:18 AM links to this post José Mateus Cavaco Silva at January 31, 2009 19:37 |
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Tags: portugal, complexo salazarento e neo-corpo, blogs & sites |
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