| Competitive Intelligence & Perceptions Management num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais... CLARO |
|
|
Complexo neo-corporativo e salazarento AS RAÍZES DA MALDIÇÃO DA DIREITA... E NÃO SÓ ! A miserável realidade do "complexo neo-corporativo e salazarento" vai ficando, a pouco e pouco, mais clara para cada vez mais gente. Se "Portugal não anda" tal não se deve a qualquer anormalidade genética dos portugueses, nem a qualquer maldição mais ou menos fatalista. É simplesmente porque as forças da inércia são superiores às forças da dinâmica. E isso tem de ter uma explicação bem racional. Ou então estamos perante o quarto (ou será o terceiro...?) segredo de Fátima. Agora é um post do Zé Adelino Maltez que aponta como neste Portugal a economia (melhor: a gestão e os lucros) é privada mas recusa e foge do mercado (i.e. o risco e a concorrência). Como poderia a direita do século XX português ser liberal...? Como poderia não ser anti-americana...? Como poderia não ser salazarenta...? Como poderia não tardar a libertar-se do complexo salazarento...? Adiante: Cuf, ou a economia privada sem economia de mercado Para comemorar o 175º aniversário da CUF, fui chamado para um comentário no Rádio Clube Português, onde divaguei sobre o nome português do capitalismo que se foi chamando devorismo, cabralismo, fontismo, economia de guerra, condicionamento industrial e privatizações de Soares e Cavaco. Tudo começou com o tal devorismo, quando se confirmou Proudhon, para quem a propriedade, incialmente, sempre foi um roubo. Seguiu-se o cabralismo, com a técnica do "enrichez, vous" da sociedade de casino e atingiu-se o fontismo, a grande coligação com a mesa do orçamento, donde derivou a casta banco-burocrática que ainda hoje nos governa. A 1ª República, morreu com a inflação da economia de guerra e fez nascer os gaioleiros e os patos bravos, bem como gente como o Alfredo da Silva, quando este antigo franquista se meteu no financiamento da política e da jornalada, nomeadamente no radical "Imprensa da Manhã" que teve algumas relações com a Noite Sangrenta de 1921. Vivia-se então a questão do pão político, com a guerra entre os moageiros e os latifundiários e quem acabou por ganhar foram os adubos, especialmente quando, com a Ditadura, se lançou a Campanha do Trigo, de Linhares de Lima. Enquanto isto, os capitalistas menos industriais e comerciais, iam começando a lançar o regime dos patos bravos, semeando-se os chamados "gaioleiros", quando a quebra de rendimentos das propriedades agrícolas obrigou as elites rurais a passarem para as grandes cidades que lançaram as suas avenidas novas, feitas de prédios que começaram a desabar. O salazarismo foi o tempo do grande "gentleman's agreement" entre os barões feudais das grandes famílias e o Estado, onde os primeiros consideravam os ministros como meros "feitores dos ricos", susceptíveis de despediamento, quando a economia mística da nacionalização dos prejuízos e da privatização dos lucros não funcionava de vento Só recentemente, o capitalismo começou a ter alguma racionalidade, face ao regime de sociedade aberta promovida pela integração europeia e pela globalização. Mas a memória dos grandes cavalheiros da casta banco-burocrática continua a fazer com que, em Portugal, o importante não seja ser ministro, mas tê-lo sido, a fim de garantir a reforma dourada numa dessas companhias que o ex-ministro anteriormente tutelava. Basta recordar que só nos anos oitenta do século XX se revogou um diploma do primeiro pós-guerra (a de 1914-1918) que estabelecia um regime de lucros excessivos, que todos queriam porque ninguém o cumpria, mas não admitia uma lei da concorrência... José Mateus Cavaco Silva at September 23, 2008 14:29 |
link | comments
Tags: portugal, complexo salazarento e neo-corpo |
|