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AS GRANDES OBRAS PÚBLICAS uma carta aberta do Prof. António Brotas À especial atenção do Ministro Mário Lino e da Dra. Manuela Ferreira Leite Presidente do PSD As grandes obras públicas dos próximos anos serão provavelmente decididas pelo PS, ou pelo PS em conjunto com o PSD. Os outros partidos PCP, Bloco, CDS e “Verdes” poderão ter um papel muito importante se, com antecedência, forem capazes de apresentar propostas que a comunidade considere serem as melhores e, consequentemente, os dois referidos partidos aceitem. E, ainda, se com algumas críticas contundentes e precisas contribuirem para por rapidamente de lado algumas propostas descabidas que vemos anunciadas. As dificuldades financeiras em que o país se encontra vão obrigar-nos a ponderar muito seriamente as decisões a tomar. Com este texto, em que vou referir 7 problemas que temos na frente, pretendo mostrar que, com um debate amplo e aberto, podemos ainda chegar a soluções consensuais que sejam as melhores para o país. . 1-O novo aeroporto. O NAL – Novo Aeroporto de Lisboa, deve ser encarado como uma futura fonte de riqueza. Poucos paises terão o privilégio de estar na intercepção de grandes rotas aéreas internacionais e ter, simultaneamente, uma área plana disponivel e tão propícia como a de Alcochete para fazer um grande aeroporto ( e, adicionalmente, propriedade do Estado) . Temos, desde o início, de ter uma visão do futuro impacto e um plano de conjunto do NAL, incluindo dos seus acessos, mas a sua construção deve ser faseada. Devemos começar por fazer uma torre de controle muito bem dimensionada e uma só pista com a largura de 2-A linha de Caia (Badajoz) ao Poceirão. Esta linha, cuja construção foi agora decidida, é fundamentalíssima para a nossa economia porque vai ligar a plataforma logística do Poceirão à rede europeia de bitola “standard”, permitindo assim o transporte internacional por ferrovia das nossas mercadorias. Mas ela tem outras duas funções. Com um acrescento de cerca de 3-A travessia ferroviária do Tejo. Não temos que tomar uma decisão urgente sobre este assunto. A nova travessia só começará a ser verdadeiramente necessária quando o novo aeroporto estiver em pleno funcionamento. Temos tempo para estudar seriamente o problema. 4-A linha de bitola europeia (vulgo TGV) para o Porto. A construção desta linha pode (e deve) ser remetida para bastante mais tarde. Quando estiver pronta permitirá o trânsito de comboios TGV entre as duas cidades, mas deverá também servir para o trânsito de mercadorias e para o trânsito local. Para isso deve ter desvios onde sejam possiveis paragens intermédias. É um assunto que deve interessar aos autarcas. Esta linha virá a ser a mais importante linha ferroviária portuguesa. O que temos, agora, é de pensar muito bem o seu trajecto. 5-O fecho da golada. Há quem se recorde de na maré baixa ir a pé pelo areal até ao farol do Bugio.Mas, depois, tivemos pouco cuidado. Retirou-se areia e deixou-se que passassem correntes entre o farol e a terra. Estas correntes estão a fazer recuar a linha da costa na Costa da Caparica. Os esforços para travar este recuo, com espigões e transporte de pedras e de areia, são simples paleativos. Para proteger a Caparica é necessário fechar a golada, isto é, estabelecer uma contínuidade entre a terra e o farol. Consolidada por um paredão, esta linha pode proteger em definitivo a Caparica e ganhar terrenos ao mar. Numa altura em que estão são pensadas grandes obras de construção civil, esta obra não pode ser esquecida. 6 – Outra obras em Lisboa e no estuário do Tejo. A Câmara Municipal de Lisboa têm-se referido a algumas obras importantes mas, dum modo geral, não particularmente urgentes, e algumas, talvez, nem sequer benéficas. Assim, por exemplo, a linha de Cascais enterrada em Belém permite a quem visite os Jerónimos ter uma melhor vista sobre o Tejo, mas obriga todos os utentes da linha de Cascais (em muito maior número) a viajarem por um tunel e a perderem as maravilhosas vistas para os Jerónimos, e para o Tejo. É conveniente que os municipes e os autarcas de Lisboa discutam estes e outros problemas, mas sem perder de vista os problemas globais do estuário. Há um problema que pela que pela sua complexidade será sempre da responsabilidade do poder central: o de uma nova ligação rodoviária entre as duas margens do Tejo. A ponte 25 de Abril aproxima-se da saturação. Daqui a alguns anos, quando for necessário reparar o seu pavimento, teremos um problema muito dificil se não tivermos uma alternativa. Esta alternativa poderá, eventualmente, ser a de um tunel rodoviário da Trafaria a Algés. No IST já houve um primeiro seminário técnico com peritos internacionais para estudar esta solução que terá, naturalmente, que ser comparada com outras. No caso da solução adoptada vir a ser a do tunel Trafaria Algés, ela obriga, conjugada com o fecho da golada, a um estudo urbanistíco do lado Oeste do Concelho de Almada. 7- A linha de bitola europeia de Aveiro a Vilar Formoso. Temo-nos atrasado no estudo da linha acordada com os espanhois na Cimeira Ibérica de 2003. O problema dos camionistas recentemente impedidos de entrar em Espanha Há actualmente um polo capaz de pensar os problemas ferroviários do Norte centrado na Escola de Engenharia do Porto, que retoma uma antiga tradição, e que estudará estes problemas. Com um olhar de longe, permito-me dizer que, na sequência da linha de Vilar Formoso a Aveiro, convirá construir um troço de bitola europeia de Aveiro a Gaia, mais tarde integrável na futura linha para Lisboa, mas, desde logo, utilíssimo para o transito suburbano, e que permita reintroduzir o hábito de viajar de comboio do Porto para a Beira Alta. E quando olho o mapa da Península Ibérica, penso que deviamos propor uma espécie de “Estrada de Santiago ferroviária”, que ligasse a Corunha, Santiago de Compostela, Vigo, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda, Salamanca, Valladolid, Burgos, San Sebastián. Seria uma linha util para as curtas, médias e longas distâncias. Uma condição fundamental para ser rentavel e se inserir na Geografia e neste caso também na História. António Brotas Professor Jubilado do IST José Mateus Cavaco Silva at June 26, 2008 19:42 |
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Tags: inteligência económica, portugal, visto de lisboa, ota |
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