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PORTUGAL, UM TRISTE RETRATO em cinco títulos, em cinco estórias… tristes Esta primeira página da Lusa, de 31 de Janeiro 2008, é bem um retrato da ainda persistente "tristeza portuguesa"... Duas estorietas da treta - uma sobre as dificuldades do chico-espertismo da bola com os "papéis" e outra sobre a permanente dificuldade de relacionamento da igreja de Roma (aqui através de uma sucursal "civil") com o Estado republicano - e três estórias mais, muito mais, sérias e igualmente tristes, muito tristes. Destas três, duas são ainda sobre o chico-espertismo e sua patética ignorância e consequente incompetência. Ao seu nível, os políticos agem como os "homens do futebol" (daí talvez a óptima relação que estabelecem e que chega a uma prática de transferências estilo vasos comunicantes...). Os eurocratas de Bruxelas manifestam, porém, uma grande frieza (própria do clima local), não se comovem e mandam tudo para tribunal... E lá vai a inefável PT e sua golden-share que nunca serviu para nada de estratégico (ao contrário...) e lá vai também uma espécie de amnistia fiscal mal cozinhada em 2005, soi-disant para uns cavalheiros lusitanos repatriarem uns dinheiritos que andavam a monte... Finalmente, outra estória triste, last but not least, o senhor dr. António Arnaut, de Coimbra e past grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (o tal senhor que organizou a excursão do sr. Duarte de Bragança ao palácio maçónico do Bairro Alto), "esclarece" que a Maçonaria não teve nada a ver com o regícídio... É uma afirmação ousada, bem ao estilo do tonitruante discurso de Coimbra anos cinquenta, um remake da declamação comédie française século dezanove. Será que à Coimbra do senhor Arnaud nunca chegou sequer um eco da existência daquela muito respeitável loja "a montanha"? As montanhas até se costumam ver ao longe... Um retrato em cinco títulos desta tristeza de país, ainda tão salazarento, provinciano e culturalmente periférico (com uma cultura tão periférica que nem lhe permite ver e perceber que em termos geo-políticos ou geo-económicos nem é nada periférico... bem pelo contrário e que isso é justamente uma das suas vantagens comparativas), é obra! Os fulanos da Lusa fizeram de propósito ou... aconteceu-lhes? ![]() José Mateus Cavaco Silva at January 31, 2008 18:25 |
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Tags: portugal, complexo salazarento e neo-corpo, visto de esquerda, visto de lisboa |
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