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VENDE-SE PORTUGAL E ESTRATÉGIA LUSITANA 2 obras que faltavam e muito ajudam a pensar Portugal
Em "Vende-se Portugal - país acolhedor e pacato", Henrique Agostinho, um experimentado gestor de marcas com bastantes sucessos no seu activo, mostra como "Portugal perde por ano 10% da sua riqueza nos mercados internacionais, um custo insuportável se a marca Portugal não fosse gerido com os pés por comissões de burocratas"... e que, acrescentamos estoiram todos os anos sem glória nem proveito (a não ser o de certos fornecedores e fornecedores certos) uma enorme pipa de massa! A "Estratégia Lusitana", obra de dois militares e de dois gestores, tem alguns pontos fortes mas também pontos fracos. Mas antes de tudo, o que há que saudar nesta obra é que ela marca o início de uma colaboração estratégica e sobre estratégia entre dois sectores vitais da sociedade portuguesa, os militares (repositório de experiências estratégicas e de uma cultura estratégica com séculos e globalmente vitoriosa) e os gestores e empresários (hoje o ferro de lança da afirmação de Portugal neste mundo de economia globalizada). Uma colaboração, aliás, que já se devia ter iniciado há umas duas décadas... Não fosse a direita portuguesa a coisa mais estúpida do mundo e não estivesse esta esquerda demasiado inoculada com o velho discurso pacifista e anti-militar (no Ocidente...) que Moscovo serviu aos compagnopns de route durante décadas, não fosse isto assim e há muito que esta colaboração teria sido iniciada e iria já muito mais avançada. Mas, enfim, como dizia a minha avó Luzia, tarde é o que nunca vem... Ponto forte desta obra, parece-me ser, portanto, esta aproximação, hoje crucial, entre militares e gestores/empresários (que "têm mais de comum que de diferente"), com grandes perspectivas sinérgicas e de fortes vantagens mútuas. E isto, no Portugal de hoje, é pioneiro e muito meritório. Quanto a pontos fracos, parece-me haver um insuficiente tratamento das questões do soft-power, da competitive intelligence e do perceptions management... Aconselha-se um estudo sobre esse imenso precursor mundial destas coisas que foi o senhor D. João II. Aliás, julgo saber que isso mesmo está a ser estudado na École de FGuerre Économique, de Paris... Uma bibliografia muito atrasada (o que se prende com o ponto anterior e que leva os autores a ainda se concentrarem no Porter quando abordam as questões da competitividade...) e esquecimento de trabalhos recentes de autores portugueses (alguns académicos, outros nem tanto) como os de Márcia Rodrigues, do ISCSP, sobre as formas de guerra nos teatros africanos e os de Sérgio Parreira de Campos, sobre redes, guerra irrestrita, homeland security e competitividade... E, finalmente, parece-me que há um tratamento demasiado ligeiro das especificidades da estratégia portuguesa e suas constantes vitoriosas ao longo de séculos ou milénios - a inovação absoluta nos campos político e também no militar (veja-se o contributo precursor para a invenção do estado-nação ou a inovação que permitiu à infantaria popular derrotar definitivamente a cavalaria da nobreza); uma informação inovadora e muito performante (veja-se o trabalho pioneiro de D. João II neste campo); uma preocupação com a inovação na tecnologia e na gestão (veja-se a invenção dos seguros marítimos ou a do meter os canhões a bordo dos navios); a manha (veja-se o caso exemplar da guerra do Marquês de Pombal contra a Companhia de Jesus ou o uso sistemático do spiel material muito antes da tetravó de Heydrich ser sequer projecto); e, finalmente, a esquiva (veja-se o comportamento fundacional de D. Afonso Henriques face ao "Imperador das Espanhas"). Depois de ler este "Estratégia Lusitana" e estudar os seus casos exemplares, fica-se, com água na boca, à espera dos seus desenvolvimentos teóricos e de que outros autores peguem no tema, o desenvolvam, façam surgir abordagens complementares e o elevam a patamares superiores. E, sobretudo, à espera de ver desenvolver-se esta poderosa ligação sinérgica militares-empresários... Em suma, duas obras a saudar, ler e meditar... Que bem precisados andamos!
José Mateus Cavaco Silva at October 31, 2007 17:55 |
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Tags: livros, inteligência económica, perceptions management, inteligência estratégica, visto de lisboa, mudança do modelo global |
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