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num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Thursday, 31 May 2007

OTA: CAMEL... ACTIV

MrioLinoCamelo.jpg

NO  KAOS, CLARO...

E o repórter Jumento em passeio turístico junto à Igreja de Santa Maria da Graça, em Setúbal

RPM no Macroscópio nota que "o ex-responsável pelas finanças do PCP, e actual ministro das "Obras estranhas" Mário Lino não pára..." Continua AQUI
 
 

Mário Lino: A cabeça ainda no PC...

MrioLino.jpg"De tudo isto o que fica? Foi a militância no PCP uma grande desilusão, um grande embuste? Conheço um grande número de ex-membros do PCP que viveram estes acontecimentos, mas, salvo muito raras excepções, e tal como eu ou, estou convicto, o Raimundo Narciso, nenhum se mostra arrependido dos anos dedicados à militância neste Partido.

 

Reconhecemos, certamente, grandes defeitos ao PCP, mas também encontramos na nossa experiência partidária grandes virtudes.

 

Para todos foi, certamente, exaltante a defesa de ideais nobres de transformação da sociedade, de forma a torná-la mais justa, mais solidária, sem exploração do homem pelo homem. Para todos foi marcante o espírito de dedicação, de despojamento, de abnegação, de coragem, de sacrifício evidenciado pela generalidade do colectivo partidário. Para todos foi empolgante a luta por causas que consideram justas e por princípios que consideram fundamentais. Para todos foi determinante o sentimento de pertença a um colectivo mobilizador da concretização destes objectivos.

 

Mas todos reconhecem também a falência do caminho seguido pelo PCP para concretizar os seus objectivos mais nobres de vida e de luta. Todos estão cientes da desactualização e falência de conceitos como o centralismo democrático, a ditadura do proletariado ou o carácter de vanguarda do partido. Todos repudiam o autoritarismo e o despotismo iluminado exercido pela direcção do Partido como forma correcta de mobilização do colectivo partidário. Todos reconhecem a importância decisiva da liberdade individual e da democracia no partido e na sociedade, como a melhor forma do exercício da vontade colectiva e da responsabilidade social. Todos partilham a convicção de que a vida interna e as práticas do partido devem reflectir o que queremos para a sociedade.

 

Por isso, grande parte dos ex-membros do PCP mantêm intactas as suas convicções, o seu empenho na luta pelas causas que marcaram, desde a sua juventude, o seu pensamento e a sua acção, os mais nobres traços de carácter que desenvolveram e interiorizaram durante a sua passagem pelo PCP.

 

Afinal, para mim, e certamente para o Raimundo e para a maior parte de vós, os objectivos de luta mantêm-se os mesmos. E se continuamos a lutar é porque estamos vivos. "

 

Elucubrações de Mário Lino, no papel de filósofo de serviço, junto a Raimundo Narciso na apresentação do livro deste "Álvaro Cunhal e a dissidência da terceira via". Dissidência comandada por Fernando Castro e Pina Moura e em que estavaLino. Ou seja, Mário Lino: A cabeça ainda está no PC... É por estas e por outras que toda a gente sabe que a regra é: comuna uma vez, comuna sempre...

 

 A isto, às inconsistências de Mário Lino, responde, no "Água Lisa", um velho conhecido do PC:

 

 "(...) Para estas questões, as respostas de Mário Lino não podiam ser piores. Porque são uma mistificação completa, um exercício infeliz de harmonizar o contraditório. Para mais, sendo Mário Lino um ministro em exercício neste governo deste PS, como pode dizer que hoje, com a política governamental para que contribui com o seu corpo ministerial, acrescentando-lhe o valor de um notável espírito de humor que muito diverte os portugueses, "mantem intactas as suas convicções, o seu empenho na luta pelas causas que marcaram, desde a sua juventude, o seu pensamento e a sua acção, os mais nobres traços de carácter que desenvolveram e interiorizaram durante a sua passagem pelo PCP" e que, politicamente, "os objectivos de luta mantêm-se os mesmos"?

 

  A mistificação de Mário Lino assenta no expediente de separar as práticas partidárias das "convicções" e dos "objectivos de luta", particularmente absurdo no caso extremado do PCP, onde a ideologia e a organicidade se confundem em absoluto e não funcionam em níveis minimamente dissonantes. Um "partido revolucionário" como sempre foi e continua a ser o PCP, não pode coabitar com práticas democráticas internas ou externas, excepto nos exercícios de duplicidade táctico-propagandística nas fases de refluxo (como a actual, já apodrecida por ter nascido em 25 de Novembro de 1975, e que o populismo "à Jerónimo" tenta disfarçar). Ou o leninismo não passa de uma batata. E por não o ser é que os dissidentes, antes de o serem, acreditavam no modelo revolucionário e, por isso mesmo, aceitavam e colaboravam com práticas partidárias não democráticas, admitindo como integralmente legítimas as de tipo revolucionário vanguardista.  

 

 Aparentemente, o que os dissidentes contestaram em primeiro lugar foram as práticas internas de atropelo ao viver partidário minimamente democrático. Mas esta formulação só pode ter advindo de uma profunda inflexão ideológica, mesmo que íntima, mitigada e progressiva, por contestação do modelo revolucionário e conversão à intervenção reformista no quadro da vida política democrática, numa qualquer espécie de "social-democratização". E como a reconversão ideológica e política radical do PCP se apresentava impraticável, impensável até em termos de formulação, toda a táctica de contestação orientou-se para os procedimentos e os atropelos que, nas vésperas, não se contestavam e com que se era condescendente e conivente (upa, upa, no caso de membros do CC). E com o desenrolar do processo, a aversão pelas práticas estalinistas foi alimentando a reconversão ideológica e vice-versa. Estude-se o PCUS versus glanost e perestroika e está tudo lá escarrapachado a uma escala gigantesca e dramática. No nosso caso doméstico, a dinâmica da distanciação dos métodos e ideologias revolucionários, alimentando-se reciprocamente, levou a que os ex-dissidentes percorressem os seus caminhos posteriores (que acredito plenamente, não estavam pré-determinados em nenhum dos casos), uns para os braços do PS, outros para o Bloco, mais uns tantos para a "solidão de esquerda".

 

 Dizer, como disse Mário Lino, que quando estava no PCP e está agora no governo PS, incluindo os percursos intermédios, continua a mesma "defesa de ideais nobres de transformação da sociedade, de forma a torná-la mais justa, mais solidária, sem exploração do homem pelo homem", é uma mera justificação optimista de pseudo coerência como se a formulação tivesse a mínima semelhança de conteúdo vista no PCP ou no PS. Afinal, em justiça à inteligência de Mário Lino, julgo que se resume a um desejo consciente de dormir com o sono da inocência mesmo que sob a anestesia de uma trapaça. Por mim, prefiro uma das suas excelentes piadas recheadas de bom humor."

 

Publicado por  João Tunes  às 19:24








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