Cela s'est passé en février mais on ne l'apprend qu'aujourd'hui: les Américains ont simulé une attaque informatique d'envergure du 6 au 10 février 2006. Baptisée "Cyber Storm", cette attaque avait un objectif: tester les réactions des entreprises et des organismes publics face à une menace de ce genre.
"Cyber Storm" devait toucher les infrastructures de communication, les systèmes bancaires, les transports en commun, etc. Cette attaque a mobilisé 300 personnes aux Etats-Unis, en Australie, en Nouvelle-Zélande, au Canada et au Royaume-Uni et aurait coûté près de 3 millions de dollars.
Cette attaque informatique consistait à tester des défenses et la mise en œuvre des procédures d'alerte et de réponse. La coordination entre les différentes agences gouvernementales a elle aussi été éprouvée. Les autorités ont ainsi constaté que quelques points, comme la coordination des opérations entre les différents organismes (l'armée, le secteur privé et les médias), devaient être améliorés.
Mais la France n'est pas en reste et a mis au point sa propre opération, le "Plan Piranet" qui est un plan de réaction "en cas d'attaque informatique terroriste d'ampleur" mis en place après les attentats du 11 septembre 2001. Le dernier "Plan Piranet" a été réalisé en 2005. Le but de cette attaque informatique n'est pas d'infecter un réseau avec un code malveillant mais d'acquérir des réflexes.
"La dimension technique n'est pas la partie la plus importante. L'essentiel se situe au niveau de la procédure, de l'intendance, de la communication. [...] Il s'agit plutôt d'un exercice de gestion de crise. [...] Le plus compliqué est de créer une simulation qui soit proche de la réalité", explique Patrick Pailloux, directeur central de la sécurité des systèmes d'information (DCSSI) au Secrétariat général de la défense nationale.
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E em Portugal... Como vamos nestas matérias? Pois vamos mal, ninguém pensa nelas e os poucos especialista não são chamado a pronunciar-se e nem ouvidos por quem tem a obrigação... Seria um desastre se acontecesse um ciber-ataque. E seria ainda um desastre para um ministro, António Costa, que noutras áreas mais clássicas, como os fogos de Verão ou até Timor, tem feito um trabalho de assinalar. E seria ainda injusto para José Sócrates... Mas toda a gente sabe que o mundo não é caracterizado pela predominância do justo e que os desastres acontecem quando menos se espera. Pelo que... só se safa quem se prepara!
Este tema tem sido regularmente tratado no Claro, por exemplo, aqui, em Outubro de 2004, aqui , aqui e aqui... A tese dos coronéis chineses e, no campo oposto, os trabalhos de ROBERT BUNKER: (Networks, Terrorism and Global Insurgency), de John Robb e os trabalhos não-publicados do português Sérgio Campos têm merecido ao Claro uma atenção permanente, nos últimos anos.
Já em 2003, no Diários de Notícias, e em 2004 aqui, destacavamos que "o especialista português desta matéria, Sérgio Campos, em trabalho ainda não publicado, considera mesmo a ciberguerra como “ a forma de “guerra total” que pode vir a ser aplicadas no século XXI, sendo que é evidente que o conceito abrange aquilo que os grandes teóricos da guerra, tanto Liddel Hart como Fuller entendiam como “paralisação estratégica”.
" Para Sérgio Campos, “ o que é dramático é que, a somar à ameaça, há o facto de as sociedades ocidentais confiarem em redes desprotegidas, que conduzem ao risco de fracasso militar e a perdas económicas catastróficas. As possibilidades (do atacante) são de facto imensas, pois cada vez mais a própria complexidade e dimensão das organizações e das actividades leva a uma dependência acrescida dos computadores, os quais armazenam informações que não estão mais disponíveis de outra forma “. Ou seja, informações que não existem fora das tais redes desprotegidas...
" Pense-se na realíssima possibilidade de acontecer amanhã um ciberataque ao sistema bancário, às redes de energia, água ou telecomunicações, ao sistema de controlo de voo ou até ao sistema do Ministério da Justiça, da Defesa, da Administração Interna, ao Gabinete do Primeiro-Ministro ou, porque não, à Rede do Governo... Pense-se nisso, não como num filme distante mas como algo de que podemos saber daqui a pouco e da pior maneira, pois até a rádio pode não funcionar... ou não funcionar bem! O cenário da “guerra Irrestrita” está montado, as suas perspectivas são aterradoras e – uma dúzia de anos depois da queda do muro de Berlim – quantas saudades já daquela paz dos tempos do equilíbrio do terror assegurado pela Estratégia MAD, da Guerra Fria. "
Sim, quantas saudades... Mas mais que a contemplação saudosa desses tempos, importa agora a acção de preparar, de se preparar para aparar e parar as novas ameaças já detectáveis e ainda pensar o impensável.