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Correr os "ambientalistas" à pedrada...?
Fernando Maria Ruas da Fonte
A posição política do dr.Fernando Ruas é politicamente legítima. Não há qualquer ilegitimidade na consideração política de que o “ambiente” é uma treta de empatas e/ou uma máquina de criar problemas para poder , em seguida, vender (a bom preço) as soluções, sob a forma de estudos e pareceres, pagos a peso de ouro. Há toda a legitimidade política na Democracia para o pensar e para o dizer… Pode-se é estar ou não de acordo com isso. Mas tal não constitui problema, pois a Democracia resolve-o nas urnas.
O que é inaceitável é a afirmação, hoje muito repetida, de que Ruas devia ter estado calado pois os “senhores do ambiente” só fazem cumprir a lei…Esta afirmação é perigosa e tem um histórico anti-democrático. Foi ela que serviu para os pides e outros criminosos se justificarem (o assassino do general Delgado só cumpria ordens…) e serviu ainda para os libertar. Além disso, essa afirmação, politicamente pateta, confunde o essencial e importante (o Ambiente, sem aspas) com a espuma destes dias, os burocratas que vivem do "ambiente"... Cuidado! De resto, quando a argumentação desce a esses patamares é sinal de a razão política ter desaparecido…Sinal, portanto, da razão política de Ruas. Mas o problema que, à maneira do Portugal profundo (contra o urbano), Ruas coloca (sem sequer ter muito consciência disso) é outro: é o problema da hegemonia, o problema da hegemonia de um Portugal urbano, com uma visão ideal e artificial da natureza, sobre o velho Portugal rural, que se confunde com a própria natureza. E esta intromissão violenta do urbano no espaço rural é vivida como uma violação e uma expoliaçao. Politicamente, é ainda o problema da decisão, de decidir se a hegmonia compete ao “ambiente” com submissão do desenvolvimento, do político e do económico ou se o “ambiente” se submete e integra na hegemonia do político. Quanto ao comportamento do “ambiente”, que Ruas apela a correr à pedrada, é só mais uma manifestação pontual do carácter despótico de um Estado corporativo-burocrático que, na sua lógica instrumental como na sua ontologia, ignora e evacua a Democracia. Manifestações de um despotismo que não é esclarecido e é mesmo analfabeto. O incómodo e o alvoroço causados pelas palavras de Ruas têm apenas a ver com uma coisa simples: ele quebrou um tabú! Um tabú que estava preservado pelo “politicamente correcto” e que agora voou em estilhas. Ruas retomou a velha tradição portuguesa de correr à pedrada os serventuários de um Estado distante, despótico e parasita. Sempre que os apanhar a jeito…É isso o fenómeno Fernando Maria Ruas da Fonte...! |
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