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Competitive Intelligence & Perceptions Management
num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Wednesday, 07 June 2006

O Problema da Segurança numa

Sociedade Baseada nas Redes...

" THE GUERRILLA BAZAAR:

Lessons from Phishing Networks "

Ler aqui  esta síntese de uma ameaça já, no Claro, tratada, por exemplo,  aqui  e aqui... Sobre esta matéria, vale a pena ler também  ROBERT BUNKER: Networks, Terrorism and Global Insurgency, que John Robb classifica como "excellent collection of writing by some leading thinkers in 21st Century military theory".

Parece oportuno, neste contexto, recordar aqui um "alerta" publicado no "Diário de Noticias" do tempo da direcção de António Ribeiro Ferreira :

 

Mundo Irrestrito

José Mateus*

Sobre as realidades deste mundo em que vivemos, mais do que ouvir certos doutores dissertar contra a globalização, vale a pena ler alguns coronéis – como os chineses Qiao Liang e Wang Xiangsi.

Dignos discípulos de Sun Tzu, comunistas por educação, necessidade e convicção, mas demasiado inteligentes para perder tempo com as tragédias da Karl Marx Platz ou as comédias do Trotsky Circus, os senhores coronéis são os autores da obra que marca a passagem do século XX para o século XXI, no domínio da grande estratégia.

O quadro estratégico que colocam – o seu tempo, o seu espaço, os meios, os objectivos e o próprio modo de pensar – já não têm nada da “Guerra Fria” que marcou a última metade do século XX. Com a sua obra, entramos em outro mundo.

Por mim, penso que devemos estar-lhes gratos por nos mostrarem, com lucidez e frieza, o mundo em que estamos. Com efeito, nunca um intelectual ocidental - o “politicamente correcto” oblige e limita -ousaria estampar e divulgar tais visões e consequentes propostas militares, políticas e estratégicas.

Depois desta publicação, todo o mundo da Estratégia MAD e correlativos (incluindo certas pretensões de Moscovo...), nos parece como pertencendo à pré-história. Hoje, vivemos na “Guerra Irrestrita”. Veja-se a beleza deste adjectivo...

A tese dos coronéis chineses é simples, na sua frieza: “A guerra assimétrica não tem regras, nada é proibido”.

E que vectores de actuação privilegiam os coronéis chineses? Três: as redes e os computadores, os agentes de influência e o terror e as armas de destruição de massas.

As redes e os computadores permitem uma guerra (não declarada) que pode paralisar totalmente a vida de um país ou mesmo de um bloco económico, como a União Europeia, ou de uma aliança militar, como a NATO.

Através dos agentes de influência, os coronéis chineses propõem-se influenciar no Ocidente atitudes e opiniões, via financiamentos secretos de grupos políticos, incentivar o terrorismo urbano e espalhar rumores e escândalos que criem descontentamentos e tumultos.

O caso do ataque com gás sarin realizado no metro de Tóquio pela seita da Verdade Suprema é citado como exemplo do uso necessário do terror puro e a venda de armas de destruição de massa por Pequim a países que apoiem o terrorismo é apontada como imprescindível. E - note-se que a obra é de 1999 – o exemplo citado é o de ... Bin Laden.

A paralisação de um país ou de um bloco de países, a desarticulação da sua vida económica e também social, via computadores e redes, o uso do terror e da destruição massissa, o recurso aos agentes de influência e às técnicas de manipulação são os meios dos coronéis chineses para a nova estratégia de “Guerra Irrestrita”.

No fundo, todos eles meios de “guerra psicológica” que, desde há milénios, sempre foi a forma de guerra preferida dos chineses. Já Sun Tzu privilegiava os espiões e as acções de guerra psicológica e Mao Tsé Tung visava a desmoralização do adversário. Ora, o “psicológico”é hoje o ponto central daquilo que se começa a designar por Ciberguerra.

O especialista português desta matéria, Sérgio Campos, Presidente da Edisoft,  em trabalho ainda não publicado, considera mesmo a ciberguerra como “ a forma de “guerra total” que pode vir a ser aplicadas no século XXI, sendo que é evidente que o conceito abrange aquilo que os grandes teóricos da guerra, tanto Liddel Hart como Fuller entendiam como “paralisação estratégica”.

Para Sérgio Campos, “ o que é dramático é que, a somar à ameaça, há o facto de as sociedades ocidentais confiarem em redes desprotegidas, que conduzem ao risco de fracasso militar e a perdas económicas catastróficas. As possibilidades (do atacante) são de facto imensas, pois cada vez mais a própria complexidade e dimensão das organizações e das actividades leva a uma dependência acrescida dos computadores, os quais armazenam informações que não estão mais disponíveis de outra forma “. Ou seja, informações que não existem fora das tais redes desprotegidas...

Pense-se na realíssima possibilidade de acontecer amanhã um ciberataque ao sistema bancário, às redes de energia, água ou telecomunicações, ao sistema de controlo de voo ou até ao sistema do Ministério da Justiça, da Defesa, da Administração Interna, ao Gabinete do Primeiro-Ministro ou, porque não, à Rede do Governo... Pense-se nisso, não como num filme distante mas como algo de que podemos saber daqui a pouco e da pior maneira, pois até a rádio pode não funcionar... ou não funcionar bem! O cenário da “guerra Irrestrita” está montado, as suas perspectivas são aterradoras e – uma dúzia de anos depois da queda do muro de Berlim – quantas saudades daquela paz dos tempos do equilíbrio do terror assegurado pela Estratégia MAD, da Guerra Fria.

O doutor M. Soares - um dos nossos doutores que mais tem dissertado contra a globalização - tem razão numa coisa: entramos realmente num mundo inquietante. Mas constatar não chega. O papel da liderança é, aliás, o que se desenvolve para além da constatação. Não tenho a certeza que as cabeças pensantes da maioria governamental, de Barroso a Pacheco e de Marcelo a Portas pratiquem esta convicção, mas têm e terão todas as oportunidades de no-lo demonstrarem ou… não.

Soares é o homem de uma circunstância – 1974/75 – e o domínio da estratégia nunca foi o seu. Soares constata que entramos num mundo inquietante, mas quem o descreve, nas suas fragilidades e potencialidades, são os coronéis chineses. Daí a prioridade de conhecer o seu pensamento e, citando Sun Tzu, encontrar uma estratégia que supere a dos coronéis chineses… senão Qiao Liang e Wang Xiangsi já venceram. Este é o problema da liderança: no Governo, na Oposição, na Sociedade Civil (das associações empresariais aos media passando pela Universidade) quem lhe quer pegar?

* Consultor de Comunicação e Auditor de Defesa Nacional

 

Retomando "Ciberterrorismo no Mundo Irrestrito"

CHRONIQUES DES MATRICES

STRATEGIQUES

Réflexions autour du Traité de l'efficacité

La période des Royaumes combattants, entre le siècle et le IIè siècle avant Jésus-Christ - période pendant laquelle les Princes s’entouraient massivement de spécialistes des « choses de la guerre » - correspond à l’apogée de la réflexion stratégique en Chine, car celle-ci s’avérait vitale pour l’Etat . Certains considèrent même, dans le domaine de l’art de la guerre, qu’après cette période relativement riche, les avatars ultérieurs de la réflexion stratégique en Chine, ne sont que des adaptations tactiques inspirées par l’évolution des techniques et des menaces. Dans cette optique, le récent ouvrage La Guerre hors limites des deux officiers de l’armée de l’air chinoise, Qiao Liang et Wang Xiangsui, serait une relecture moderne de L’art de la guerre ou des 36 Stratagèmes.

Lire le fichier PDF : Réflexions autour du Traité de l'efficacité

 in Infoguerre

José Mateus Cavaco Silva at June 07, 2006 18:30 | link | comments
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