| Competitive Intelligence & Perceptions Management num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais... CLARO |
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DA CONFUSÃO "ESQUERDA/DIREITA" NO PAÍS QUE SOMOS NO SÉCULO XXI O senhor Francisco Anacleto Louçã (não deveria ser "loução"...!?), que tem uns cinquenta anos, nasceu em Lisboa e é o mais antigo secretário-geral em funções, explicava há dias num jornal que pretende uma "democracia económica para garantir a protecção social". A coisa dita assim até, para alguém mais distraído, poderá parecer fazer sentido. Porém, é um imenso disparate... como se viu, aliás, quando o grande educador de Louçã pôs a coisa em prática, há quase um século, e matou dezenas de milhões à fome e frio e manteve durante décadas mais umas centenas de milhões na mais negra miséria, com os resultados conhecidos de todos, excepto do tal Anacleto Louçã. De facto, quando se pensa um pouco, não é a "democracia económica" (mais os seus planos quinquenais e a direcção total do partido/estado) que garante a "protecção social", mas sim a possibilidade real do Estado de Direito dispor dos necessários e suficientes recursos, gerados na esfera do económico. A existência desses recursos e a garantia da sua continuidade é que garante tal. A "democracia económica" (mais os seus planos quinquenais e a direcção total do partido/estado) é o caminho mais curto para a queda da economia, para o desaparecimento dos recursos à disposição do Estado e para a implosão da protecção social (como se viu, aliás, quando o grande educador de Louçã pôs a coisa em prática...). É, realmente, o caminho mais curto para... a miséria, a Grande Miséria Geral! Que, claro, pouparia o secretário geral Louçã Anacleto, como na Coreia do Norte poupa os kim il sungs... Pela mesma altura, o José Luís Saldanha Sanches escrevia no Expresso sobre o processo perverso de manutenção das castas na sociedade portuguesa ("uma coisa muito forte até aos anos sessenta...") e de como as castas souberam tirar partido das mudanças introduzidas pelo 25 de Abril ou como "as castas aparentemente destruídas pela vaga de igualitarismo que sucedeu ao 25 de Abril, mantiveram uma sobrevivência tenaz". Explicando, "o igualitarismo tornou difícil manter instituições de ensino de elite ondereinasse uma forte competição e uma lógica meritocrática. O nivelamento por baixo e a redução da exigência foram a onda principal e abrangeram quase tudo. Contudo, ao lado desse igualitarismo basista que destruiu a eficiência de muitos sectores lá estão as castas... As boas e velhas castas da sociedade medieval mesmo depois de morto o Estado Novo (para quem tudo isto era uma virtude) vão resistindo às mudanças. A sua permanência na sociedade civil (sociedade e grupos económicos de base familiar) tem muito menos importância porque aí podemos assistir a uma evolução constante e à competição entre grupos de base familiar e multinacionais. É no sector artificial da sociedade e da economia - o Estado/sector público cuja organização é uma consequência do ordenamento jurídico - que a manutenção das castas é mais significativa... São sectores que mantém o seu imobolismo e a sua estrutura formal num ambiente social e jurídico aparentemente adverso conseguindo resisitir à mudança". É claro que considero que o problema das castas é mais profundo e radica numa base complexa que aqui no CLARO tem sido frequentemente abordada, por exemplo aqui, como aqui ou ainda aqui e ainda em outros posts ... Como há muito se escreve aqui no CLARO, este complexo neo-corporativo e salazarento é uma economia privada mas anti-mercado, que foge, aliás, do mercado como o diabo da cruz (nem que para isso tenha de invocar a "doutrina social da igreja contra o capitalismo"; que faz os seus negócios privados com os dinheiros públicos, mesmo se tal passa pela "sedução" e manipulação de agentes e de dirigentes da instância política e do aparelho burocrático do Estado; que prospera nas "rendas" de situações neo-corporativas e salazarentas e nos bens e serviços "não-transacionáveis" - como os "reinos" do betão e da banca; uma "economia" que se consolidou como o principal factor de bloqueio do desenvolvimento económico e que nos asfixia - porque ao País, depois de pagar os custos deste "complexo", não resta já o necessário - nem em recursos financeiros e nem em inteligência - para investir no desenvolvimento, ou seja, na segurança e bem-estar dos Portugueses. As castas são apenas - e gostaria muito de conhecer a opinião do Zé Luís sobre isto - uma das fenomonologias desse complexo neo-corporativo e salazarento. O curioso da coisa (e aqui está algo que só a democracia permite e nunca poderia acontecer na "democracia econónica" de Anacleto Louçã) é que no mesmo dia, embora em dois jornais diferentes, se manifestavam estes dois pontos de vista... E JLSS desfazia por antecipação a petição teológica de FAL, demonstrando como uma oração aparentemente revolucionária era de facto de natureza reaccionária e conservadora das castas e outros complexos neo-corporativos e salazarentos! Ainda no mesmo dia, o João Carlos Espada, através de cujas crónicas no Expresso vão cá chegando os ecos dos mais recentes debates do mundo anglo-saxónico, considerava que "precisamos de uma cultura política que liberte as energias civis dos portugueses", que "têm de voltar a acreditar que é melhor trabalhar seriamente do que obter favores do estado. É por isso que uma nova cultura política não será sobretudo acerca do estado mas será sobretudo acerca da socieade civil: da libertação das energias da sociedade civil. Os portugueses têm sucesso lá fora e os nossos emigrantes são respeitados em todos os países onde se encontram. Os portugueses têm de voltar a acreditar que podem ter sucesso no seu país. Quanto ao estado é sobretudo necessário dignificá-lo. Isso passa por uma cultura política que valorize a estabilidade e a prestação de contas... O estado não pode esbanjar o dinheiro dos contribuintes e gastar sempre mais do que tem". Ok... tudo bem! Mas para que isto tenha viabilidade e as afirmações de JCE façam sentido nesta nossa realidade, é necessário começar por uma atitude de Estado: a de pôr fim ao chupismo instituído que o complexo neo-corporativo e salazarento tem como prática institucional! Ou seja, é necessário passar, no Estado, a outro paradigma... Sobre a urgente e indispensável "libertação das energias da sociedade civil" não posso estar mais de acordo, como aqui se pode verificar . Como se vê, o problema fundamental com que estamos confrontados não se equaciona através dos velhos axiomas de discursos apologéticos dos tempos da "guerra fria" e de ideologias que definiam a esquerda e a direita em termos de conveniência das realidades de meados do século passado. O trotsquismo de Anacleto Louça dá respostas profundamente reaccionárias ao problema... e é, de facto, de direita e salazarento, defensor das castas e de uma "democracia económica" miserável e neo-corporativa. A questão está em saber e definir como libertar as energias dos Portugueses, resolvendo para isso os obstáculos que as décadas ditatoriais e miseráveis do século XX criaram a essa libertação e que ainda dão muito jeito e muitos milhões aos neo-salazarentos e outros mercadistas-leninistas que por aí andam... E ou será assim ou entramos neste século XXI, mais uma vez, às arrecuas! "Hic Rhodus, hic salta!" |
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