"FA serão o motor do Plano Tecnológico"
LUÍS AMADO RESOLVE EQUAÇÃO ESTRATÉGICA
ECONOMIA DA DEFESA, DEFESA DA ECONOMIA
Tratámos " O Reequipamento das FA Como Choque Tecnológico" , há coisa de um ano, aqui, pelo que não posso deixar de concordar com o ministro da Defesa, Luís Amado, quando refere, segundo o DN de hoje, "um programa de reequipamento militar ambicioso para a modernização da actividade económica do País" e privilegia as parcerias indústrias em detrimento do esquema compras/comissões. Finalmente, temos um Governo e um ministro da Defesa que indicam ter percebido para que serve hoje a Defesa... numa pequena potência cujas principais fragilidades estruturais se encontram no arcaísmo do tecido económico. "FA serão o motor do Plano Tecnológico" titula o DN e dá o exemplo da aquisição dos C-295 para substituir os velhinhos Hércules C-130. "Portugal pagará cerca de 297 milhões de euros pelos 12 C-295M e receberá 460 milhões em contrapartidas que darão às OGMA capacidade para entrar na cadeia de fabrico dos modelos civis e militares da Airbus. Ao abrigo deste contrato, a EADS aumenta para 30 % o seu capital nas OGMA e a Embraer reduz para metade os seus 65%. O restante é do Estado, via Empordef." É assim!
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O Reequipamento das FA Como "Choque Tecnológico"
Portugal necessita de uma política de Defesa Nacional que permita a existência das capacidades necessárias à garantia dos interesses nacionais e à protecção dos cidadãos nacionais, dentro e fora do território nacional, e que conjugue a economia da Defesa como defesa da Economia.
Importa, portanto, conduzir uma reforma da Defesa Nacional e das Forças Armadas que constitua um efectivo contributo para os desafios que o alargamento da União Europeia e as ameaças emergentes levantam, de forma a enfatizar a importância da Europa como espaço de segurança e o reforço do conceito de fronteira externa segura, e que funcione como alavanca para ajudar a alcançar o modelo económico, tecnológico e competitivo, que Portugal necessita.
Só um entendimento bem estruturado entre Governo, Forças Armadas e Indústria nacional, em que as responsabilidades de todos se encontrem perfeitamente clarificadas, poderá dar corpo a uma política de reequipamento das Forças Armadas eficaz e profícua para o País. Instrumento fundamental para essa política, o investimento público no âmbito da Lei de Programação Militar permitirá, simultaneamente, modernizar as Forças Armadas e, sobretudo, criar uma oportunidade de envolvimento sério da indústria nacional, que projecte a sua inserção nas cadeias de valor internacionais, colocando-a num lugar de que está ainda longe e permitindo recolher os respectivos benefícios económicos.
A LPM terá, assim, como objectivo real contribuir para a dinamização, desenvolvimento e modernização do dispositivo económico e produzirá duas resultantes: um salto tecnológico no aparelho produtivo nacional com a respectiva criação de empregos altamente qualificados e exportação de produtos de alto valor acrescentado e, segunda resultante, o reequipamento das Forças Armadas.
Esta afirmação da indústria nacional, feita através do seu relacionamento com a Defesa, constitui uma contribuição estratégica para a afirmação da economia nacional num universo globalizado e de alta exigência competitiva.
Temos aqui uma das vias fundamentais e mais eficientes para aplicar ao dispositivo económico a “injecção tecnológica” que ele necessita para sobreviver.
Tal implica, porém, uma alteração profunda na abordagem da questão do reequipamento, uma mudança total em relação ao que tem sido a política da direita nesta matéria, por parte dos diversos decisores envolvidos, tendo sempre presente como objectivo orientador a modernização do tecido económico e a rejeição total da lógica das “comissões” e das compras chave-na-mão ao exterior.
Se a política da direita privilegia a lógica das “comissões” e das compras chave-na-mão ao exterior, a política do PS privilegiará o “choque tecnológico” na indústria portuguesa, as parcerias, as políticas de contrapartidas e todos os factores que implementem a modernização do tecido económico. Só assim os investimentos da LPM farão todo o sentido, contribuirão para o “choque tecnológico” e se poderá dizer que conjugam a economia da Defesa como defesa da Economia, característica de todos os países desenvolvidos.
Está na altura do PS tirar Portugal do terceiro-mundo em matéria de aquisição de equipamentos de Defesa e pôr fim às práticas pouco transparentes típicas da direita.
A política para a área da Defesa Nacional terá de assumir como objectivos a Segurança, o Bem-estar e o Desenvolvimento… numa óptica de Inteligência Estratégica e Económica. E, no momento presente do País que somos, sem esquecer a Segurança e o Bem-estar, terá de privilegiar o Desenvolvimento. Só assim se ultrapassará o verbalismo e a impotência da Direita, só assim a política de Defesa será Nacional e só assim afirmaremos a capacidade do Partido Socialista para levar os Portugueses a superar os desafios que se colocam ao País.
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