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num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Monday, 17 October 2005

O Verdadeiro Debate para as Presidenciais

OS FACTORES QUE ESTRANGULAM

A ACTUAL ECONOMIA PORTUGUESA

A conjuntura presente de crise, em Portugal, resulta da combinação das entropias crónicas deste Estado e das novas contigências da economia internacional criam ameaças muito sérias a Portugal, cuja economia é muito condicionada pelo exterior e tem, no interior, os espartilhos e estrangulamentos gerados por um Estado quase sempre submetido ao serviço e às ordens do complexo neo-corporativo. 

(Este complexo económico neo-corporativo é uma economia privada, mas anti-mercado, que faz os seus negócios privados com dinheiros públicos, mesmo que para isso tenha de manipular agentes da instância política, que prospera nas "rendas" de situações neo-corporativas e salazarentas e nos bens e serviços "não-transacionáveis" - reinos do betão e da banca -, uma "economia" que se consolidou como o principal factor de bloqueio do desenvolvimento económico e que nos asfixia - porque ao País, depois de pagar os seus custos, não resta o necessário - nem em recursos financeiros e nem em inteligência - para investir no desenvolvimento...)

Esta conjuntura presente de crise (que é recente e nova...) coloca como premente a solução de questões que a Democracia  arrasta há uns trinta anos e que vêm já dos tempos salazarentos... Os salazarentos tinham como opção adiá-las, nem queriam ouvir falar delas, e pagavam isso com o seu misérrimo autarcismo. A Democracia tem demonstrado -  talvez por leviandade e pelo hábito que adquiriu de tratar os assuntos de Estado burocraticamente e pela rama - uma persistente impotência na sua abordagem pelo que se verificou a inevitável degeneração que nos trouxe até à actual  situação de uma economia esclerosada. E, ironia da História, o modelo português apresenta-se esgotado no preciso momento em que o modelo de economia global está em plena mutação ou "crise estrutural", bem acentuada pela entrada da China na OMC e que dá outra dimensão à palavra "globalização". O gigante chinês - problema de escala... - está a subverter a situação mundial, a começar pelo consumo do aço (que consome mais que o resto do mundo) e do petróleo. Convém não esquecer na zona costeita da China vivem 680 milhões de chineses com um poder de compra igual aos dos consumidores europeus mas com um poder de investimento onze vezes superior...

Com esta matriz e nesta conjuntura, importa com toda a urgência ter a inteligência e a diligência de (esquecendo as politiquices a que as direções partidárias nos têm habituado...) encontrar respostas a duas questões prementes: Primo, como explorar, na actual economia global, as vantagens comparativas (caso dos portos, por exemplo, e da plataforma logística que se pode fazer a partir deles...) e, secondo, o que fazer  com este Estado (que tem de ser revisto nos seus objectivos, funções e dispositivos e cuja autoridade é urgente recompor.

Uma liderança esclarecida e credível e um combate permanente à corrupção do complexo neo-corporativo são condições sine-qua-non para chegar às respostas necessárias... Há igualmente que perceber o que significa a mutação actual do modelo económico global saído da II Guerra Mundial e dos Acordos de Bretton Woods. Saber que isto significa uma mudança toal das indústrias motoras e da energia motora, uma mudança total do estatuto e condições da concorrência internacional, mesmo no mercado interno, e uma mudança total no estatuto da empresa... O principal perigo que espreita e poderá ameaçar as condições políticas necessárias é agora o neo-populismo de "esquerda" na versão "socialista nacional" de Jerónimo de Sousa ou na versão "anacleto torquemada" dos Louçãs... Nesse (improvável...) caso, há que dizê-lo, a Argentina espreita-nos...

É sobre estas matérias que será interessante ouvir o que os principais candidatos à Presidência desta República (esgotada...) têm para dizer... E será muito mau se verificarmos que se refugiam em bizantinas politiquices sobre o sexo da presidência, perdão, sobre os poderes e funções e sua repartição pela Constituição,  que alguns ameaçam transformar senão num bezerro de oiro pelo menos numa vaca... sagrada mas, malgré tout et quand même, vaca!

José Mateus Cavaco Silva at October 17, 2005 19:51 | link | comments
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