| Competitive Intelligence & Perceptions Management num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais... CLARO |
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DA IMPORTÂNCIA DE VASCO PULIDO VALENTE VPV, este lord inglês exilado (vá-se lá saber por que misteriosas razões...) neste país de cafres, alcança o supremo feito de olhar para o que somos e ver-nos como mais ninguém consegue e como nós não gostamos de nos ver retratados... VPV pode enganar-se, engana-se, mas tem o olhar mais frio e lúcido sobre Portugal que me é dado conhecer. Creio que se ele pintasse teria muito em comum com Goya... Esta pedagogia regular de VPV no Público e a dessacralização do "político" que ele pratica são, paradoxalmente, a prova de que há política, para além dos profissionais da política, no país de cafres... De que nem tudo está perdido! E prova ainda de que a cidadania é possível e que uma intervenção política profícua é cada vez mais possível fora dos aparelhos partidários arcaicos (dos anos setenta) e dos seus esquemas de profissionalismo autista. Daí estarmos agradecidos à universidade inglesa por o não ter retido e no-lo ter disponibilizado... Many thanks!
Que num debate sobre a direita, a uns dias do referendo sobre o aborto, e quando se recomenda o "debate ideológico", a Igreja não se mencione é um contra-senso ou uma fuga. Ontem, em conversa com este jornal, as cabeças pensantes da direita portuguesa conseguiram o milagre de falar da direita sem falar da Igreja. Voluntária ou involuntária, esta omissão é curiosíssima. Por várias razões. Primeiro, porque a história e a própria existência da direita sempre esteve, e continua a estar, ligada à Igreja. O miguelismo foi uma aliança entre o trono e o altar e o anti-clericalismo dividiu os campos durante todo o século XIX e mais de metade do século XX. Ninguém conseguia ficar neutro ou sequer à margem. Ou se estava de um lado ou se estava do outro. A literatura (incluindo o ensaio) reflecte, aliás, muito fielmente o que sucedia na sociedade e na política. De Garrett a Sérgio, corre, página a página, um ódio inextinguível à Igreja e ao padre, que nenhum católico conseguiu contrariar ou sequer mitigar. A Monarquia caiu em grande parte por causa da "questão religiosa" e a República ou, mais precisamente, o Partido Democrático de Afonso Costa não passou em grande parte uma perseguição endémica à Igreja. |
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