O SER, O PARECER E OS... PARECERES ! Talvez por o ter descoberto no convívio com António Ferro, mestre do futurismo e do modernismo em Portugal, Salazar repetia que em política o que parece é... Nunca deve percebido bem o alcance da coisa (António Ferro deve ter guardado para si o quadro de pensamento e todo o campo conceptual que permitiam alcançar o significado da afirmação...), nem se deve ter lembrado que, assim sendo, ele era o que parecia - um solitário ressabiado com o mundo e em guerra com os tempos... Mas - e a graça não tem graça menhuma - a política em Salazar reduzia-se, portanto, ao "ser" e ao "parecer" (o que nos permitiria discorrer aqui sobre aquele tratado de perceptions management do "Gouverner c'est paraitre") mas o que tem graça dizer - e repito a graça não a tem - é que hoje importante mesmo não é o "ser" nem o "parecer" mas... os pareceres! É nos "pareceres" que está muita da explicação da política...! Nota - Desiludido com a indigência cultural do Estado Novo e o completo malogro da "política de espírito", António Ferro decide resignar a todas as dignidades internas e encetar breve carreira diplomática, primeiro como embaixador na Suiça (1950-54) e depois em Itália (1954-56).
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