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Competitive Intelligence & Perceptions Management
num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Sunday, 19 December 2004

A propósito do que aqui ontem se escreveu sobre:

"OS INTERESSES CORPORATIVOS, A VELHA ECONOMIA SALAZARENTA E OS SEUS CUSTOS INCOMPORTÁVEIS!" 

comenta o http://tempoquepassa.blogspot.com:

"Por nós, julgamos que o neo-corporativismo denunciado tanto não é o regresso ao regime do "gentleman's agreements" do neo-feudalismo salazarento, como pouco tem a ver com o "complexo militar-industrial". Tudo não passa da eterna economia mística dos que defendem o capitalismo e a globalização, quando se vive em época de lucro, como logo clamam pelo proteccionismo estadualista, quando a ineficiência gera défices."

Isto exige uma "mise au point". E responder a pessoas inteligentes e sábias, como o Prof. José Adelino Maltez ,é sempre um prazer.

Ora bem, esta "eterna economia mística dos que defendem o capitalismo e a globalização, quando se vive em época de lucro, como logo clamam pelo proteccionismo estadualista, quando a ineficiência gera défices" é uma especificidade portuguesa... Nunca os empresários de Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha ou até mesmo de Espanha se lembrarão de adoptar semelhante postura filosófica pois o modo de vida deles é outro. No mundo ocidental, isto só se passa mesmo em Portugal. E é esta especificidade portuguesa que é preciso interpelar, interrogar, saber de onde vem, de que é que consta e como se explica. Porque é que existe em Portugal uma economia privada, que escapa às regras da economia de mercado, que vive de dinheiros públicos e de negócios de Estado - e que para isso tem de influenciar, senão mesmo controlar, a instância política - e que tem um peso e um custo incomportáveis para os Portugueses e nos vai arrastar para uma catástrofe ? Esta é a questão sobre este problema da economia neo-corporativa.

Ao contrário do que aconteceu em Espanha, não houve em Portugal nem uma recomposição do tecido empresarial salazarento nem o aparecimento de uma nova classe empresarial. O tecido empresarial é o mesmo e os agentes da economia salazarenta estão de novo no comando... Tudo ao contrário do que aconteceu em Espanha, onde a recomposição do tecido económico e empresarial gerou novas realidades, novas realidades e colocou no comando novos agentes, criando uma dinâmica economia de mercado.

Os salazarentos em Portugal refugiaram-se nos bens não-transacionáveis e construiram uma hegemonia sobre a instância política que lhes serve para desenhar e concretizar negócios à sua medida com os dinheiros públicos. Assim, a economia neo-corporativa e salazarenta alimenta-se nos não-transacionáveis, prospera nos "negócios privados com dinheiros públicos" e impõe custos ao País que os Portugueses não têm meios para suportar... É responsável, portanto, por uma iminente e eminente bancarrota e deverá ser por tal responsabilizada.

É este neo-corporativismo que leva a que o preço do gás natural, com origem argelina e até nós trazido por gazodutos espanhóis, tenha deste lado da fronteira um preço que é o dobro do praticado em Badajoz! É também este neo-corporativismo que explica que o líder da incipiente economia de mercado que tenta medrar seja sistematicamente hostilizado, relegado e prejudicado pelos governantes, quando ele é o maior empregador privado de Portugal e o mais importante responsável pela modernização económica e líder na área dos transacionáveis. É também este neo-corporativismo que explica a hostilidade dos governantes à lógica das parcerias na indústria de defesa (que trazem know-how e mercados mas não oferecem comissões dado que não há compras...) e a sua preferência por compras no estrangeiro com a intermediação de abençoadas "sociedades comerciais". Já o dizia Oliveira Martins citando determinado bispo, sobre o qual certamente já tinha descido o Espírito Santo, "Portugal é pequeno mas é um torrão de açucar"....

José Mateus Cavaco Silva at December 19, 2004 03:53 | link | comments
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