| Competitive Intelligence & Perceptions Management num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais... CLARO |
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CITAÇÃO A pretexto dessa coisa sem texto que foi a “remodelação”, não resisto a citar o José Adelino Maltez, que parece estar em ano sabático mas não deu férias à lucidez nem à inteligência e que, mesmo não estando de acordo com ele (e desta vez nem é o caso...), é sempre um prazer ler. “Quem ganha e manda não é o Pedro nem o Paulo, mas seres dos esgotos, esses vermes do oportunismo que sabem manobrar pela intriga naqueles meandros salazarentos que ainda constituem a nossa infra-estrutura social e política, apesar do verniz democrático e da verborreia pluralista e representativa que tentam caiar de modernação esses sepulcros decadentistas. “Aqui e agora, as conspirações são brutalmente feitas de anti-conspiração. Isto é, os fios da necessidade têm sido ocupados por uma sucessão de acasos. Com efeito, não considero que haja centros ocultos de poder, sejam centrais congreganistas, comités esotéricos, manipulações da cripto, ou jogadas de espiões. O que efectivamente transparece é uma real ditabranda da incompetência, provocada, não pelos ditos que são ministros, capitalistas ou partidocratas, mas por uma maioria de cobardes calculistas que continuam a lavar as mãos como Pilatos. A culpa desta "servitude volontaire" está nos formais cidadãos que não assumem a cidadania, nos voluntários escravos que não desencadeiam a urgente revolta dos escravos. “Para alguns fundamentalistas que se pensam católicos, tudo acontece por manobras maçónicas, com ocultas pranchas emitidas pelo Bairro Alto. Para fervorosos laicos, tudo são jogadas do Opus Dei. Para justicialistas vermelhos, há os interesses do capital e dos grandes grupos económicos, embriagados pelo neo-corporativismo. Para radicais nacionalistas, nota-se a reconstrução do aparelho do KGB. Para eméritos neo-marxistas, apontam-se os passos da CIA. Para mim, talvez tudo seja mais simples: um imenso vazio de poder, o desaparecimento da autenticidade e a ocupção da política pelas intrigas do doméstico. “Cá por mim, recuso-me a elevar Gomes da Silva à categoria de bode expiatório. Começo a olhar com pena para Santana Lopes. E não me esfriam os suores do remorso com Paulo Portas. Eles nem sequer atingem a categoria de causas. São meras consequências de um paralelograma de forças que os ultrapassam. São, sobretudo, sintomas de uma doença colectiva, de muitos tumores que nem Mário Soares pode lancetar. “A remodelação-recomposição com aquilo que muitos chamam a prata da casa, é mais um episódio daquelas sucessões de vitórias que aproximam a inevitável derrota final. Nem o tempo mudou, nem o disco virou, continua a tocar o mesmo. Como é diferente o poder em Portugal! Pedro fala em ajuste, não de contas, onde não parece ser especialista, mas de funções, dado que o órgão se mantém em música celestial, face à multidimensionalidade das pessoas e das estruturas, porque Rui precisa de ser resguardado, neste tempo de cerejos amargos.” Et voilà… what you see, is what you get…? |
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