Europa, "oui, par le non"
 Numa conferência organizada pela ATTAC sobre o tema "O que fazer com a Europa? Constituição, Democracia e Modelo Europeu", o professor universitário José Adelino Maltez, assumindo-se como um homem de «direita», não deixou de lançar algumas farpas não só à pergunta como ao caminho trilhado pela União Europeia.
«Nem eu entendo aquela pergunta do referendo... e sou professor de projecto europeu», disse Adelino Maltez, sustentando que mais valia «não fazerem o referendo». Seguindo essa linha de pensamento, o professor lançou mesmo uma «provocação» a Guilherme d'Oliveira Martins: «... ou então tenham a coragem de fazer como nas eleições de 1933, em que as abstenções contavam como votos favoráveis».
José Adelino Maltez disse «não confiar na certeza do caminho» seguido pela Europa, sustentando que a União Europeia «assenta num modelo social e económico hipócrita». E explicou porquê: «Criámos um modelo bom para dois terços dos europeus, que, como diz Santana Lopes, são os remediados, e um terço são os excluídos e pensamos que isto tem pernas para andar se os dois terços forem representados pelo bloco do centrão.» Ao que o professor universitário concluiu: «Não foi para isto que fizemos o sonho uropeu.»
"E não me venham com a demagógica afirmação que os do "não" seriam todos "eurocépticos" e "populistas", uns façanhudos extremistas que não estão com o bem, o progresso e a justiça, traidores à Europa e inimigos de Portugal. Até porque começa a desenhar-se uma frente ampla que vai de Jorge Miranda a Eduardo Lourenço, passando por António Barreto e José Pacheco Pereira."
"Uma Europa que se construa a partir de um modelo feito de conformismo, marcado pelo "do mal, o menos", tem pouco a ver com o sonho dos pais-fundadores, até porque, infelizmente, continua a praticar as regras maquiavélicas daquilo que se designou como o "federalismo sem dor" e da "política furtiva", coisa que pode ter sido útil na Guerra Fria, mas que nada tem a ver com a necessidade do século XXI e com as regras da cidadania de uma Europa, que deve ser politicamente entendida como uma "democracia de muitas democracias" e não como a retomada do "despotismo iluminado".
"Dizer não é sobretudo assumir a política como um campo de forças simbólicas e rejeitar a paternidade constituinte de quem não é o "nós, os povos e nações da Europa". Eles, que se dizem federalistas, apenas são os confederacionistas das potências, dessa nova Santa Aliança que nos quer armar uma cilada, para citar o insuspeito Proudhon."
Ou seja, o referendo e a falta de jeito já evidenciada por políticos, que não perceberam ainda (e talvez nunca percebam...) a dimensão política do problema, prometem...
É verdade, já alguém reparou que os mais destacados dirigentes do PS francês, com Laurent Fabius, Manuel Valls e A. Montebourg à cabeça, fazem campanha pelo "Não"...? Curioso, como a coisa aqui neste burgo periférico não tem sido notada...!
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