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Competitive Intelligence & Perceptions Management
num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Thursday, 19 November 2009

DE UM PREC A OUTRO

 

Esta República nasceu do PREC, a 25 de Novembro de 1975. Esse PREC (assim baptizado pelo saudoso João Isidro, no Expresso) era um “processo revolucionário em curso”. Para quem se recorda do ambiente que nesses dias se respirava, reconhece hoje no ar um “cheirinho” da coisa, um certo perfume de PREC… Talvez agora um “processo de rebaldaria em curso”…


Cartografia de 6 mil anos de guerras
.
cartographieUma cartografia dinâmica aplicada à geopolitica e à guerra, produzida pelo site Conflict History, com o recenseamento dos conflitos surgidos à superfície da Terra desde 4,000 AC até hoje, e construída com ferramentas Google Maps e articulada com a versão inglesa da Wikipedia e com o site Freebase. Interessantíssimo e bem reveladora das potencialidades desta nova cartografia. 

GOLPE DE ESTADO LARVAR

alerte aux gaz ...Quer saber o que é e como se faz um golpe de estado quando já não se pode se pode fazer disso?

Quer saber o que é e como se faz um golpe de estado na idade mediática, em tempos de guerra da informação?

Se quer mesmo saber, analise atentamente o que se passa, desde há escassos anos (mas de forma diferente) em dois países (diferentes), a Turquia e Portugal… Veja como estão em curso (independentemente da consciência que seus actores e agentes tenham disso e dos seus papéis) dinâmicas de golpe de estado larvar (que é a forma de golpe de estado quando não pode haver golpes de estado…), nesta idade mediática, de formas desmaterializadas de guerra e de letais e arrasadores ataques à reputação.

 

PS. Deixem de pensar em golpes de estado como uma coisa que mete tropa e tanques na rua… Isso é do século passado. Isso é politicamente incorrecto. Isso já não se usa. Neste século, os golpes de estado passam mais pela televisão que pelos tanques…

Wednesday, 18 November 2009

KEBABS E ESPETADAS À LA RUSSA
      tem a certeza que ainda não provou?



“SUSPECTED cannibals killed a young man, ATE part of him and then sold other bits to a KEBAB house.
Cops also believe the 25-year-old victim's body parts may have been used to fill PIES too.
The trio of homeless men were arrested in Russia - accused of murdering the man with knives and a hammer.
Prosecutors revealed: "After carrying out the crime, the corpse was divided up - part of it was eaten and part of it was sold to a kiosk selling kebabs and pies."
Suspicions were raised when dismembered parts of a human body were found near a bus stop in the outskirts of the Russian city of Perm - which is 720 miles east of Moscow.
The three men all have criminal records, said Russian cops.
They have been arrested on suspicion of killing their victim - who has not been named - before chopping up his corpse to eat.
Detectives for the Prem region released the astonishing statement that the human remains could have been used for kebabs and pies on their www.susk.perm.ru website.
But police said it was not clear yet if any of the human meat had been sold to customers.”

 

Pois é, quando for à Rússia vou levar umas latinhas de atum, carapaus e sardinhas… sempre é mais seguro. E, por aqui, vou olhar melhor para o sítio de onde vem o que pense comprar. Por mim, não alinho naquele canibalismo de “os homens que se comem uns aos outros” … Thxs ao meu amigo Pitigrili que foi o primeiro a descobrir esta delícia.

Tuesday, 17 November 2009

UMA MULHER DE CORAGEM,

algures no Irão, faz uma pega de caras a Ahmanidejade e seus gorilas... Momento excepcional.

MulherdeCoragem.jpg picture by claromotime

Monday, 16 November 2009

ROMY SCHNEIDER

COMO NUNCA A VIU

 

Romy Schneider como nunca a viu.. É uma história dos aventureiros do filme perdido. “L’Enfer”, filmado em 1964 por Henri-Georges Clouzot, com Romy Schneider como protagonista, nunca chegou às salas. Chega agora... Uma Romy Schneider como nunca se viu.

 

«Ressuscité L'Enfer, d'Henri-Georges Clouzot, avec Romy Schneider. Des mois d'essais filmés, trois semaines de tournage... A partir de ces images inexploitées, escreve o L’Express,  Serge Bromberg a réalisé un documentaire étonnant.»

 RomySchnerder.jpg ROMY SCHNEIDER in L'ENFER picture by claromotime 

OBAMAO... OBA MAO!

 

Os chineses mostraram bem a irónica consideração que têm por Obama... Ora vejam!













Sunday, 15 November 2009

 Óscar para Lauren Baccal

Lauren Baccal recebeu ontem o Óscar honorário pela sua carreira no cinema, numa cerimónia que antecipou a entrega dos prémios mais aguardados de Hollywood. A divina Lauren Baccal, que foi casada com Humphrey Bogart, foi uma das raras actrizes de Hollywood com forte personalidade, imenso talento e que era muito mais que “plástica”...

"Custa-me a acreditar", confessou a actriz de 85 anos e mais de 30 filmes em várias décadas, perante uma plateia recheada com as grandes estrelas de Holywood, como os realizadores Steven Spirlberg. George Lucas, Quentin Tarantino e os actores Kirk Douglas, Angelica Huston, Jeff Brifdges, Warren Beatty, Morgan Freeman ou Tom Hanks, diz hoje o Correio da Manhã

A cerimónia, que pela primeira vez na história se realizou meses antes da entrega dos Óscares, teve uma organização muito discreta, apenas com discursos dos companheiros e vídeos de transmissão de trabalhos dos premiados. "Não queremos converter isto noutro espectáculo de televisão e ganhar dinheiro com isso", explicou Tom Sherak, acrescentando que "se trata de homenagear estas pessoas da melhor forma possível".

Os 12 trabalhos de Sócrates

 

Hércules defrontou todo o tipo de inimigos e de conflitos, nas suas aventuras de demanda, procura e afirmação, desde a hidra de muitas cabeças aos serviços de segurança do rei Gerion, dono dos famosos bois, e aos que guardavam as maçãs de ouro, passando por leões excepcionais. Mas uma ameaça ele não enfrentou: a da guerra de informação. As guerras no seu tempo eram outras, de outro tipo e de outras naturezas. Eram mais físicas. Não tinham o carácter imaterial da guerra de informação e dos seus ataques à reputação. O que as liga é o carácter ad-hominem. Na guerra de informação, José Sócrates tem, nos sucessivos ataques à reputação que tem sofrido e sofre, os seus “doze trabalhos de Hércules”... Mas – e é bom que se adquira esta noção – depois destes “trabalhos” de Sócrates, a política em Portugal integrou a guerra de informação e, portanto, nunca mais será a mesma.

OIndependente180205.JPGAinda se lembram deste "documento da PJ"... Deste "trabalho" de Sócrates? Era "indesmentível", não era?

HAJA ESTADO!

 

[escutas.jpg]O que todo este caso das escutas prova é não o que um qualquer magistrado e uns quantos polícias quereriam alcançar mas que neste sítio o Estado está em deliquescência, entrou em anomia e que, de modo certo, este é já um sítio sem Estado.

 

Isto é o que prova e a questão que levanta é, dito à maneira de Karl Marx, quem é que controla os controladores? E, como a resposta é “ninguém”, volta-se a provar a anomia do Estado e, portanto, que este é já um sítio sem Estado.

 

E qualquer cidadão sente e pressente isto, mesmo que não o formule assim. Formula-o de um modo bem diferente. Como diz o povo no café à hora das notícias e face às manchetes, “o que isto está a precisar é de um novo Salazar”... E acrescentam, regra geral, “e olhe que eu nunca fui salazarista”. Pois é... o que estão a dizer é que o país não pode viver sem Estado. E pedem, da forma que sabem formular, que haja Estado.

 

Haja, pois, Estado. De Direito e Democrático. Antes que alguns vão buscar um qualquer ditadorzeco cruel, cínico e pateta para “fazer” de Estado... Ou, como dizia a minha avó Luzia aos netos e amigos, importa dizer a políticos e altos cargos de Estado “haja tino, meninos”.

 

"Ver Claro", a Coluna do "Correio da Manhã"

 

Saturday, 14 November 2009

CANALHAS...

Uma amiga envia-se um mail com este título. Acho bizarro o uso desta linguagem por uma mulher serena e que navega mais na poesia de Mário Sá Carneiro e pouco frequenta o calão. Leio o resto e percebo. Ela está indignadíssima e o mail é um desabafo. Não resisto a, guardando em absoluto o seu anonimato partilhar aqui uma sua apreciação do que se passa à sua volta:

 

“...A agenda política nada tem que ver com os problemas do país, é gerida por canalhas incompetentes e cobardes e a pouca-vergonha chegou ao ponto de os líderes partidários estarem mais empenhados em saber do que fala Sócrates ao telefone do que em apresentarem alternativas credíveis.......... sabes que mais?

é melhor ficar calada,

um abraço

….por vezes só nos apetece " deitar tudo" cá para fora...”

 

Ah, pois, sei, querida Amiga, se o sei…

Friday, 13 November 2009

O SOVIETE DOS MAGISTRADOS

• João Pinto e Castro, Todo o Poder ao Soviete dos Magistrados:


Imaginem um país onde alguns investigadores se dedicavam a perseguir pessoas em vez de inquirirem crimes. Imaginem, além disso, que eles faziam sistematicamente chegar aos jornais informações seleccionadas alegadamente recolhidas no decurso dessas devassas.

Considerem ainda a possibilidade de comentaristas cúmplices ou imbecis exigirem com grande alarido nas televisões a demissão dos arguidos ou meros inquiridos titulares de cargos públicos. E suponham que cada vez mais pessoas começavam a aceitar a ideia de que a regra se deveria estender a gestores de empresas privadas.

Para completar o retrato, fantasiem que o processo era apoiado e instigado por sindicatos de magistrados.

Decorre daqui com a brutalidade de uma dedução lógica que esse país não poderia ter governantes ou dirigentes que não fossem previamente aprovados pelos tais investigadores.

Deixem-me atacar o Sócrates!

in “O Jumento”

Alguns dos que me criticam não imaginam quanto me apetece mandar umas farpas, desabafar o que me vai na alma por aquilo a que estou a assistir, nem calculam como gostaria que houvessem alternativas credíveis a Sócrates dentro e fora do Partido Socialista, como estou cheio de vontade de deitar o que me vai na alma.

No dia das eleições estava a decidido a “passar-me” para a oposição pois neste país não bajular o líder já é ser oposição, atrás do primeiro-ministro segue uma imensa procissão de ministros, secretários de Estado, assessores, directores-gerais e uma infinidade de admiradores capazes de lhe lamberem o rabo e assegurarem que sabe a baunilha.

Mas quando a oposição é liderada por sacanas anónimos que durante o fascismo foram serviçais do regime e agora estão disposto a subverter a democracia para defenderem mordomias miseráveis não serei eu a ajudá-los a completar o serviço. Se Sócrates é gatuno, corrupto ou, muito simplesmente, um pilha-galinhas então provem-nos, façam-no segundo as regras e com competência porque é para isso que os contribuintes lhes pagam e, tanto quanto sei, nem sequer estão mal pagos.

Criticar as políticas de Sócrates e ajudar um partido que tem uma líder que vai ao caixote do lixo do Ministério Público para escrever os discursos que faz no parlamento? Ou para ajudar os que sonham uma sociedade tão boa que só funciona se for imposta uma ditadura idiota?

De resto, não vale a pena perder tempo a falar de coisas sérias, desde o Presidente da República aos órgãos de comunicação social, desde Jerónimo de Sousa até Manuela Ferreira Leite, todos estão preocupados em saber do que fala Sócrates com Armando Vara. E se a PJ pudesse usar os tais aparelhos sofisticados que comprou à secreta israelita quando o Sócrates está com a Fernanda Câncio na cama ainda havia algum procurador-adjunto que mandava uma certidão para o Supremo só porque o primeiro-ministro em vez de dizer ai deu-lhe para gritar pela TVI, pela Manuela Moura Guedes ou pela Freeport, sinal evidente do seu envolvimento em negócios poucos claros, matéria suficiente para investigar, para preocupar um qualquer montanheiro de Belém ou pra levar o sindicalista dos magistrados a um orgasmo precoce.

A agenda política nada tem que ver com os problemas do país, é gerida por canalhas incompetentes e cobardes e a pouca-vergonha chegou ao ponto de os líderes partidários estarem mais empenhados em saber do que fala Sócrates ao telefone do que em apresentarem alternativas credíveis. A excepção é Paulo Portas, os submarinos obrigam-no a ser inteligente, os outros permitem-se ser mais burros do que o costume.

Entretanto em vez de discutir os problemas do país e criticaras políticas governamentais ou as escolhas que vão sendo feita, temos de andar a toque de caixa por causa de meia dúzia de pobres diabos que só por terem sido seminaristas do CEJ se julgam sacerdotes que podem ouvir todos em confissão e revelar o que ouviram, o que imaginaram ter ouvido e o que gostariam de ter ouvido, tudo isso para que os crentes mais ingénuos fiquem a pensar que ouviram o que ninguém ouviu.

Enquanto não acabar esta penitência colectiva, enquanto os magistrados e os políticos incompetentes promoverem esta mortificação colectiva digna de supranumerários da Opus Dei, não alinho e lá terei que deixar a oposição mais tarde, não me junto a gente desta.

O Jumento, às 12:30 | links para este post | (13) Coices | | Permalink

Tuesday, 10 November 2009

CRISE, NOSTALGIA E CAN-CAN...

 

Neste ameaçador início de século, que apresenta o risco de uma verdadeira hecatombe económico-social (capaz de explicar aos inveterados optimistas que as sociedades também podem regredir aos trambolhões e empobrecer brutalmente...), começa a surgir uma grande nostalgia dos bons velhos tempos do século XX. Por exemplo, do Paris do verdadeiro french can-can, onde nem a Piaf e o Gabin faltam... Enfim, curvas da economia e coisas das curvas.

french_cancan02.jpg
























french_cancan.jpg
G80650.jpg

 

Monday, 09 November 2009

FORT HOOD OU A JIHAD

NA AMÉRICA DE OBAMA

 

O Washington Post de hoje confirma o que ontem aqui se tinha dito sobre o massacre de Fort Hood e a improbabilidade de um islâmico com o currículo do major Nidal Hasam poder aceder a certos círculos... As ligações de Hasan à Al-Qaeda também começam a ser assumidas. Como já alguém disse, "yes, al-qaeda can"...

Authorities scrutinize links between Fort Hood suspect, imam said to back al-Qaeda


 

Officials probe possible links between Maj. Nidal Hasan and his former Muslim prayer leader who, in a blog posting Monday, called suspect "a hero."

Federal investigators are examining possible links between FortHood shooting suspect Maj. Nidal M. Hasan and an American-born imam who U.S. authorities say has become a supporter and leading promoter of al-Qaeda since leaving a Northern Virginia mosque, officials said.

Hasan attended the Dar al-Hijrah mosque in Falls Church in 2001, when its spiritual leader was Anwar al-Aulaqi, a figure who crossed paths with al-Qaeda associates, including two Sept. 11, 2001, hijackers, one senior U.S. official said.

 


 

 

.The Washington Post
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·                                 Authorities scrutinize links between Fort Hood suspect, imam said to back al-Qaeda

·                                 Q&A, 6 p.m.: Fort Hood Investigation: Link between Nidal Hasan and imam?

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MASSACRE DE FORT HOOD,

OBAMA E O ISLAMISMO…




O recente massacre de Fort Hood por um major islâmico, com nome árabe, veio reabrir nos USA a ferida, ainda não sarada, do 11 Setembro. E é, em termos de política interna e de gestão de imagem, uma das piores coisas que podia ter acontecido a Obama. Tão má quanto imprevisível. Imprevisível, disse imprevisível…?

Não sei se seria assim tão imprevisível, mas foi-o. Bizarramente, foi-o. Bizarro porque este major estava referenciado. Porque quem com ele convivia perguntava-se, há tempos, se não estava ali um terrorista, dado o seu discurso. Porque ele contactava com o “apoio e líder espiritual” dos terroristas do 11 Setembro. Porque…

Mas imprevisível porque ele frequentava círculos e integrava ‘teams’ próximos de Obama que um cidadão com o seu currículo clandestino não poderia frequentar… E, no entanto, frequentava-os...

Este massacre de soldados americanos, em solo americano, feito por um major islâmico, nascido em solo americano de pais árabes, e a quem foi identificada uma proximidade a Obama, resultou já num furioso movimento na net que identifica Obama com o islamismo. O facto de Obama ter evitado a base de Fort Hood nestes dias também não o ajudou muito…
[HasanBrochure-1.jpg]

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9 de Novembro 1989, 20 horas: O Muro Cai…

E O PEDRO CAMACHO, DESDE  ENTÃO,

AINDA ME ESTÁ A DEVER UM JANTAR

 

Em Março 1987, apostei com o Pedro Camacho (actual director da Visão e então meu colega de trabalho) que o muro do Berlim não chegava aos anos 90. O António Ribeiro Ferreira (agora no Correio da Manhã) foi testemunha da aposta, um jantar no ‘Tavares’, a pagar por, obviamente, quem perdesse. O Pedro ria-se com gosto da minha “loucura” e sugeria que eu era uma espécie de alarve lírico. Na altura, trabalhávamos todos três no mesmo local. Infelizmente, separámo-nos com o fim do projecto editorial em que estávamos, em Junho 1987, e cada um foi para o seu lado. Às oito da noite de 9 de Novembro 1989, o muro caiu. Sem apelo… Telefonei ao Pedro ainda nesse mês de Novembro 1989… “Pedro, então, já viste as notícias de Berlim…? Temos jantar…”. Já não riu. E percebeu que o alarve lírico não era eu. Do jantar, disse “tá bem”, mas, até hoje, vinte anos depois, ainda não o pagou… Tão pouco é importante. Importante foi a queda do muro.

Na Coluna do "Correio da Manhã"

Na Coluna do "Correio da Manhã"

Sunday, 08 November 2009

Nova Inquisição, Novos Familiares do

 Santo Ofício e Guerra de Informação

 

Em Portugal e de forma soez, tem estado a ser instalado um estado de suspeição que faz resvalar a sociedade portuguesa para uma perigosa crispação, que estamos a ver como começa mas não se imagina como possa acabar. É um processo muito dinâmico que conviria desmontar antes que ele se torne avassalador e arraste consigo tudo o que venha a encontrar pela frente. É um processo que ameaça dividir a sociedade portuguesa de uma forma semelhante ao que se passou no século XIX e fazer-nos voltar a um dramático clima de “guerra civil”.

Um observador atento terá notado que há meia-dúzia de anos se rompeu o pacto saído do “25 de Novembro”, durante os governos Barroso/Santana Lopes. Um certo tipo de gentlemen’s agreement que vigorava desde os finais de 1975 foi então quebrado e começaram a surgir formas de guerra política até aí inimagináveis e inaceitáveis, talvez por nem Barroso nem Santana terem sido parte activa e integrante do bloco vencedor do “25 de Novembro” e estarem, por assim dizer, de fora da sua “cultura”.

Em poucos anos, essa ruptura política evoluiu de forma descontrolada para patamares de risco. Nessa evolução foram ganhando cada vez mais protagonismo formas de guerra de informação. Bastante artesanais, inicialmente, mas cada vez mais agressivas e sofisticadas à medida que os agentes e protagonistas ganhavam experiência e aprendiam pelo método de “tentativa e erro”.

A guerra de informação é um clássico nas sociedades democráticas, habituadas à liberdade de imprensa e à liberdade política, com um estado de direito que funciona e opinião pública madura. A evolução destas sociedades para sociedades mediáticas deu novas dinâmicas à guerra de informação. A experiência e a vivência dessas sociedades (EUA, Inglaterra, França e outras, até a Itália) permitem-lhes conviver sem dramatismos com os episódios de guerra de informação. Não é o caso de Portugal.

Aqui, nós não temos o que para isso precisávamos e temos muita coisa que é incompatível com isso. Ou seja, não temos a experiência de séculos de liberdade, democracia e imprensa livre, tendo sido os nossos últimos séculos de poderes absolutos e ditaduras, inquisição e pide, familiares do santo ofício e bufos, censura e caça à inteligência, com alguns intervalos de guerras civis (século XIX) e tentativas revolucionárias, pouco felizes, de modernização a marcha forçada, como a da I República.

Esta nossa realidade, para além de condicionante, está ainda muito presente na cultura portuguesa actual  e não tem, obviamente, capacidade nem profundidade para conviver com guerras de informação. Pelo que estas  podem, fácil e rapidamente, evoluir para situações incontroláveis e o alastrar do seu fogo queimar inclusive os imprudentes aprendizes de feiticeiro que as lançaram…

Le général Philippe Rondot, en mai 2006, accompagné par des policiers avant d'être interrogé par les juges chargés du dossier Clearstream. As guerras de informação, por definição, instrumentalizam e usam à sua maneira meios e dispositivos das sociedades e dos estados democráticos: os media, a net, as polícias, os tribunais… Isso não é crime algum porque a instrumentalização é feita de formas legais, num xadrez de inteligência. Compete a esses meios e dispositivos não embarcarem… e não se deixarem  instrumentalizar. Veja-se, a este propósito, o que está a acontecer a um general da secreta francesa (Philippe Rondot) por, de forma inconsciente (digo eu…) se ter deixado embrulhar numa guerra de informação para destruir o então candidato presidencial Sarkozy… E veja-se também como alguns dos mais prestigiados juízes, que também se deixaram embrulhar, foram afastados e têm todo o seu futuro… no passado.

Hoje, a célula que criou essa guerra de informação está em tribunal, diante de outros juízes, acusada de falsificação de documentos, onde terão introduzido uma referência a Sarkozy (foram, neste particular, amadores ambiciosos e pouco inteligentes). E o próprio general, mestre-espião, está agora a explicar como é que, sendo quem é e com as funções que tinha, não percebeu a tempo… E, sobretudo, estude-se a mestria com que Sarkozy soube criar circuitos alternativos de informação e de “inteligência” e utilizar os media para fazer aí o contra-ataque que esvaziou a cabala política e judiciária que visava liquidá-lo.

Se polícias, juízes e media experientes ainda tombam (e tombam regularmente e todos os meses) em estratégias de guerra de informação, que dizer dos pobres e inexperientes portugueses?

Acresce que, em Portugal, há ainda um factor fabuloso para a vitória de uma bem pensada guerra de informação: o tempo judicial. Como entre o tempo mediático ou político ou profissional ou mesmo social, de um lado, e o tempo judicial, do outro, há uma enorme distância, que se conta em longos anos, o “alvo” da guerra já está “morto” muito antes de qualquer decisão judicial (que para o caso não interessa para nada), o objectivo da guerra foi atingido e o dinheiro, portanto, bem empregue.

Nota final: o clima de suspeição generalizada e a crispação políto-social estão a funcionar como caldo de cultura para desenvolver os velhos bacilos salazarentos e inquisitoriais. Voltamos perigosamente aquela prática do Santo Ofício em que a vítima, sob tortura, tinha de provar a falsidade das acusações que alguém sem nome lhe tinha feito. E que a vítima não sabia que acusações eram e nem quem o acusava de quê… Como desconhecia as acusações, não conseguia provar a sua inocência. Portanto, era culpado e… fogueira.

Saturday, 07 November 2009

TEMPO… ELES PRECISAM DE TEMPO

no “Conquilhas

 

“O CDS-PP precisa de tempo para entrar pelo eleitorado do PSD adentro; o PSD precisa de tempo para se encontrar; O BE precisa de tempo para preparar o segundo assalto ao eleitorado do PS; o PCP precisa de tempo para pôr os professores e a função pública na rua. E todos precisam de tempo para dificultar a governação, enquanto o governo precisa de tempo para governar.”

E nós, pergunto, que tempo temos? Teremos tempo para dar a este gente toda…?

Friday, 06 November 2009

OBAMA EM DIFICULDADES

NUM MUNDO EM MUDANÇA

Uma análise global da actual posição dos Estados Unidos de Obama, por George Friedman, da Stratfor. Polémica, claro, como qualquer análise que se preze e não se confunda com o repetir das banalidades mainstream. Interessantíssima, digo eu, e por isso aqui se regista:

Obama and the U.S. Strategy of Buying Time

Graphic for Geopolitical Intelligence Report

Making sense of U.S. President Barack Obama's strategy at this moment is difficult. Not only is it a work in progress, but the pending decisions he has to make -- on Iran, Afghanistan and Russia -- tend to obscure underlying strategy. It is easy to confuse inaction with a lack of strategy. Of course, there may well be a lack of strategic thinking, but that does not mean there is a lack of strategy.

Related Link

Strategy, as we have argued, is less a matter of choice than a matter of reality imposing itself on presidents. Former U.S. President George W. Bush, for example, rarely had a chance to make strategy. He was caught in a whirlwind after only nine months in office and spent the rest of his presidency responding to events, making choices from a menu of very bad options. Similarly, Obama came into office with a preset menu of limited choices. He seems to be fighting to create new choices, not liking what is on the menu. He may succeed. But it is important to understand the overwhelming forces that shape his choices and to understand the degree to which whatever he chooses is embedded in U.S. grand strategy, a strategy imposed by geopolitical reality.

Empires and Grand Strategy

American grand strategy, as we have argued, is essentially that of the British Empire, save at a global rather than a regional level. The British sought to protect their national security by encouraging Continental powers to engage in land-based conflict, thereby reducing resources available for building a navy. That guaranteed that Britain's core interest, the security of the homeland and sea-lane control, remained intact. Achieving this made the United Kingdom an economic power in the 19th century by sparing it the destruction of war and allowing it to control the patterns of international maritime trade.

On occasion, when the balance of power in Europe tilted toward one side or another, Britain intervened on the Continent with political influence where possible, direct aid when necessary or -- when all else failed -- the smallest possible direct military intervention. The United Kingdom's preferred strategy consisted of imposing a blockade -- e.g., economic sanctions -- allowing it to cause pain without incurring costs.

At the same time that it pursued this European policy, London was building a global empire. Here again, the British employed a balance-of-power strategy. In looking at the history of India or Africa during the 19th century, there is a consistent pattern of the United Kingdom forming alliances with factions, whether religious or ethnic groups, to create opportunities for domination. In the end, this was not substantially different from ancient Rome's grand strategy. Rome also ruled indirectly through much of its empire, controlling Mediterranean sea-lanes, but allying with local forces to govern; observing Roman strategy in Egypt is quite instructive in this regard.

Empires are not created by someone deciding one day to build one, or more precisely, lasting empires are not. They emerge over time through a series of decisions having nothing to do with empire building, and frequently at the hands of people far more concerned with domestic issues than foreign policy. Paradoxically, leaders who consciously set out to build empires usually fail. Hitler is a prime example. His failure was that rather than ally with forces in the Soviet Union, he wished to govern directly, something that flowed from his ambitions for direct rule. Particularly at the beginning, the Roman and British empires were far less ambitious and far less conscious of where they were headed. They were primarily taking care of domestic affairs. They became involved in foreign policy as needed, following a strategy of controlling the seas while maintaining substantial ground forces able to prevail anywhere -- but not everywhere at once -- and a powerful alliance system based on supporting the ambitions of local powers against other local powers.

On the whole, the United States has no interest in empire, and indeed is averse to imperial adventures. Those who might have had explicit inclinations in this direction are mostly out of government, crushed by experience in Iraq. Iraq came in two parts. In the first part, from 2003 to 2007, the U.S. vision was one of direct rule relying on American sea-lane control and overwhelming Iraq with well-supplied American troops.

The results were unsatisfactory. The United States found itself arrayed against all Iraqi factions and wound up in a multipart war in which its forces were merely one faction arrayed against others. The Petraeus strategy to escape this trap was less an innovation in counterinsurgency than a classic British-Roman approach. Rather than attempting direct control of Iraq, Petraeus sought to manipulate the internal balance of power, aligning with Sunni forces against Shiite forces, i.e., allying with the weaker party at that moment against the stronger. The strategy did not yield the outcome that some Bush strategists dreamed of, but it might (with an emphasis on might) yield a useful outcome: a precariously balanced Iraq dependent on the United States to preserve its internal balance of power and national sovereignty against Iran.

Many Americans, perhaps even most, regret the U.S. intervention in Iraq. And there are many, again perhaps most, who view broader U.S. entanglement in the world as harmful to American interests. Similar views were expressed by Roman republicans and English nationalists who felt that protecting the homeland by controlling the sea was the best policy, while letting the rest of the world go its own way. But the Romans and the British lost that option when they achieved the key to their own national security: enough power to protect the homeland. Outsiders inevitably came to see that power as offensive, even though originally its possessors intended it as defensive. Indeed, intent aside, the capability for offensive power was there. So frequently, Rome and Britain threatened the interests of foreign powers simply by being there. Inevitably, both Rome and Britain became the targets of Hannibals and Napoleons, and they were both drawn into the world regardless of their original desires. In short, enough power to be secure is enough power to threaten others. Therefore, that perfect moment of national security always turns offensive, as the power to protect the homeland threatens the security of other countries.

A Question of Size

There are Obama supporters and opponents who also dream of the perfect balance: security for the United States achieved by not interfering in the affairs of others. They see foreign entanglements not as providing homeland security, but as generating threats to it. They do not understand that what they want, American prosperity without international risks, is by definition impossible. The U.S. economy is roughly 25 percent of the world's economy. The American military controls the seas, not all at the same time, but anywhere it wishes at any given time. The United States also controls outer space. It is impossible for the United States not to intrude on the affairs of most countries in the world simply by virtue of its daily operations. The United States is an elephant that affects the world simply by being in the same room with it. The only way to not be an elephant is to shrink in size, and whether the United States would ever want this aside, decreasing power is harder to do than it might appear -- and much more painful.

Obama's challenge is managing U.S. power without decreasing its size and without imposing undue costs on it. This sounds like an attractive idea, but it ultimately won't work: The United States cannot be what it is without attracting hostile attention. For some of Obama's supporters, it is American behavior that generates hostility. Actually, it is America's presence -- its very size -- that intrudes on the world and generates hostility.

On the domestic front, the isolationist-internationalist divide in the United States has always been specious. Isolationists before World War II simply wanted to let the European balance of power manage itself. They wanted to buy time, but had no problem with intervening in China against Japan. The internationalists simply wanted to move from the first to the second stage, arguing that the first stage had failed. There was thus no argument in principle between them; there was simply a debate over how much time to give the process to see if it worked out. Both sides had the same strategy, but simply a different read of the moment. In retrospect, Franklin Roosevelt was right, but only because France collapsed in the face of the Nazi onslaught in a matter of weeks. That aside, the isolationist argument was quite rational.

Like that of Britain or Rome, U.S. grand strategy is driven by the sheer size of the national enterprise, a size achieved less through planning than by geography and history. Having arrived where it has, the United States has three layers to its strategy.

First, the United States must maintain the balance of power in various regions in the world. It does this by supporting a range of powers, usually the weaker against the stronger. Ideally, this balance of power maintains itself without American effort and yields relative stability. But stability is secondary to keeping local powers focused on each other rather than on the United States: Stability is a rhetorical device, not a goal. The real U.S. interest lies in weakening and undermining emergent powers so they don't ultimately rise to challenge American power. This is a strategy of nipping things in the bud.

Second, where emergent powers cannot be maintained through the regional balance of power, the United States has an interest in sharing the burden of containing it with other major powers. The United States will seek to use such coalitions either to intimidate the emerging power via economic power or, in extremis, via military power.

Third, where it is impossible to build a coalition to coerce emerging powers, the United States must decide either to live with the emerging power, forge an alliance with it, or attack it unilaterally.

Obama, as with any president, will first pursue the first layer of the strategy, using as little American power as possible and waiting as long as possible to see whether this works. The key here lies in not taking premature action that could prove more dangerous or costly than necessary. If that fails, his strategy is to create a coalition of powers to share the cost and risk. And only when that fails -- which is a function of time and politics -- will Obama turn to the third layer, which can range from simply living with the emerging power and making a suitable deal or crushing it militarily.

When al Qaeda attacked what it saw as the leading Christian power on Sept. 11, Bush found himself thrown into the third stage very rapidly. The second phase was illusory; sympathy aside, the quantity of military force allies could and would bring to bear was minimal. Even active allies like Britain and Australia couldn't bring decisive force to bear. Bush was forced into unilateralism not so much by the lack of will among allies as by their lack of power. His choice lay in creating chaos in the Islamic world and then forming alliances out of the debris, or trying to impose a direct solution through military force. He began with the second and shifted to the first.

Obama's Choices

Obama has more room to maneuver than Bush had. In the case of Iran, no regional solution is possible. Israel can only barely reach into the region, and while its air force might suffice to attack Iranian nuclear facilities, and air attacks might be sufficient to destroy them, Israel could not deal with the Iranian response of mining the Strait of Hormuz and/or destabilizing Iraq. The United States must absorb these blows.

Therefore, Obama has tried to build an anti-Iranian coalition to intimidate Tehran. Given the Russian and Chinese positions, this seems to have failed, and Iran has not been intimidated. That leaves Obama with two possible paths. One is the path followed by Nixon in China: ally with Iran against Russian influence, accepting it as a nuclear power and dealing with it through a combination of political alignment and deterrence. The second option is dealing with Iran militarily.

His choice thus lies between entente or war. He is bluffing war in hopes of getting what he wants, in the meantime hoping that internal events in Iran may evolve in a way suitable to U.S. interests or that Russian economic hardship evolves into increased Russian dependence on the United States such that Washington can extract Russian concessions on Iran. Given the state of Iran's nuclear development, which is still not near a weapon, Obama is using time to try to head off the third stage.

In Afghanistan, where Obama is already in the third stage and where he is being urged to go deeper in, he is searching for a way to return to the first stage, wherein an indigenous coalition emerges that neutralizes Afghanistan through its own internal dynamic. Hence, Washington is negotiating with the Taliban, trying to strengthen various factions in Afghanistan and not quite committing to more force. Winter is coming in Afghanistan, and that is the quiet time in that conflict. Obama is clearly buying time.

In that sense, Obama's foreign policy is neither as alien as his critics would argue nor as original as his supporters argue. He is adhering to the basic logic of American grand strategy, minimizing risks over time while seeking ways to impose low-cost solutions. It differs from Bush's policies primarily in that Bush had events forced on him and spent his presidency trying to regain the initiative.

The interesting point from where we sit is not only how deeply embedded Obama is in U.S. grand strategy, but how deeply drawn he is into the unintended imperial enterprise that has dominated American foreign policy since the 1930s -- an enterprise neither welcomed nor acknowledged by most Americans. Empires aren't planned, at least not successful empires, as Hitler and Napoleon learned to their regret. Empires happen as the result of the sheer reality of power. The elephant in the room cannot stop being an elephant, nor can the smaller animals ignore him. No matter how courteous the elephant, it is his power -- his capabilities -- not his intentions that matter.

Obama is now the elephant in the room. He has bought as much time as possible to make decisions, and he is being as amiable as possible to try to build as large a coalition as possible. But the coalition has neither the power nor appetite for the risks involved, so Obama will have to decide whether to live with Iran, form an alliance with Iran or go to war with Iran. In Afghanistan, he must decide whether he can recreate the balance of power by staying longer and whether this will be more effective by sending more troops, or whether it is time to begin withdrawal. In both cases, he can use the art of the bluff to shape the behavior of others, maybe.

He came into the presidency promising to be more amiable than Bush, something not difficult given the circumstances. He is now trying to convert amiability into a coalition, a much harder thing to do. In the end, he will have to make hard decisions. In American foreign policy, however, the ideal strategy is always to buy time so as to let the bribes, bluffs and threats do their work. Obama himself probably doesn't know what he will do; that will depend on circumstances. Letting events flow until they can no longer be tolerated is the essence of American grand strategy, a path Obama is following faithfully.

It should always be remembered that this long-standing American policy has frequently culminated in war, as with Wilson, Roosevelt, Truman, Johnson and Bush. It was Clinton's watchful waiting to see how things played out, after all, that allowed al Qaeda the time to build and strike. But this is not a criticism of Clinton -- U.S. strategy is to trade time for risk. Over time, the risk might lead to war anyway, but then again, it might not. If war does come, American power is still decisive, if not in creating peace, then certainly in wreaking havoc upon rising powers. And that is the foundation of empire.

This report may be forwarded or republished on your website with attribution to www.stratfor.com 

Tuesday, 03 November 2009

0BAMA JOGA E… PERDE ?

 

Uma análise interessantíssima de François-Bernard Huyghe sobre o jogo de Obama no triângulo Iraque-Afeganistão-Paquistão e as hesitações do presidente face ao desenrolar do jogo. Ou como Obama descobre que o mundo não é bem aquilo que ele pensava e se arrisca a perder a aposta. Sobretudo se continuar a hesitar… Como diz Huyghe, isto não é coisa para alegrar ninguém mas Obama tem de se decidir e não lhe é fácil. Nada fácil, mesmo.

 

«  Irak, Afghanistan, Pakistan

Le jeu perdant d'Obama ?

Quelques jours après avoir reçu un prix Nobel davantage destiné à récompenser des espérances suscitées que des performances réalisées, Obama se trouve confronté à une série d'attentats en Irak, Afghanisatan et au Pakistan - pas forcément planifiés par une unique intelligence diabolique - mais dont la convergence menace tout un pan de sa politique étrangère. Le crédit qu'il s'était acquis en apparaissant comme l'anti-Bush et par des proclamation sur le multilatéralisme risque de s'épuiser vite, et plus vite aux USA qu'en Europe.

Pour caricaturer la politique étrangère d'Obama dans la région elle consistait, si nous avons bien compris, en un coup de b
illard en trois bandes :

- en Irak profiter des relatifs succès du général Petraeus contre les jihadistes étrangers et des accords passés par l'administration précédente, "décrocher" au maximum en repassant la charge de la guerre aux autorités locales, croiser les doigts en espérant que milices chiites, sunnites et les Kurdes ne s'affronteraient pas trop vite. Souhaiter bonne chance à al Maliki et passer ailleurs

- en Afghanistan, faire un effort  intense de contre-insurrection pour arrêter la progression des talibans, remporter des premiers succès sur le terrain pour négocier avec certaines tribus,
acheter plus ou moins des ralliements, trouver des talibans modérés avec qui conclure des accords et renforcer un gouvernement local crédible. Ce qui supposait, outre le problème purement militaire sur le terrain (gagner dans des montagnes où l'Empire Britannique et l'Empire Soviétique ont échoué), un effort considérable - financier et en nombre de soldats -difficile à supporter pour l'opinion US, plus l'appui des alliés membres de l'Otan, plus un pouvoir local dont l'isolement et la corruption ne choquent pas trop l'opinion internationale.

- au Pakistan un soutien en tenailles des alliés menant une offensive contre les régions tenues par les talibans avec un
énorme soutien logistique US. Essayer de régler en une fois le problème taliban aghan et pakistanais, en le séparant de celui de la mouvance jihadiste internationale, dont les experts discutent la dangerosité actuelle.

Il est possible que cette politique ait été la seule vraisemblable ou la seule imaginable, mais elle subit déjà de sérieux revers.

Il est encore trop tôt pour juger de l'efficacité de l'offensive de l'armée pakistanaise, il n'est pas difficile de discerner quelques signaux inquiétants pour cette politique :

- aux USA où il semble qu'Obama soit effaré par "l'addition" que lui présente le général Mc Chrystal : 44.000 soldats supplémentaires et
hésite encore à rechercher des solutions alternatives.  Selon leNew York Times, les statèges US en seraient réduits à envisager un politique de "protection de dix centres de population" (laissant peu ou prou le reste du pays aux talibans ?), ce qui n'est pas exactement montrer un moral de vainqueur.

- en Europe où les alliés de l'Amérique ne se précipitent pas pour lui proposer d'envoyer de nouveaux contingents dans une guerre impopulaire ; c'est le moins que l'on puisse dire

- en Afghanistan où les tensions entre Karzaï et l'allié américain s'accroissent et où le fiasco des élections truquées (quelques semaines après l'indignation internationale contre Ahmaninedjad) va obliger à un nouveau partage du pouvoir après organisation d'un deuxième tour un peu cosmétisé qui ne convaincra pas grand monde

- en Irak où la tenue des futures élections de Janvier et les ambitions des kurdes autour de la région pétrolière de
Kirkouk et leur opposition croissante constituent deux bombes à retardement, entre autres.

Dans ces conditions, difficile de faire pire que les récents attentats :

- ceux de Bagdad, le 25 octobre, font près de 150 morts, démontrent la capacité des insurgés à frapper près de la fameuse zone verte et cassent l'image que veut donner le premier ministre al Maliki : un pays sur la voie de la paix et de la démocratie, prenant calmement le relais de l'allié américain. Petit exemple :
soixante membres des services de sécurité irakiens ont été arrêtés après les attentats de dimanche : qu'ils soient complices ou lampistes, ce n'est pas l'indice d'un État fort et fiable que d'avoir ce genre de réactions.

- celui de Kaboul où 62 personnes ont été tuées ces deux derniers mois et qui suit la perte du huit soldats américains, adresse un message fort à l'opinion internationale. Il s'agit peut-être moins de "troubler le processus démocratique de l'élection présidentielle" (comme l'écrivent les mêmes médias qui s'étaient félicités de l'échec des talibans à empêcher ledit processus lors du premier tour "pour rien" de la même élection) que de prolonger par des actions symboliques dans la capitale des succès militaires remportés dans les provinces. Dans tous les cas, ce genre d'actions qui touche des Occidentaux n'encourage pas les opinons publiques à soutenir l'envoi de nouveaux soldats dans un conflit dont elles ne comprennent plus la finalité.

- celui de Peshawar peut-être
un peu vite attribué à Al Qaïda et ses alliés- sans doute cent morts pour terminer un mois d'octobre où les bombes en ont fait 240- . Ces massacres ont un impact évident coïncidant avec l'offensive de l'armée au Waziristan du Sud et avec la visite d'Hillary Clinton. Cette dernière peut déclarer que les responsables sont des "nihilistes" qui sont "du côté des perdants de l'Histoire, elle peinera à convaincre.

Pas particulièrement aidé par ses rapports avec ses alliés locaux (ni avec ses alliés tout court), pas au meilleur de sa forme dans ses relations avec l'opinion et les médias dans une période où ne manquent pas les problèmes itntérieurs et ne donnant pas de signes aveuglant de résolution, Obama aborde mal une partie incroyablement complexe. Personne ne songerait à s'en réjouir, mais il va peut-être falloir réviser le brillant plan en trois parties.








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