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Competitive Intelligence & Perceptions Management
num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Wednesday, 29 July 2009

A COMUNICAÇÃO MUITO GALINÁCEA

DOS NOSSOS QUERIDOS LÍDERES...

 

A Comunicação Política (“cp”), neste tempo de vésperas eleitorais, é pobre, simples de espírito e, nalguns casos, asneirenta e miserável. Governo, Presidente e Oposição partilham esta singeleza de espírito, esta pouca exigência às suas “cp”. Vivem ainda numa espécie de idade galinácea, a de quem “põe”... notícias nos media. Tenho observado a realidade da “comunicação política” (e sua evolução no tempo) dos nossos líderes políticos (Governo, Presidente, Oposição) e tenho esperado para ver que é dito sobre a matéria. E nada. Quer dizer, algumas indignações morais e mesmo murais, outras trapalhadas (como aquela de não percebido – mas a matemática é tão mal ensinada! – que Sócrates até tinha razão quando disse, embora tenha comunicado mal, que em democracia ninguém fizera melhor que ele face ao défice...). Como tudo tem um limite, por maior que seja a paciência, fartei-me. Fartei-me de esperar e fartei-me da “cp” dos nossos queridos líderes.

 

Vejamos, então:

 

Governo – uma comunicação desadequada e totalmente ‘decalée’. Em linguagem musical, dir-se-ia que é uma coisa sem “tempo”. E que tem andado sempre fora de tom. E com um atraso notável à vista desarmada e que qualquer ouvido nota. Além disso, não soube antecipar os ataques de que Sócrates tem sido vítima. Foi aí reactiva, sempre reactiva. E mal. Nem depois de ver de onde os tiros vêm, soube passar à contra-ofensiva. Nem soube (e é facílimo) explicar a relativa fortuna pessoal do cidadão José Sócrates. Coisa não só facílima como ainda uma matéria tão fascinante que até se pode tornar um enredo de telenovela pois é uma fabulosa saga familiar com todos os ingredientes necessários.

 

Presidente – se a do Governo é curta e reactiva, a do Presidente é asneirenta. Bem pior que a de Sócrates. Se esta não sabe tratar os assuntos e é reactiva (e ainda aí mal), a comunicação presidencial ao querer ser “modernaça” abre brechas e fornece pontos de ataque. Senão vejamos algumas fragilidades desnecessárias criadas por uma comunicação tonta e pouco, muito pouco, informada. Caso do aniversário presidencial: a “fotografia de família” era a coisa a evitar absolutamente. A partir de agora qualquer investigação jornalística a membros da “família” implica o Presidente. E foi ele que meteu tudo isto ao barulho. A “música” de Luís Montez, por exemplo, não era necessária na agenda presidencial e, manda a mais elementar prudência, que devia ser contornada e evitada. Já a meteram… Cavaco, se daí vierem notas fora de tom, não poderá queixar-se. Foi a sua “cp” que abriu a porta e criou a oportunidade para o ataque.

 

Caso Dias Loureiro/BPN/SLN: o PR fez, nessa qualidade, várias comunicações oficiais sobre a matéria e até assumiu que confiava no “conselheiro de Estado”, numa altura em que já era o único a ter certezas dessas. Fez à volta das suas relações com o BPN e a SLN uma comunicação confusa, “barulhenta”, obscura e negacionista… Para, finalmente, ter de admitir que tanto ele como a filha tinham comprado acções a preços fixados arbitrariamente por Oliveira e Costa e vendido as ditas acções, meses depois, da mesmíssima forma. E ganho muito dinheiro. Ora, não havia necessidade…

 

Quando toda a Lisboa falava da relação pessoal e dos almoços semanais entre Cavaco e Oliveira e Costa, o Presidente veio “esclarecer” que nunca desempenhara cargos no BPN/SLN… Enfim, uma lamentável confusão com o PR a levantar poeira que lhe aterrou em cima. Ao chamar a atenção para as suas relações com o universo BPN e seus protagonistas (Dias Loureiro, Oliveira e Costa, etc.), a tonta comunicação presidencial induz logo o “jornalismo de investigação” a querer saber dos negócios de Luís Montez, da vizinhança da casa de praia de Cavaco, da venda da vivenda Mariani… Ora, mais uma vez não havia necessidade!

 

Se um “agente infiltrado” na equipa do PR tivesse a missão de destruir a sua imagem de seriedade (agora, tendencialmente reduzida a um “pois, ele é tão sério que nunca se ri”) não teria feito melhor que estes pretensos “spindoctors” que assim o arrastam. Depois de terem aberto estas brechas, aviso eu, em termos de perceptions management tudo, mas mesmo tudo, pode por lá passar… E, assim, temos uma frágil e ameaçada imagem presidencial.

 

Oposição – a “verdade” de Leite é o maior disparate de que a sua comunicação se podia ter lembrado. Senão pense-se bem. A líder da oposição (numa sociedade ainda muito de cultura rural e pouco dada a modernices) tem uma opaca vida afectiva… Qual é a “verdade” sobre a vida de Manuela? Quem era o ex-marido de que ela ainda usa o “Leite”? E tem namorados? Quem é o namorado e que decisões políticas essa relação já a “obrigou” a tomar? Nada disto é verdade? Mas qual é a “verdade”? Nesta matéria e noutras.

 

Na relação com o Sporting do seu irmão Dias Ferreira? E este tem negócios? Com quem? E como é que esses “negócios” se relacionam com Manuela Ferreira Leite? Não há, não se relacionam, ela até é Estoril Praia e não do Sporting… Bom, qualquer um pode crer mas também querer e até exigir a “verdade”!

 

A “verdade” sobre impostos, heranças, impostos sucessórios, saber o que tem em comum com o irmão… Podem dizer que “por aí não há nada”. OK. Mas, a verdade é que a realidade importa pouco, as percepções é que são críticas! E a “cp” de MFL abriu – escancarou, mesmo – as portas a uma exigência de verdade que ainda só não trucidou MFL porque, como vimos a comunicação de Sócrates é, pelo menos, singela e “naive”, com um espírito muito... simples.

 

Síntese: se, para além do borbulhar do quotidiano, estas “comunicações” revelam alguma coisa, isso é o seu carácter amador, inconsistente e até patético. O que diz muito sobre a “qualidade” e as fracas exigências dos seus “clientes”, os nossos queridos dirigentes. Talvez um dia, eles ainda venham a perceber a base sobre a qual a "cp" tem de evoluir: isso da "realidade" agora não interessa nada, as percepções é que são críticas! Isto é a base de partida para uma gestão séria e eficaz. A gestão é assunto de especialistas e nunca dos curiosos e talentosos amadores que "põem" notícias.

 

P.S.: Sócrates é rico, pelo menos, desde a morte do seu avô materno, mas cheira-me que, se não formar governo e ficar com tempo, para o ano ele vai ganhar imenso dinheiro. Imenso. E, de mão beijada, em indemnizações. Vai ficar muito mais rico! Por isso me parece que os “top management” de algumas televisões e de outros media ainda vão pôr velas à Nossa Senhora e a todos os santos das suas devoções para que Sócrates ganhe as eleições, seja primeiro-ministro e não tenha tempo nem disponibilidade para se ocupar deles… Veremos se têm sorte e se há milagres.

Tuesday, 28 July 2009

Um governo de iniciativa presidencial

 

in Jumento

 

“Nunca como agora existiram condições para um governo de maioria presidencial no caso de as legislativas não derem lugar a um governo com maioria absoluta. À esquerda e à direita do PS todos estão de acordo em levar Manuela Ferreira Leite a São Bento e há muito que esse desejo deixou de ser secreto para os lados do Palácio de Belém.

 

“Nunca como agora a esquerda conservadora esteve tão de acordo com os grupos corporativos, da mesma forma que nunca a direita afirmou de forma tão clara o acordo com as suas exigências. Mário Nogueira recebe o PSD, o Presidente da República recebe o senhor Palma, a CNA reveza-se com a CAP nas manifestações, todos estão unidos na preservação do Portugal anterior à globalização, do Portugal onde os pobres eram felizes.

 

“Se considerarmos o que se passou nos últimos dois anos em Portugal poderemos imaginar o governo que seria do agrado de todos, do Paulo ao Miguel Portas, de Louçã a Ferreira Leite, de Cavaco Silva ao Mário Nogueira. Aqui fica a sugestão.

 

Ministério das Finanças: idolatrado pelos seus vastos estudos de economia Louçã seria o ministro ideal, até porque durante a legislatura encontrou soluções para tudo, melhor do que ele só mesmo Jesus Cristo por causa do seu milagre dos pães. Sempre que se identifica um problema Louçã dá a solução, se há desemprego dão-se subsídios, desde os que ficaram desempregados aos que querem trabalhar. Se há falta de receitas fiscais o combate à evasão resolve tudo, se há lucros estes devem ser tributados até se transformarem em prejuízos. Louçã não só deveria ser o ministro das Finanças como o ministério deveria passar a designar-se por tipografia do Terreiro do Paço, em vez de decretos o ministro produziria notas de encomendas de notas de banco.

 

Para assegurar a paz na escola pública e a felicidade de todos os funcionários que nelas trabalhem Mário Nogueira deveria ser o escolhido para ministro. Com ele Portugal conseguiria o melhor ensino da Europa graças à felicidade e pleno emprego dos professores do Estado.

 

O senhor Palma daria um excelente ministro da justiça, até porque graças às excelentes relações com o Presidente da República seria fundamental para a colaboração estratégica entre Belém e São Bento, num domínio fundamental para a estabilidade do regime. O caso Freeport seria finalmente investigado com os recursos adequados, mesmo que o caso BPN, uma coisa de menor importância, ficasse para as calendas gregas.

 

Para as Obras Públicas a escola obrigatória seria de Pedro Santana Lopes, com ele o TGV e o novo aeroporto eram esquecidos e no lugar destes projectos os portugueses poderiam viajar de túnel entre Portimão e Casablanca ou entre Viana de Castelo e Londres.

 

O Bernardino Soares daria um excelente ministro dos Negócios Estrangeiros, as Farc passariam a contar com uma delegação permanente em Lisboa, Portugal tornar-se-ia um parceiro estratégico da Coreia do Norte e retiraria os exércitos portugueses do Afeganistão, enviando-os para as Ilhas Selvagens onde os espanhóis têm vindo a fazer voos rasantes sobre as focas.

 

Portugal seria feliz e, com gripe ou sem gripe, Manuela Ferreira Leite seria a escolha óbvia de Cavaco Silva para primeira-ministra.”

 

in Jumento

Ver claro

25 Julho 2009

 

A CIA quis manter secreta a morte do filho de Bin Laden, no início deste ano, no Paquistão. Os talibans paquistaneses confirmam que "perdemos alguns (...) 

 

Continuar a ler na Coluna do Correio da Manhã

Thursday, 23 July 2009

Oliveira e Costa já saiu da prisão

 

Madofffilesclaro.jpg picture by claromotime

Depois do seu show na assembleia desta República e da posição do Ministério Público,
Oliveira e Costa já saiu da prisão... Obviamente! Então o homem podia lá estar preso, depois da sinopse de telenovela que simpaticamente apresentou na AR!? Com a sinopse caiu logo, no dia seguinte, Dias Loureiro... Agora, imagine-se que havia “cenas dos próximos capítulos”! Ainda caía o Carmo e a... Trindade! Teias e malhas que o complexo neo-corporativo e salazarento vai tecendo...

QUEM CRIOU E DESENVOLVEU

O MONSTRO QUE NOS AMEAÇA?

 

É um gozo ver como o rigor e alguma ingenuidade da ciência podem escaqueirar, sem em tal ter pensado, uma artificial mas sofisticada construção ideológica... Uma mentira infinitamente repetida qu estava à beira de se tornar uma verdade comezinha. No blog da SEDES:

Monstro.jpg picture by claromotime 

 

Afinal, quem anda a alimentar o monstro?

 

Publicado por Ricardo Reis a 3:59 em Economia, Finanças Públicas, Pensamento Político, Política Nacional

 

Na minha coluna deste próximo Sábado no i discuto o caminho previsível da despesa pública (carinhosamente apelidada “o monstro” por Cavaco Silva) no seguimento do défice nas contas públicas.

 

Para escrever a coluna consultei um dado simples para medir o tamanho do monstro: o rácio dos gastos do Estado em consumo público em relação ao PIB. Reuni dados desde o início de 1986 e calculei a taxa anual de crescimento do monstro durante 4 períodos: os governos de Cavaco, Guterres, Durão-Santana, e Sócrates. O que descobri, sinceramente, surpreendeu-me.

 

O período de maior crescimento do monstro foram os anos em que o PSD estava no poder, com Durão Barroso e Santana Lopes: 0,350,61% por ano. Segue-se Cavaco (0,35%), e só depois Guterres (0,20%) e por fim Sócrates (0,11%). Quer dizer, o grande alimentador do monstro é o PSD, que supostamente é o partido mais à direita e fiscalmente mais responsável em Portugal. E o inventor do termo, numa crítica à governação de Guterres, afinal alimentou mais o monstro do que qualquer governo PS.

 

O que explica isto em Portugal? Não conheço bem a realidade política no país; pode-me alguém explicar afinal qual é o partido que defende e pratica o corte no tamanho do Estado? Ou estou a perceber mal as divisões políticas, e afinal a diferença entre as preferências dos partidos está na composição da despesa e não no seu tamanho?

 

(Nos EUA nos últimos 25 anos, a despesa pública durante Clinton foi em média semelhante à durante Reagan e os dois Bush. Por isso, hoje em dia a maioria dos politólogos não distinguem os dois partidos em termos do tamanho do Estado, mas antes na composição da despesa, mais militar no caso dos republicanos e mais no Estado-Providência no caso dos democratas. Isto parece estar rapidamente mudar com o plano de Obama de aumentar o Estado no sector da saúde.)

 

Uma nota final: Não é minha intenção entrar no debate político de quem é melhor ou pior, mais sério, ou menos determinado. Coloco esta questão, neste espaço de debate, apenas para tentar perceber este facto importante da economia política em Portugal nos últimos 20 anos.

 

9 Comentários para “Afinal, quem anda a alimentar o monstro?”

 

  1. # LA-Ca 23 Jul 2009 as 7:38

“Sabemos que os partidos de direita dão menos importância que os de esquerda aos bens e serviços públicos. Dado que é eleitoralmente perigoso acabar com certos serviços públicos (como escolas e maternidades), um cínico dirá que os partidos de direita, quando no poder, acumularão défices orçamentais. Assim, quando a situação se tornar insustentável, o Estado terá de reduzir a oferta de serviços públicos. Já um governo de esquerda, se valoriza os serviços públicos, não pode permitir que as contas públicas entrem em descalabro. Ou seja, será de esperar que os governos de direita acumulem défices e que os partidos de esquerda se vejam obrigados a corrigi-los. Estará esta predição correcta?

Em Portugal, a experiência diz-nos que sim, afinal todos os governos socialistas (à excepção do de Guterres) foram obrigados a “meter o socialismo na gaveta”, adoptando políticas restritivas para corrigir os défices que vinham dos governos do PSD. Song, Storesletten e Zilibotti (professores de Economia) estudaram os dados para os países da OCDE. As conclusões são claras: em regra, quando estão governos de direita no poder, os défices orçamentais aumentam e a dívida pública acumula-se.”

Retirado daqui: http://aguiarconraria.blogsome.com/2007/07/20/o-cinismo-da-ciencia-economica/

 

  1. # causavossaa 23 Jul 2009 as 8:19

Caro Ricardo Reis

Possivelmente depois de ter saído deste cantinho à beira mar plantado que perdeu as referências a este mix potentado de país. Aqui as singulariedades têm-se desdobrado diariamente e o Estado já não é o farol dos posicionamentos, antes o farol dos maus comportamentos.
Há ainda alguns que pensam que as elites são o farol e o caminho. Para mim que recebi uma gargalhada sonora e um olhar de piedade Imperial de um ex-secretário de Estado, bom vivant, a um meu comentário naif de «é difícil ganhar-se dinheiro em Portugal a trabalhar» o farol tem servido apenas de lanterna na procura dos escolhos onde se lapam os comendadores Acácio com o rabo de fora.
Afinal caro Ricardo Reis não se canse a tentar perceber e faça como Fernando Pessoa: evite a Presença neste 5º Império mal frequentado!

 

  1. # Ricardo Reisa 23 Jul 2009 as 12:34

Caro LA-C,

Repare que essa teoria “esfomear o monstro” preve que os governo de direita tenham um *defice* alto, mas uma despesa publica constante ou mais baixa, com o intuito de reduzir a *despesa* do governo futuro. O facto que apontei neste post, foi que a despesa *sobe* quando o partido supostamente de direita esta’ no poder. Nao e’ esta a previsao das teorias cinicas que voce aponta. (Mais sobre esfomear o monstro na minha coluna de Sabado no i.)

 

  1. # LA-Ca 23 Jul 2009 as 14:10

De acordo, o meu texto não era tanto sobre a despesa mas sim sobre o défice.

 

  1. # Paulo Lobatoa 23 Jul 2009 as 17:53

Estimado prof. Ricardo Reis

Para que não cheguemos a conclusões erradas, e para bem do debate público, solicitava-lhe que nos revelasse a sua opinião acerca destes rácios.
Isto é, seria possível qualificar estes rácios em função do tempo e das circunstâncias a que se reportam?

Cumprimentos

 

  1. # Ricardo Reisa 23 Jul 2009 as 19:05

Caro Sr. Lobato,
Sinceramente nao tenho opiniao, para alem da minha curiosidade como cientista social interessado em economia politica. Acho que e’ um facto estimulante.

O meu contexto pessoal e’ o livro “Political Cycles and the Macroeconomy” de Alesina, Roubini and Cohen que tem uma serie de factos semelhantes sobre os partidos republicano e democrata nos EUA, e parte dai para construir varias teorias sobre como as eleicoes e a alternancia de partidos no poder afecta o ciclo de negocios.


Ja’ quanto ao contexto em que o facto acima ocorre em Portugal, estava ‘a espera que alguns leitores me explicassem. Nao sei o que e’ que os governos destes 5 primeiro-ministros tiveram de especial, ou que circunstancias extraordinarias enfrentaram.

 

  1. # Maria Teresa Monicaa 23 Jul 2009 as 19:44

Não há nenhum partido político em Portugal que defenda menos Estado, embora o CDS afirme o contrário. Veja-se o que aconteceu quando governou recentemente em coligação com o PSD.


Não deixa de ser irónica a sua constatação quanto à despesa pública efectuada por Cavaco Silva. Eu nunca tive dúvidas de que ele é social-democrata. E, enquanto funcionária pública, lembro-me que ele, quando Primeiro Ministro, foi generoso com a administração pública.


Daí nunca ter percebido bem o que o actual Presidente da República queria dizer com aquele artigo acerca do monstro.

 

  1. # José António Girãoa 23 Jul 2009 as 21:45

Caro Ricardo Reis:

Pessoalmente estou de acordo com a afirmação da Teresa Mónica: Em Portugal nenhum partido político defende menos Estado. Alguns (todos?)preferem dizer melhor Estado, assim contemplando o facto de grande parte da população viver encostada e “à conta” do mesmo: e não são só os funcionários das administrações públicas, mas também os fornecedores, gabinetes de estudos, consultoria, etc. para não falar dos que dependem dele em termos de várias formas de subsídios ( embora nem todos sejam consumo público). Esta dependência do Estado num País pequeno e pobre explica muito da dificuldade em ver os partidos a propor medidas concretas para redução da despesa, embora por vezes alguns falem dessa necessidade.

 

Acresce que o período dos governos de Cavaco Silva coincidiu não só com a entrada de Portugal na UE ( e correspondente acesso aos fundos comunitários) , após o longo período de “vacas magras” imposto pelo FMI,na sequência da revolução de Abril, como a uma visão, que se revelou ingénua, de que muitos dos problemas poderiam ser resolvidos basicamente com mais recursos: reformas nas carreiras dos funcionários públicos (incluindo professores) e mais dinheiro para vários sectores (justiça, ensino, etc). Em resumo, e na minha interpretação (enquanto ausente do País nesse período) havia dinheiro e um certo optimismo de que as medidas pudessem resultar.


Posteriormente, e pelo menos a partir do início deste século, já ninguém pode, com credibilidade, pretender resolver os problemas do País “aumentando o monstro”. Mas, para já, não se vê nenhum responsável político a dizer como “emagrecer o monstro”.

 

  1. # Maria Teresa Monicaa 23 Jul 2009 as 22:18

Tanto quanto percebi, Ricardo Reis vive nos EUA e não deve estar a par das movimentações político-partidárias na blogosfera portuguesa.

Assim sendo, gostava de lhe comunicar que, tendo dado uma vista de olhos agora pelos blogues socialistas e alguns apoiantes explicitamente do governo de José Sócrates, estes estão eufóricos com o seu post, que está a ser amplamente divulgado.

 

Forneceu assim “artilharia” pesada contra a candidata a primeira-ministra pelo PSD, cavaquista de sempre, numa altura de campanha eleitoral. Suponho que essa não era a sua ideia, pois advertiu que não está nada familiarizado com os meandros da política portuguesa. Mas a sua ignorância acerca das “lutas caseiras” não é mencionada nos blogues socialistas.

 

Relativamente ao post de José António Girão, gostaria de acrescentar que após a revolução do 25 de Abril, só me lembro de haver alguma folga no dito “monstro” quando, após o difícil período revolucionário e estabilização democrática, e da difícil luta travada por Mário Soares e Hernâni Lopes, no governo de bloco central, Cavaco Silva cativou o eleitorado insurgindo-se contra esta aliança contra-natura e com uma auto-proclamada gestão de tipo tecnocrata, que geriu como soube os abundantes fundos comunitários. Foi um bodo não tanto aos pobres mas para alguns que perceberam como aproveitar para as mais diversas extravagâncias.

Se exceptuarmos Salazar, desde pelo menos há 200 anos que os portugueses se queixam do “monstro” e tentam lidar com ele. Será agora que se conseguirá ultrapassar o dilema? Duvido muito. 

Wednesday, 22 July 2009

 

INTELIGÊNCIA

ECONÓMICA E

ESTRATÉGICA

 

IES.jpg picture by claromotimePara conhecimento dos interessados, retomam-se aqui os últimos e muito interessantes posts, sobre Inteligência Económica e Estratégica, do “blog de l’intelligence économique”. Boa leitura...

 

Actifs immatériels et systèmes d’information
Jean-François Pépin - [29/05/2009]

La valorisation et le pilotage des actifs immatériels dans un contexte de crise est un sujet auquel l’intelligence économique s’intéresse. Au cours des cinq dernières années, en effet, la question du pilotage des actifs immatériels (systèmes d’information, recherche, publicité, formation…) est apparue comme centrale au sein des entreprises et des organisations : ces actifs constituent désormais plus de 50% de l’investissement total dans les économies complexes (...)

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L’assurance qualité : antidote à l’effet Gigo!
Jean-Luc Hannequin - [02/06/2009]

Si savoir pour comprendre et comprendre pour agir intelligemment dans l’environnement économique est bien la raison d’être de l’intelligence économique et de ses pratiques, il est crucial que la matière première utilisée, l’information elle-même possède les attributs pour sensibiliser, interpeller, éclairer…les lecteurs.

Les approximations, les à peu près, les réductions et déformations diffusés ces derniers jours sur les médias, à propos de sujets (...)

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Réalisme à l’Université
Robert Guillaumot - [29/06/2009]

Une compétition inter-écoles/inter-entreprise sur les mécanismes d’orchestration d’une rumeur et les actions efficaces pour la contrer. ou comment inciter les étudiants à réfléchir et préconiser des manière réaliste... Oui, cela est possible ! La preuve en a été fournie le mois dernier avec la remise du trophée Sun Tzu. De quoi s’agit-il ? Le trophée Sun Tzu est un championnat inter-écoles/inter-entreprise dont le but est de connaître les mécanismes d’orchestration (...)

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L’avenir de l’intelligence économique : communication et éthique
Nicolas Moinet - [21/07/2009]

Alors que la technologie accroît exponentiellement le volume et la disponibilité des données, il n’en est pas de même de notre capacité d’attention. Et c’est souvent même le contraire qui se produit : le déluge informationnel, ("l’infobésité") font de nombre de décideurs les victimes du "syndrome du déficit d’attention" : L’information non pertinente n’est pas simplement inutile. Elle est fondamentalement pénalisante parce qu’elle gaspille le (...)

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Pour une nouvelle culture générale de la mondialisation...
Jean-François Fiorina - [01/07/2009]

Notre monde est devenu un écosystème de plus en plus complexe et globalisé, où chaque pays et chaque marché, est à la fois un cas particulier et la composante d’un ensemble plus large...

Dans ce contexte, il est essentiel que nos étudiants futurs managers prennent la mesure de cet enjeu et bénéficient d’enseignements adaptés en géopolitique. Pas forcément dans sa définition officielle, synonyme de géostratégie militaire et de géographie politique, mais plus largement comme la culture (...)

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L’Intelligence Economique va loger rue de l’Elysée, auprès de Nicolas Sarkozy.
Nicolas Arpagian - [12/06/2009]

Après l’officialisation fin mai 2009 du départ d’Alain Juillet de son poste de Haut Responsable à l’Intelligence Economique (HRIE), de nombreuses hypothèses ont été évoquées dans la presse pour décrire le dispositif de remplacement chargé de traiter ces sujets sensibles.

In fine, c’est bien le Coordonnateur National du Renseignement, logé rue de l’Elysée, qui devrait récupérer très prochainement cette compétence. Et non Bercy. En effet, placer cette fonction (...)

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Définir l'intelligence économique

Rappel de quelques notions


E Ainda, de François-Bernard Huyghe,
RAPPEL DE QUELQUES NOTIONS (extraites

du glossaire de "Maîtres du faire croire"

Information : concept qui pose plus de problème qu’il n’en résout puisqu’il recouvre à la fois des données qui se stockent quelque par sur un support ou se transportent, des « nouvelles » (des récits ou descriptions de la réalité qui sont nouveaux et surprenants à un degré ou à un autre pour le destinataire), des messages qui sont délivrés par moyen de communication à travers l’espace et de transmission à travers le temps, et enfin des informations devenues des connaissances dans le cerveau de quelqu’un, contextualisées, reliées à d’autres informations, faisant sens…, donc un vrai savoir. Voire même des programmes, des signes qui "commandent", comme dans un algorithme ou dans notre ADN, qui ne sont, après tout "que" de l'information.
Infostratégie : l’étude des conflits (modalités, occurrences, motivations et finalités) liés aux systèmes de transmission et communication dans la société dite de l’information. Le champ de l’infostratégie peut se définir comme l’étude des invariants et des changements régissant les rapports entre conflit et information
Intelligence collective : le terme s’interprète à deux niveaux. Tout d’abord : les communautés virtuelles ou des groupes voués à la solution de tâches en commun ou à la maîtrise de connaissances peuvent progresser par des pratiques d’intelligence collective facilitées par des technologies en réseau. À un niveau plus général, l’intelligence collective se confond quasiment avec la dimension culturelle de la condition humaine ; certains parlent du développement de l’intelligence collective, notamment grâce aux TIC, comme d’un idéal historique.
Intelligence compétitive : Techniques de gestion des sources ouvertes d’information pour s’assurer un avantage par rapport à la concurrence en intelligence économique
Intelligence économique : Ensemble des actions coordonnées de recherche, de traitement, de distribution et de protection de l’information utile aux acteurs économiques et obtenue légalement (Commissariat général du plan). Trois fonctions majeures la caractérisent : la maîtrise du patrimoine scientifique et technologique, la détection des menaces et des opportunités (notamment par la veille et la recherche de l'information), l’élaboration de stratégies d’influence au service de l’intérêt national et-ou de l’entreprise.
Intelligence stratégique : ensemble des méthodes destinées à éclairer la réalité (mieux connaître les dangers et opportunités de la configuration en cours) et découvrir les projets et les ressources des acteurs dans une situation de compétition ou de conflit . Elle dépasse la simple veille chère à l’intelligence économique ou le « renseignement » aux connotations sulfureuses (espionnage, surveillance électroniques…). Elle suppose le traitement des informations pour en faire des facteurs de décision, comme le recours à l’influence pour changer le rapport de force et peut être politique, militaire, diplomatique… On peut considérer l'intelligence économique comme une sous-catégorie "orientée entreprise" de l'intelligence stratégique


D'une vision centrée sur le renseignement, l'
intelligence économique évolue vers une conception intégrant à la fois l'information stratégique, les rapports géopoligiques, les facteurs idéologiques et culturels de la guerre économique, l'infostratégie

L’intelligence économique ressemble à l’éléphant du conte indien : dans l’obscurité, les uns touchent ses pattes et le confondent avec un arbre, les autres, ses défenses et le prennent pour un rocher, d’autres sa trompe, et en déduisent que c’est une liane…

Suivant les exemples auxquels vous vous référez, vous pouvez avoir l’impression :

- qu’il s’agit d’un domaine de la stratégie générale étendu à l’économie de la mondialisation par des gens qui adorent citer Sun Tse et Clausewitz et dont beaucoup pourraient être de crypto-souverainistes anti-américains
- que c’est une affaire d’espions, de secrets violés et défendus ou un domaine pour responsables de la sécurité obsédés par les écoutes téléphoniques et les logiciels espions
- que l’IE traite surtout de communication de crise ou de détection des dangers dans un monde hanté par le principe de précaution ou par le risque d’image, surtout face à la contestation sur Internet
- que c’est un travail de diplomate chargé de faire passer des contrats pour les entreprises son pays face à des concurrents qui mobilisent tous les moyens régaliens (et pas forcément les plus moraux)
- que c’est une question de territoire, de pôles, d’attractivité, bref une forme moderne de l’aménagement du territoire et de la coopération entre entreprises locales
- que c’est un domaine hautement politique portant sur les rapports entre l’État et les entreprises sur fond de mondialisation (certains semblent même faire une équivalence entre patriotisme et intelligence économiques voire les confondre avec antiaméricanisme ou antimondialisme)
- que c’est un champ d’études pour sociologues de la société de l’information et de l’économie de la connaissance ou de l’intelligence collective
- que c’est le travail des organisateurs qui doivent s’assurer que l’information est bien captée et surtout diffusée dans leur entreprise entre risque de désinformation, de mésinformation, de surinformation, d’amnésie, d’ignorance, etc.
- qu’elle consiste en une modernisation du management pour l’adapter à Internet.
- que c’est un secteur de l’informatique : cryptologie, robots de recherche, bases de données, traitement sémantique, et autres algorithmes pour mieux utiliser le Web
- que c’est une vision élargie de l’économie qui y intégrerait le poids des traditions culturelles, des opinions, des inquiétudes de la société civile, des grandes manœuvres de la géopolitique
- que, comme la prose de Monsieur Jourdain, c’est quelque chose que les entreprises ont toujours pratiqué sans le savoir : un dose d’honnête précaution, une bonne revue de presse, de bons réseaux….

Entre le pôle de la théorie pure et celle des recettes sécuritaires, la géoéconomie et les pratiques quotidiennes, les méchants espions et les gentils managers, le sulfureux et le trivial, l’offensif et le défensif, le mondial et le local, la cognition et la persuasion, on s’y perd un peu. Surtout quand fleurissent les anglicismes comme knowledge managment, benchmarking, Signal Intelligence, « shapping the globalization » ou les acronymes du genre C3I, C4R à base de computers, command, control, etc.
Sans compter que le seul mot d’intelligence est ambigu : en français il est généralement réservé à la faculté mentale de résoudre des problèmes et intégrer des nouveautés, tandis que les anglophones emploient souvent le sens de « recherche efficace de l’information », comme dans la « business intelligence » dont la « competitive intelligence » ne serait que le volet orienté vers le renseignement sur la concurrence. L’efficacité en fonction de sa valeur (par exemple commerciale) et de sa pertinence (par exemple comme éclairage d’une situation et de ses issues). Currency et relevancy pour ne pas dire valeur d’échange et valeur d’usage… Voilà qui ne facilite rien dans un domaine l’on se réfère sans cesse à la littérature ou au modèle (ou contre-modèle) américains.

Or,
- l’intelligence économique concerne une partie de l’information stratégique orientée vers l’économie (ce qui suppose l’existence d’une intelligence stratégique plus vaste touchant des questions de sécurité, de diplomatie ou de puissance et influence politique, à supposer que tous ces domaines puissent réellement se séparer de l’économie)
- la qualification d’une intelligence comme stratégique est crucial. Nous avons discuté ailleurs de ce que pouvait recouvrir cette notion : à la fois des savoirs - leur possession est déterminante pour une action orientée vers une forme de victoire, donc dans un environnement compétitif voire conflictuel -et des images, messages et notions –leur propagation est indirectement utile à un dessein économique-.
- Il ne s’agit pas seulement « d’avoir » ou d’empêcher d’avoir certaines informations (des nouvelles, des tuyaux, des procédés techniques, des plans…) mais il faut aussi maîtriser des flux d’information plus ou moins formalisée.
- Il faut surtout les finaliser : les penser et les choisir par rapport à des objectifs, sinon c’est de la documentation .


Comment synthétiser toutes ces approches ?

Le mieux serait de considérer que l’IE a trois composantes principales : un rapport avec l’incertitude (la quête du savoir utile et sa protection,), un rapport avec les autres (l’organisation des communautés et leurs stratégies de lutte et de contrôle) et un rapport avec une instance régulatrice, le politique. Les trois visions ne sont pas séparées mais se recoupent et se conditionnent largement.

Le rapport avec l’incertitude : la composante purement « intelligence » (veille, renseignement, management de l’information avec sa contrepartie : la protection du patrimoine informationnel). Elle s’articule autour d’une idée simple. Le but est de donner des facteurs de décision (en l’occurrence au gestionnaire économique, mais ce schéma peut s’appliquer à la décision politique, diplomatique, militaire…). L’IE fournirait ici un ensemble de techniques pour détecter des signaux, acquérir des données fiables, mais aussi et surtout interpréter (en fonction d’un but stratégique), sélectionner, protéger (pour conserver un « différentiel » par rapport aux concurrents), évaluer des risques et possibilités, faire circuler (au bon endroit, au bon moment), structurer, vérifier, produire de la connaissance à partir de données… Bref, tout ce qui permet de diminuer les facteurs aléatoires de la décision (mais certainement pas de les supprimer au point de transformer la gestion en calcul).

Le rapport avec les autres : il est double. L’intelligence économique ne consiste pas à fournir des stimulations appropriée à une boîte noire qui répondrait par des décisions adaptées… Elle se pratique avec des gens agissant en communautés avec des hiérarchies, des intérêts, des cultures, des croyances, des motivations, des faiblesses. L’aspect positif est l’organisation de son propre groupe, son entreprise par exemple, pour le ou la rendre plus « apprenant » (intelligence collective, gestion de la connaissance dans l’organisation, diffusion d’une culture de l’information partagée et recherchée, motivation des acteurs..). L’aspect compétitif ou agressif concerne d’autres groupes organisés dans toute une gamme d’actions. Elles vont de l’anticipation stratégique ou de l’aimable compétition à la déstabilisation, la désinformation… et toutes les formes de ce qu’il est convenu de nommer « guerre de l’information »

Le rapport avec le politique (souvent mais pas uniquement avec l’État) et un rapport avec une instance qui décide dans quelles conditions et quelles limites on peut savoir (ou cacher), et se livrer à la compétition ou à la lutte. En clair : même (voire surtout) dans les pays censés être ultra-libéraux ou peu dirigistes, les moyens régaliens sont mobilisés pour aider les entreprises nationales, les pôles de compétitivité, le niveau national de la recherche et de la technologie, la conquête des marchés, la protection des secteurs stratégiques, la gestion des risques…

L’
Intelligence économique (souvent réduite à ses initiales « IE ») est la version française de ce que les Anglo-Saxons nomment competitive intelligence. Dans notre pays, la notion est apparue en 1994 dans un rapport d’Henri Martre. Celui-ci insistait sur la notion «de recherche, de traitement et de distribution, en vue de son exploitation, de l’information utile aux acteurs économiques». Afin de bien distinguer l’IE de l’espionnage industriel, le rapport soulignait que cette quête du renseignement pertinent devait se faire dans le respect de la légalité.

L’intelligence économique est d’abord interprétée comme l’art de savoir ce qui servira à être performant, à conquérir des marchés,… Cette vision évolue au cours de la décennie 90 en même temps que les notions de mondialisation et de société de l’information mais aussi de risque informationnel, d’hypercompétitivité…
Le champ de l’intelligence économique s’élargit ; il ne s’agit plus de bien protéger ses secrets ou de faire de bonnes fiches sur l’actualité technologique, la concurrence, la législation d’un État, les brevets… ; il faut que toute stratégie économique, qu’elle soit d’État ou d’entreprise, intègre de nouveaux facteurs: les impératifs de l’économie de l’information et de la connaissance, la fragilité du patrimoine informationnel d’une entreprise, mais aussi de ses systèmes d’information, de sa réputation, la dépendance de ses activités à l’égard de l’opinion, des médias, des Ong, des nouvelles exigences (sécuritaires, éthiques, environnementales) de la société civile, les nouveaux rapports de protection et de coopérations entre l’État stratège et ses entreprises les plus sensibles, les facteurs culturels du comportement économique…

Il n’est pas seulement question d’ajouter de l’intelligence au à l’économie envisagée comme simple lutte contre la rareté mais de développer une nouvelle intelligence de l’économie dans le jeu de la puissance, de l’influence, du conflit, des valeurs…

Le rapport que le député Carayon a consacré a l’IE en 2003 reprend le thème et souligne trois objectifs auxquels doivent coopérer l’État et les entreprises :

– la maîtrise du patrimoine scientifique et technologique à protéger en priorité, ce qui suppose donc des hiérarchies stratégiques

– la détection des menaces et des opportunités par l’acquisition de l’information utile

– des politiques d’influence au service de l’intérêt national et/ou de l’entreprise.


Depuis, de nombreuses affaires qui ont défrayé l’actualité n’ont cessé de mettre l’IE sur le devant de la scène, qu’il s’agisse de déstabilisation d’entreprises ou des débats sur le patriotisme économique.

Il faut donc concilier :

– la protection légale et technique des informations détenues par l’entreprise. Cet aspect défensif est souvent mis en avant en raison de ses connotations romantiques – secret, renseignement –. S’il constitue la base de la sécurité, ce n’est pas le plus décisif.

– la recherche de l’information pertinente par la veille et la coopération. La veille elle-même se décline en veille prospective, environnementale, concurrentielle, sociétale… Elle doit ouvrir sur tous les phénomènes non économiques interférant avec la marche de l’entreprise. Ce processus appelle un complément, l’anticipation des risques d’image. Il faut aussi déceler les tentatives de déstabilisation informationnelle, les rumeurs, l’intoxication. Savoir ce qu’il faut, savoir ce que l’on sait et empêcher qu’autrui ne croie ou ne sache ce qu’il ne faut pas : autant d’aspects d’une même démarche pour traduire l’acquisition d’information en capacité d’action. Sans oublier l'art toujours difficile de faire circuler l'information dans une organisation pour qu'elle arrive au centre de décision concerné et juste à temps.

– le troisième volet, l’influence qui agit en amont de la performance économique, suppose la vision la plus large. C’est un mode d’action indirect sur les perceptions et évaluations d’autrui. Il passe par l’image que l’on émet (tel le prestige d’un pays), par le message que l’on propage (ce que les Américains nomment « diplomatie publique »), par les vecteurs et réseaux que l’on mobilise (les réseaux), et plus souvent encore, par une combinaison des trois : prestige, persuasion, médiation. L’influence est cruciale, depuis sa version la plus triviale, le lobbying, jusqu’aux stratégies des États pour s’ouvrir de futurs partenariats économiques par la diplomatie, la culture, l’éducation…

L'intelligence économique traite de l'information sous forme :
- de données relatives à l'environnement actuel ou futur de l'entreprise, puis de connaissance pour la décision (tout en empêchant un concurrent d'acquérir des informations cruciales sur sa propre action)
- de messages qui détermineront indirectement la décision d'autres acteurs à travers leurs convictions ou évaluations.

Le premier processus (veille et protection) est cognitif et technique (il agit sur des données), le second (l'influence) est rhétorique et pragmatique (elle agit sur les gens).


ANNEXE : les formations en IE

L’intelligence Économique consiste en l’acquisition, la protection et l’utilisation stratégique de l’information. Il s’agit de produire de la richesse et de la puissance non pas avec des choses ou des forces, mais par l’utilisation des signes qu’il s’agisse d’en savoir plus que… ou de faire penser que… Ceci confère une place cruciale aux questions d’influence. On observe tous les jours combien elles sont centrales et combien l’économie dépend de facteurs extra-économiques dont les rapports avec l’Etat pour la conquête de marchés ne sont pas les moins importants. La vision de l’économie comme manière de produire au mieux des objets et services désirables est surannée : désormais les mécanismes économiques sont dépendants de valeurs culturelles, idéologiques. Par ailleurs, le patriotisme économique n’est plus un sujet tabou : en atteste la définition récente par l’Etat de dix domaines stratégiques, intérêts vitaux de la Nation.

L’intelligence économique souffre principalement de quatre handicaps:

• de ses connotations sécuritaires, héritées des méthodes du renseignement militaire
• de la confusion avec l’espionnage industriel
• de son tropisme technophile (notamment avec la panoplie de logiciels de veille, de traitement et de cryptographie de l’information)
• d’un manque de vision stratégique

On a encore du mal aujourd’hui à opérer un décloisonnement des disciplines. Du point de vue universitaire , l’IE hésite entre les sciences de l’information et de la communication d’une part et celles de la gestion d’autre part
Dans l’entreprise, même hésitation pour classer l’IE : avec la sécurité, la documentation, la stratégie ?
La difficulté d’une approche globale de l’IE tient aussi à ce grand écart, qui exige une psychologie particulière chez ses pratiquants : il faut gérer des savoirs et comprendre en même temps le rôle fondamental des croyances.
Les savoirs, ce sont souvent des données factuelles acquises par de la veille active sur les brevets et sur les changements de législation et de normes. Cela demande des capacités analytiques et synthétiques à la fois, surtout pour ne pas être noyé sous la masse d’information et aller vite à l’essentiel.
Par ailleurs, il faut comprendre le rôle des catégories mentales ou les mécanismes de la persuasion par exemple pour monter une opération de lobbying auprès d’un député européen ou pour décrypter le pouvoir d’influence des médias ou des courants d’opinion.
Un bon stratège de l’IE sait concilier une démarche cognitive rationnelle et la prise en compte de nos motivations, de nos volontés et de nos valeurs. La technique appelle une pragmatique.

L’IE peut nous fournir des heuristiques, c’est-à-dire des recettes, des méthodes pratiques de quête de la connaissance éprouvées par l’expérience et qui nous aident à préserver notre esprit critique, à déceler les signaux faibles et à repérer les sources d’information pertinentes de l’environnement.

C’est un art de naviguer dans l’information numérique surabondante. Elle doit par exemple nous apprendre la « sérendipité » : l’art de trouver ce que l’on ne cherchait pas forcément au départ. L’univers de l’information numérique n’est pas rangé comme une bibliothèque ou une encyclopédie, de façon stable et hiérarchique : c’est un flot de mots et de signes où tout élément que nous rencontrons peut nous renvoyer à d’autres découvertes. Pour continuer la métaphore nautique, il faut inventer des «portulans de la connaissance», non pas des cartes générales qui tracent le contour de zones fixes, mais des représentations dynamiques, qui indiquent une direction, celle du prochain port et suggèrent comment naviguer en fonction des vents favorables, tout en évitant les bas-fonds. C’est exactement ce dont nous avons besoin pour nous déplacer dans l’information.

Mais il faut aussi de l’esprit de finesse, la capacité de «sentir » les courants porteurs de l’époque, le mode de fonctionnement de gens parfois très différents imprégnés de cultures opposées. Il faut aussi bien comprendre le discours du manager que celui de l’altermondialiste. De l’empathie et de la distance. Le pratiquant de l’IE doit lever le nez de son ordinateur et regarder le monde extérieur.. L’IE - culture transdisciplinaire par définition - suppose de sentir les différents courants d’idées et les systèmes de valeurs émergents pour comprendre les aspects sociétaux, idéologiques, géostratégiques de l’activité économique.


L’intelligence Economique consiste en l’acquisition, la protection et l’utilisation stratégique de l’information. Il s’agit de produire de la richesse et de la puissance non pas avec des choses ou des forces, mais par l’utilisation des signes qu’il s’agisse d’en savoir plus que… ou de faire penser que… Ceci confère une place cruciale aux questions d’influence. On observe tous les jours combien elles sont centrales et combien l’économie dépend de facteurs extra-économiques dont les rapports avec l’État pour la conquête de marchés ne sont pas les moins importants. La vision de l’économie comme manière de produire au mieux des objets et services désirables est surannée : désormais les mécanismes économiques sont dépendants de valeurs culturelles, idéologiques. Par ailleurs, le patriotisme économique n’est plus un sujet tabou : en atteste la définition récente par l’Etat de dix domaines stratégiques, intérêts vitaux de la Nation.

L’intelligence économique souffre principalement de quatre handicaps:

• de ses connotations sécuritaires, héritées des méthodes du renseignement militaire
• de la confusion avec l’espionnage industriel
• de son tropisme technophile (notamment avec la panoplie de logiciels de veille, de traitement et de cryptographie de l’information)
• d’un manque de vision stratégique

On a encore du mal aujourd’hui à opérer un décloisonnement des disciplines. Du point de vue universitaire , l’IE hésite entre les sciences de l’information et de la communication d’une part et celles de la gestion d’autre part
Dans l’entreprise, même hésitation pour classer l’IE : avec la sécurité, la documentation, la stratégie ?
La difficulté d’une approche globale de l’IE tient aussi à ce grand écart, qui exige une psychologie particulière chez ses pratiquants : il faut gérer des savoirs et comprendre en même temps le rôle fondamental des croyances.
Les savoirs, ce sont souvent des données factuelles acquises par de la veille active sur les brevets et sur les changements de législation et de normes. Cela demande des capacités analytiques et synthétiques à la fois, surtout pour ne pas être noyé sous la masse d’information et aller vite à l’essentiel.
Par ailleurs, il faut comprendre le rôle des catégories mentales ou les mécanismes de la persuasion par exemple pour monter une opération de lobbying auprès d’un député européen ou pour décrypter le pouvoir d’influence des médias ou des courants d’opinion.
Un bon stratège de l’IE sait concilier une démarche cognitive rationnelle et la prise en compte de nos motivations, de nos volontés et de nos valeurs. La technique appelle une pragmatique.

L’IE peut nous fournir des heuristiques, c’est-à-dire des recettes, des méthodes pratiques de quête de la connaissance éprouvées par l’expérience et qui nous aident à préserver notre esprit critique, à déceler les signaux faibles et à repérer les sources d’information pertinentes de l’environnement.

C’est un art de naviguer dans l’information numérique surabondante. Elle doit par exemple nous apprendre la « sérendipité » : l’art de trouver ce que l’on ne cherchait pas forcément au départ. L’univers de l’information numérique n’est pas rangé comme une bibliothèque ou une encyclopédie, de façon stable et hiérarchique : c’est un flot de mots et de signes où tout élément que nous rencontrons peut nous renvoyer à d’autres découvertes. Pour continuer la métaphore nautique, il faut inventer des « portulans de la connaissance », non pas des cartes générales qui tracent le contour de zones fixes, mais des représentations dynamiques, qui indiquent une direction, celle du prochain port et suggèrent comment naviguer en fonction des vents favorables, tout en évitant les bas-fonds. C’est exactement ce dont nous avons besoin pour nous déplacer dans l’information.

Mais il faut aussi de l’esprit de finesse, la capacité de «sentir » les courants porteurs de l’époque, le mode de fonctionnement de gens parfois très différents imprégnés de cultures opposées. Il faut aussi bien comprendre le discours du manager que celui de l’altermondialiste. De l’empathie et de la distance. Le pratiquant de l’IE doit lever le nez de son ordinateur et regarder le monde extérieur.. L’IE - culture transdisciplinaire par définition - suppose de comprendre les différents courants d’idées et les systèmes de valeurs émergents pour comprendre les aspects sociétaux, idéologiques, géostratégiques de l’activité économique.

Tuesday, 21 July 2009

“Isabel II de Inglaterra ganhou

meio milhão em subsídios da PAC”

 

E a nossa lista de gulosos… Quando sai? Ou pensam clandestinizá-la e dar-lhe a classificação “top secret”? E tudo isto numa Europa sem dinheiro para a inovação…

 

E que se atrasa em tudo! Mesmo no que não estava atrasada...

 

(canonsnapper/flickr)Como diz o «CaféBabel.com – the european magazine»: «Normalement, l’UE n’hésite pas à montrer pour quels projets sont utilisés ses sous. Pour le blé, la viande et le lait, il en va autrement... Les subventions agricoles devaient à l'origine aider les petits agriculteurs. Aujourd’hui, on cherche à cacher ses riches bénéficiaires.

 

«La reine Elisabeth II a reçu en 2008, 500 000 euros de subventions agricoles de l’UE pour sa ferme à Sandringham. C’est ce qui est révélé par les listes officielles, publiées pour la première fois le 1er mai, et qui doivent apporter un peu de transparence dans le paiement des subventions agricoles européennes.

«Cette Politique agricole commune (PAC) représente à elle seule, avec ses 55 milliards d’euros, la moitié du budget de l’UE. Cependant, une grande partie de cet argent ne va pas aux pauvres agriculteurs dans le besoin mais à la noblesse terrienne…».

E a lista dos gulosos dá do burgo, aparece quando? Quero saber quem anda a encher os bolsos à conta da “Europa”... O senhor ministro da Agricultura quer ser cúmplice desses gulosos...?

SOBRE O PARTIDO SOCIALISTA

(e este pobre e perigoso quadro político)

Muito interessante esta reflexão no blog “Jumento” sobre o Partido Socialista e o seu estado. Mais do que estar ou não estar de acordo com o raciocínio e as suas conclusões, o importante é debater o que se passa nos partidos portugueses que, claramente, se estão a mostrar não só totalmente incompetentes para perceberem o mundo actual (e o seu país colocado nesse mundo) como totalmente esclerosados e incapazes de fazer o que tem de ser feito. E isto é grave... Sobretudo, para estes partidos! Soares disse há pouco que corremos o risco de Portugal ficar ingovernável... Bom, ele referia-se a um determinado quadro. E, nesse quadro, o País pode mesmo ficar ingovernável. Mas, no fundo, é o quadro que se revela desadequado ao País... E não é o País que fica ingovernável, são estes partidos que não são capazes de o governar! Se os partidos decidirem levar esta dialéctica até ao fim pode ser um exercício muito perigoso e masoquista. E, no final do exercício, o País encontra outras formas de ser governado. Que podem ter os seus “quês”... Soares conhece bem a história recente do País, podia fazer por aí umas charlas sobre os perigos que os partidos, com este autismo e esta desconexão da realidade, incorrem e fazem o País incorrer!

“Os partidos portugueses: o PS

Do ponto de vista organizacional o PS é uma combinação estranha entre os clãs medievais, as castas indianas e um bordel espanhol. Mais do que partilharem uma ideologia os militantes do PS assumem valores semelhantes e organizam-se em torno de líderes de clãs que ora se guerreiam, ora se unem para fazer face ao inimigo externo. Só quando o inimigo está nas suas fronteiras é que reúnem forças, mesmo assim, lembrando o jogo de alianças das tribos árabes no tempo das cruzadas, é possível ver um Manuel Alegre juntar-se ao BE e namorar o PCP para compensar a falta de forças para dominar os restantes clãs.

No PS não se sobe por mérito, não existe o conceito de militante de base, adere-se ao partido e entra-se directamente para as fileiras de um dos senhores feudais, o futuro político do militante depende do sucesso do seu senhor. O caso de Manuel Alegre exemplifica bem esta característica do PS, uma boa parte dos militantes que apoiam as ambições e o exercício de vaidade pessoal de Manuel Alegre estão dispostos a abandonar o PS para fundarem o PRD alegrista no dia em que o chefe decidir. Para os militantes de Alegre formar um novo partido não é mais do que declarar a independência de um principado.

Esta organização em torno de clãs, ou mais precisamente de principados, leva a que o PS seja um partido fortemente classista, quase organizado em castas. Os herdeiros dos príncipes entram directamente para altos cargos, deputado ou assessor ministerial, os outros servem para fazer número nos comícios e arruadas. São estes tiques monárquicos que justificam a rápida ascensão de algumas personalidades, João Soares é o exemplo mais emblemático disso.

Num partido onde o mérito é desprezado em favor nas relações pessoais e da cor do sangue é natural que a consideração pelos eleitores não seja muita, o eleitor é o cidadão comum que de vez em quando vai votar e cuja opinião pode ser manipulada por meia dúzia de outdoors. Os senhores dos clãs sentem-se donos de quotas de eleitores, é o caso de Manuel Alegre que ainda hoje anda armado em dono da vontade dos eleitores que votaram nele nas eleições presidenciais.

Compreende-se facilmente a desorientação e o desânimo que se instalou em muitos militantes do PS com o resultado das eleições europeias, organizado em clãs o partido é incapaz de reagir colectivamente à adversidade. Os militantes de base esperam ansiosamente pelas ordens do chefe do seu clã e muitos destes chefes ainda não decidiram se apoiam Sócrates ou se, por mera vingança depois de se terem sentido prejudicados com a partilha dos despojos da última batalha eleitoral, o deixam entregue à derrota. A verdade é que o PS ganha mais eleições graças ao apoio de independentes que mobilizam a sociedade do que pela competência e prestígio dos seus dirigentes. Independentes que rapidamente são esquecidos na hora da partilha dos cargos governamentais ou, como sucedeu no tempo de Guterres, são acusados de todos os males.  O Jumento, às 12:30 | links para este post | (10) Coices | Trackback | Permalink

José Mateus Cavaco Silva at July 21, 2009 21:19 | link | comments
Tags: portugal

QUE SOLUÇÃO

Comentário de visitante a post do ‘Jumento’

seguido do referido post... Para reflexão. Claro!

 

«Caro Jumento,

Li com interesse o seu post Que Solução e gostava de lhe oferecer a minha perspectiva que diverge um pouco da sua.

Concordo plenamente que o único caminho viável para o futuro de Portugal tem inevitavelmente que passar pela sua quarta alternativa. Discordo contudo na sequência das etapas. Ao contrário do que muita gente, incluindo muitos especialistas proclama, não penso que aumentos dramáticos de produtividade requerem grandes investimentos (tangíveis e prolongados) na formação ou educação das pessoas. Essa falácia, na qual todos os governos desde Cavaco até hoje caíram, é a tragédia dos últimos 20 anos. Nem vou exaltar as qualidades que são reconhecidas aos Portugueses de rápida aprendizagem e adaptação, ingenuidade inventiva, etc. Dou-lhe um exemplo concreto, que conheço muito bem. Analise o que se passou no cluster químico de Estarreja que o primeiro ministro visitou esta semana. Em 20 anos a produtividade do complexo aumentou à volta de 4 vezes. Tem hoje um complexo numa área em que a competição é global que compete em pé de igualdade com os gigantes da indústria química mundial, onde a componente tecnológica e empresarial é fundamental. Engenheiros formados em Portugueses, técnicos portugueses, operários portugueses.

Surpreende-me que as business schools de Lisboa e porto e não estudem estes casos em vez de andarem a olhar para o MIT para lhes dizer o que é que o país precisa para sair do buraco. O Cluster da indústria automóvel é outro em que Portugal provou que pode rapidamente (em 25 anos) passar da insignificância para uma posição de relevo. Há! Tenho que dizer que em Estarreja os trabalhadores sabem bem o que move os sindicatos comunistas e todos os parceiros trabalham para um objectivo comum, que tem sido por muitos anos bater a concorrência e dessa forma preservar a viabilidade dos postos de trabalho.

Os grandes desafios de Portugal são a meu ver puramente políticos. Reformar o sistema político para eliminar o ruído dos "troublemakers" que não têm qualquer interesse em fazer avançar o progresso e a liberdade dos portugueses - PCP e BE. Círculos uninominais e responsabilização directa dos eleitos perante os eleitores. (Estamos hoje a pagar a factura deixada pelo Mário Soares por não ter percebido que o PC havia de ser sempre um cancro na sociedade Portuguesa).
Dar o poder executivo ao presidente ou acabar com a macacada que se vive hoje, e que o Sr. tem com grande acutilância referido, em que há uma eminência parda em Belém com uma agenda própria que a Constituição não autoriza, sem checks & balances de contra-balanço. Reduzir a dimensão do Governo - não mais do que 10 ministros executivos e 20 secretários. Reduzir o orçamento de estado para não mais que 1/3 do produto, acompanhado de forte redução dos impostos sobre o trabalho. Descentralização de competências para as comunidades. Por exemplo o ensino pré universitário com gestão local. Sistema de saúde fora do governo que se deveria ocupar apenas da gestão dos pagamentos (single pay system). Privatizar (não vejo outra solução) o que resta do estado na economia - as goldenm shares, etc. - para acabar com o compadrio nos conselhos de administração e o conflito de interesses entre a política e os interesses privados.

Alguém deve saber como resolver o pandemónio na administração da Justiça. Não é a minha área de especialidade, por isso não faço ideia de como se pode resolver tal monstruosidade, mas deve alguém neste mundo que sabe como é que a coisa deve funcionar.

Finalmente - FALTA DEVOLVER A LIBERDADE CRIATIVA AOS PORTUGUESES. Arranjem lá isso e

Enfim algumas ideias soltas, um pouco desordenadas, mas que me parece que seriam um ponto de partida para um debate sério sobre como arrancar do fundo do pelotão da Europa.

Um grande iiiiiiiooooooohhhhh!

P.S. Um dos meus vizinhos tem na sua quinta um simpático jumento de estimação que quase todos dias vejo no trajecto para o trabalho, e que não casa muito bem com a paisagem do Midwest Americano, fazendo-me sempre me faz sorrir, lembrar do seu blog e de que as raízes estão algures longe entre o Atlântico e o Mediterrâneo.

Que solução?

Com ou sem crise financeira internacional a economia estava, está e estará em crise, será incapaz de aumentar significativamente a riqueza dos portugueses, principalmente dos mais carenciados, não gerará recursos e poupança para modernizar a actividade industrial, não tem níveis de produtividade de eficiência capaz de tornar competitiva no plano internacional. Que soluções?

A solução mais fácil é a defendida pelo PCP e de forma mais sofisticada pelo BE, aumenta-se tudo, pensões, salários, subsídios de desemprego, rendimento mínimo, financiando-se esta fartura repentina com aumentos de impostos sobre aos mais ricos. Aumentam-se os impostos das empresas enquanto estas tiverem a pouca vergonha de apresentarem lucros, reduzem-se os spreads da banca, enfim, persegue-se o lucro. Quem quiser que aposte nesta solução.

A outra solução seria conter rendimentos o que passaria por acordo a médio prazo entre entidades patronais e sindicais. Só que os nossos empresários apenas tinham em reduções salariais e os sindicalistas apostam na solução do parágrafo anterior. O PCP e o BE nunca aceitariam acordo que pudesse representar a negação da luta de classes, essa pira sacramental que levará ao paraíso humano.

Uma terceira solução seria recuperar o velho escudo (com tanto velho que anda na política o escudo até pareceria uma jovem de 18 anos!) e regressar às desvalorizações e ao tempo da inflação com dois digitas. Com taxas de inflação na ordem dos 30% é possível conseguir aumentos de vencimentos na ordem dos 20%, o que durante dois meses dá uma enorme sensação de fartura. Entre desvalorizações e taxas de inflação elevadas, os trabalhadores seriam felizes, cada vez mais pobres e felizes, o próprio PCP festejaria a recuperação da soberania perdida. Só que com os actuais níveis de endividamento Portugal ingressaria de imediato na unidade de cuidados intensivos do FMI.

Uma quarta solução seria melhorar a qualificação dos portugueses apostando num aumento de produtividade e de investimento tecnológico a médio prazo, Só que esta solução depende dos professores, o mesmo é dizer que só passaria depois de Mário Nogueira pedir a autorização de Jerónimo de Sousa. Já sabemos a resposta, só seria aceitável se todos os professores fossem felizes, isto é se houvesse emprego para todos, se a avaliação fosse simples e assente na auto-avaliação, se os horários fossem reduzidos e se o Mário Nogueira fosse ministro de Estado e da Educação.

Passemos à solução seguinte. O problema é que não há mais nenhuma, talvez o melhor seja emigrar e deixar cá os Mários Nogueiras, os Cavacos, as Ferreira Leite, os Louças, os Pintos Monteiros, os Varas, os Jerónimos de Sousa, os Belmiros de Azevedo, às Manuelas Moura Guedes, aos Coelhones, aos Loureiros, aos Palmas, aos Valentins Loureiros, aos Pretos, aos Santaas Lopes e muitos outros, ou seja, fugir e deixar o país entregue à bicharada.

 

O Jumento, às 13:32 | links para este post | (20) Coices | Trackback | Permalink

Monday, 20 July 2009

PASSAWORD...

 

Uma engenheira da "informática" estava a ajudar um colega da empresa a configurar o computador e perguntou-lhe que password ele pretendia utilizar.

O homem, tentando  atrapalhá-la, disse que pretendia utilizar “pénis”.

 

Ela, sem dizer uma palavra, sem se rir ou dar parte de fraca, introduziu a password... Mas não conseguiu resistir e até ia morrendo de riso quando o computador deu a resposta:

 

"PASSWORD REJEITADA:

 

NÃO TEM TAMANHO SUFICIENTE!"

 

Riram...? Sorriram, ao menos? Óptimo... Chegou-me há pouco por mail e não resisti a partilhá-la aqui. O que não falta por aí são malandrecos sem ”tamanho suficiente”! E, depois, um momento de humor ao fim da tarde faz-nos sempre bem...!

 

José Mateus Cavaco Silva at July 20, 2009 20:47 | link | comments
Tags: humor

Al Gore & Global Warming

SEM COMENTÁRIOS...!


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AlGore.jpg picture by claromotime”...The branding of carbon dioxide as pollution is junk science aimed at creating yet another speculative financial bubble--the buying, selling, and leveraging of hot air in the form of carbon credits.

The charlatan Al Gore and Goldman Sachs stand to make mountains of money from this scam, made possible by government mandates, rules, restrictions, and other measures that will choke off energy supplies, starve communities, pauperize the middle classes, crush the poor, cripple industry, condemn the United States to a state of permanent industrial and economic decline ... and line the pockets of the fakers and fraudsters.”
  # posted by Confidential Reporter @ 12:45 PM

Saturday, 18 July 2009

Ver Claro

Vingança de chinês: Não tendo conseguido ganhar a guerra pelo controlo do gigante mineiro Rio Tinto, Pequim prendeu um administrador do grupo de passagem na China e acusou-o de "espionagem"… O insólito acto de vingança causa espanto e perplexidade nos meios ocidentais e mostra a China como ‘um sistema de corrupção’.

Continuar a ler na Coluna do Correio da Manhã

Wednesday, 15 July 2009

TERRAMOTOS E CRISES,

CRISES E TERRAMOTOS!

 

POMBAL.jpg picture by claromotimeEm 1755, tivemos uma crise provocada por um terramoto. Em 2009, começa um terramoto provocado por uma crise. Oxalá, haja , face a isto, gente da estirpe (inteligência, saber, determinação e coragem) dos militares, arquitectos, engenheiros e políticos que constituíram então o estado-maior do Marquês de Pombal... Oxalá!

 

Portugal, depois de começarem na economia os abalos telúricos provocados pela crise, está praticamente sem posição num mundo desorientado e já bastante de pernas para o ar. Os líderes dos actuais partidos políticos, ao ouvir falar da crise global (como não têm nada a dizer sobre a matéria, posto que ignoram tudo) viram pudicamente a cara para o lado e lá prosseguem no seu caminho fora da realidade.

 

Que não tenham o conhecimento profundo do que se passa no mundo e das suas consequências fatais ainda se lhes poderia perdoar. Mas a verdade é que nunca quiseram saber, nunca procuraram informar-se a sério, analisar as coisas e extrair daí as devidas consequências. E isto não lhes pode ser perdoado. Ou são burros ou preguiçosos ou autistas. Creio que, entre eles, haverá de tudo... Até uma ou outra excepção a este triste panorama.

 

Portugal viveu as últimas décadas sem um projecto estratégico nacional, nem sequer identificou as suas vantagens comparativas e muito menos as  funções  em que podia competir (e colocar-se em vantagem na cadeia de valor) na divisão internacional de trabalho de uma economia globalizada.

 

Não soube identificar e muito menos explorar as vantagens estratégicas que a sua geografia e a sua história lhe oferecem. Deixou-se andar, encostado a uma Europa que lhe permitia o regabofe de uma economia subsidiada por “fundos europeus” e lhe garantia uma “estabilidade” política que acaba por assegurar que, aconteça o disparate que acontecer, tudo será “gratuito” e ninguém corre risco algum. Neste doce engano, chegamos aqui.

 

Se uma economia global sempre a crescer permitia que Portugal lá fosse andando, apesar de muito manco, e todos os anos, nos momentos certos, lá apareciam “as cheias do Nilo” dos subsídios da Europa para regar e adubar a areia desta “ocidental praia lusitana” (em tempos tão fértil...). Mas a areia toda a cheia absorvia e continuava estéril... Hoje, o mundo muda radicalmente (nem se percebe ainda bem como será dentro de um ou dois anos), o modelo vigente da economia entra em colapso e a própria Europa “seca” um pouco ou talvez, como já se verá este Inverno ou na Primavera 2010, mesmo muito.

 

Desaparece assim todo o quadro geral que permitia a este país cego e manco de, apesar de tudo, ir andando. Em simultâneo, o sistema político-eleitoral dá mostras de ter envelhecido mal e de esgotamento. De esclerose, mesmo. Um dos sintomas deste esgotamento é, por exemplo, o facto de os portugueses mais qualificados, competentes e sérios fugirem de tudo o que cheira a política como o diabo foge da cruz...

 

A “elite política”, a cada ano, a cada eleição, perde um carácter residual de elite que ainda lhe restava e torna-se uma coisa banal e quase boçal, a fazer pela vidinha e de uma aflitiva ignorância. Até já tivemos um deputado a candidatar-se a jardineiro de uma câmara municipal! De facto, há que louvar-lhe a coragem e ousadia pois o homem não sabia mesmo fazer nada...

 

Esta convergência de crises (convergência que é própria de Portugal mas não se verifica nos restantes países do mundo desenvolvido mas apenas em países do terceiro-mundo) vai, já muito brevemente, pôr-nos diante da necessidade e do desafio de reerguer Portugal após a passagem destes repetidos abalos telúricos que a crise global nos envia. Se somos ou não capazes de o fazer é o que veremos, dentro de muito pouco tempo, e dirá o que houver a dizer sobre a nossa realidade... Sobre o que realmente somos e do que somos capazes.

Tuesday, 14 July 2009

PS: ADVERTÊNCIAS, EVIDÊNCIAS, EQUÍVOCOS E AINDA UMAS CERTAS TENDÊNCIAS SUICIDÁRIAS

 

·         Sócrates: “Nunca houve vitórias da esquerda com enfraquecimento do PS”

·         Alegre: adverte que recusará alianças à direita

 

Há aqui duas evidências e vários equívocos.

 

Vamos à primeira evidência. Cada vez que o PS perdeu, o PSD ganhou. Ganhou, portanto, alguém à direita do PS. Neste quadro, a afirmação de Sócrates é uma evidência. Mas - e isto há sempre um "mas" - essa vitória à direita (não disse "da direita"...) não terá sido muito conveniente para algumas "forças de esquerda"? Claro que sim, que foi.

 

A esquerda comunista (primeiro o PC e, nestes últimos anos, também o BE) não tem interesse algum em vitórias do PS. Isso é mesmo o que mais a prejudica. As vitórias à direita são-lhe muito mais profícuas. Daí as imensas alianças não-finalistas entre o PC e o PSD em câmaras municipais e instâncias locais e regionais e convergências pontuais, bem escamoteadas, ao nível nacional.

 

No quadro estratégico que Álvaro Cunhal deixou ao PC e que este mantém religiosamente (ou de que não se consegue libertar...), tudo o que enfraquecer o PS é bom... E o BE anda há dois ou três anos a copiar desavergonhadamente esta estratégia. Daí um carácter equívoco na afirmação de Sócrates.

 

Outros equívocos surgem na afirmação de Alegre. Ele adverte... Ele recusará... Ele! A interpelação imediata a este tipo de discurso é simples: defina "ele". Quem é ele? Ou quem se julga ele? Imagine-se um quadro geral no PS em que cada um dos militantes encartados se põe em bicos de pés a advertir do que recusa. Ainda haveria de aparecer algum socialista (mais jovem) a advertir que recusaria comer a sopa…

 

Num quadro tal, o PS teria, no mínimo, um modo de funcionar populista. A sua democracia interna teria voado em estilhaços. Estaria entregue a uma balcanização ululante e feudalizada. Se há, nesta atitude Alegre, uma série de equívocos a pedir definições, há também uma evidência: Alegre abre o caminho para a desagregação do PS. A impor-se esta via, Cunhal viu estrategicamente bem e Jerónimo e Louça fizeram bem em manter-se fiéis a ela.

 

Único problema: o contexto em que Cunhal pensou a coisa já não existe e mesmo o seu residual está a ser levado pelos vendavais da crise global. Mesmo as suas coordenadas desapareceram.  Neste novo contexto que emerge fica à vista o esgotamento e a impotência deste sistema político-eleitoral de dominante parlamentar que impõe a mediação dos deputados na definição do poder executivo. E sendo assim...

 

Sendo assim seria bom (sobretudo para eles mesmos...) que Alegre, Jerónimo e Louçã vissem alguma coisa para além da ponta do seu nariz. E o PS ganharia muito em pensar duas vezes antes de se deixar suicidar...

 

Já agora, para finalizar, duas notas e um sinal: o velho Soares, que sempre achou a Europa um seguro de vida, já avisou que a apólice pode estar a expirar... E, last but not least, não há países ingovernáveis, há, isso sim, sistemas esgotados ou incompetentes (esta classe política que vem do início dos anos 70 nunca conseguiu criar um projecto estratégico nacional, continua no que Salazar deixou, introduzindo-lhe democracia, mas isto é escasso, muito curto, e aí começou o problema de um regime que em 35 anos não teve o tempo para criar esse conceito decisivo). Sinal dos tempos: Qualquer ouvido bem afinado já começou a detectar a musiquinha de apelo a soluções mais musculadas!

Monday, 13 July 2009

G20 - INSTANTES FATAIS!

 

O G20 (ou foi um G8...?) em Itália foi, de facto, um grande momento para os fotógrafos... Pode não ter servido para mais nada mas, naquele seu ar anacrónico e obsoleto de clube de uns senhores que discutem de tudo e não decidem de nada, mas foi um verdadeiro manancial de “instantes fatais”!
G20.jpg picture by claromotime

Sunday, 12 July 2009

Ver Claro

A crise não é má para todos e dá muito a ganhar a alguns. A Goldman Sachs, com o desaparecimento de concorrentes e com a necessidade de dinheiro dos Estados, atinge lucros-recorde e vai dar a quadros os maiores 'bónus'da sua história de 140 anos. A H&M, grupo sueco de vestuário a baixo preço, aumentou o volume de vendas em 20%, nos últimos 6 meses…  Continuar a ler na Coluna do "Correio da Manhã"

TRIUNFO E CONSAGRAÇÃO

DA VELHA “FERNÃO LOPES”

 

Era um prédio velho numa rua velha, ali junto ao Saldanha. A rua hoje está renovada e o prédio já não existe. Está lá um centro comercial. No rés do chão e no primeiro andar esquerdos (claro que esquerdos… só podia!) instalou-se, na segunda metade dos anos setenta do século passado, um grupo de estudantes maoístas que aí fizeram a sede nacional da FEML.

Eram “maoístas” que ignoravam tudo da China e do real pensamento de Mao. Tinham, como "pensamento teórico", umas citações do “pequeno livro vermelho” engatilhadas e contra o “revisionismo” soviético defendiam uma “revolução cultural” (fosse lá isso o que fosse…). Eram um fenómeno da época e participavam, sem o saber, de uma das maiores operações de “perceptions management” alguma vez concebida e realizada – a “operação kaos” que se destinava a quebrar definitivamente a hegemonia comunista na esquerda europeia e a quebrou e... enterrou. Não tinham, porém, sequer ideia disso. E poucos, mesmo hoje, a terão.

Por lá passaram nomes e caras que vieram a tornar-se bem conhecidos: Maria João Rodrigues, Maria José Morgado, Teresa Almeida, Guida Sousa Uva, Franklin Alves, Paulo Casaca, Briosa e Gala e muitos outros que estão hoje em lugares de topo, da banca aos jornais e televisões, passando pelas administrações de empresas e pela… Comissão Europeia!

Aí, nesse prédio velho dessa velha rua, começou, de facto, a namorar e a tomar o gosto à intriga política o senhor presidente da Comissão Europeia, o tal que acaba de assegurar um segundo mandato com o apoio unânime dos 27 estados-membros, o querido “camarada Veiga”… Triunfo total, portanto, do “comité longa marcha”, da rua Fernão Lopes!

Longa vida ao camarada Veiga!
 

Saturday, 11 July 2009

QUE FOI OBAMA FAZER AO G8…?

confira o velho ditado, ‘uma foto vale mais que mil palavras’
ObamaObama.jpg picture by claromotime

Friday, 10 July 2009

Les vieux du Restelo

in Lex Appeal

 


"There are growing signs -- from a black swan in savings/debt reduction to massive debt loads to quarterly trillion dollar losses in personal wealth to stagnant/falling consumer purchases to persistently low consumer confidence -- that the parasite ridden American "consumer" is finally dead. If this is true, the economic model of the latter half of the last Century is likely dead too, and that will mean wrenching change. It's my belief that the dominant solution is to prepare for a local future to ride out this storm."

 

John Robb, auteur de "Brave New War" qui l'a propulsé à la tête d'une série de conférences devant le DoD, la NSA, le Center for Biosecurity..., livre sur son blog "Global Guerillas", una analyse lucide sur la situation économique mondiale: il ne s'agit pas d'une récession, d'une simple perte de volume économico-financier, mais d'un cataclysme: le vieux modèle ne reviendra pas. Or, combien de politiciens, d'économistes, d'énarques, tels des augures, nous annoncent des signaux de récupération, la fin de crise?


Plus rien ne sera comme avant mais tant que ceux qui sont chargés d'analyser la réalité, ceux qui sont charger de la gouverner ne l'admettent pas, le travail normatif sera cantonné à une fonction de maintien de l'ordre, du vieil ordre, qui se montrera de plus en plus répressif à mesure que la réalité refusera de lui obéir.

Le juriste actuel est à la croisée des mondes: à l'Est, un plongeon dans la réalité quotidienne que ce soit au parloir ou en entreprise, à l'Ouest, une formation sur les structures et les valeurs. Si le "juriste" accepte de prendre un nouveau positionnement, il a tous les atouts en main pour penser le nouveau monde et le structurer sinon il restera un "vieux du Restelo", ce personnage du poême épique portugais Les Lusiades qui condamnent les navigateurs partis découvrir un nouveau monde alors qu'ils auraient mieux fait rester et lutter contre les anciennes menaces; ce que le vieux n'avait pas compris c'est qu'en découvrant de nouveaux horizons, on change l'échiquier et ce qui était une menace peut devenir une opportunité.

Alice Lacoye Mateus0 commentaires

COISAS DO “ABALOZINHO”…

 

Sócrates, vítima do seu optimismo e voluntarismo, perdeu um ano (do Verão 2007 ao de 2008) antes de perceber a dimensão da crise e o seu significado. Manuel Ferreira Leite, ao falar agora de “abalozinho”, mostra o seu imenso e indesculpável atraso. Se num “engenheiro” essa incompreensão era, no verão de 2008, não aceitável  mas explicável, já não o é, de todo, em 2009, numa “economista”... E isto não tem nada a ver com "esquerda" nem com "direita", como provam as declarações (ver abaixo) de Sarkozy na OIT.  Talvez que este texto de Ambrose Evans-Pritchard, no Telegraph, a ajude:

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The unemployment timebomb is quietly ticking

One dog has yet to bark in this long winding crisis. Beyond riots in Athens and a Baltic bust-up, we have not seen evidence of bitter political protest as the slump eats away at the legitimacy of governing elites in North America, Europe, and Japan. It may just be a matter of time.

By Ambrose Evans-Pritchard  Published: 8:45PM BST 04 Jul 2009

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One of my odd experiences covering the US in the early 1990s was visiting militia groups that sprang up in Texas, Idaho, and Ohio in the aftermath of recession. These were mostly blue-collar workers, – early victims of global "labour arbitrage" – angry enough with Washington to spend weekends in fatigues with M16 rifles. Most backed protest candidate Ross Perot, who won 19pc of the presidential vote in 1992 with talk of shutting trade with Mexico.

The inchoate protest dissipated once recovery fed through to jobs, although one fringe group blew up the Oklahoma CityFederalBuilding in 1995. Unfortunately, there will be no such jobs this time. Capacity use has fallen to record-low levels (68pc in the US, 71 in the eurozone). A deep purge of labour is yet to come.

The shocker last week was not just that the US lost 467,000 jobs in May, but also that time worked fell 6.9pc from a year earlier, dropping to 33 hours a week. "At no time in the 1990 or 2001 recessions did we ever come close to seeing such a detonating jobs figure," said David Rosenberg from Glukin Sheff. "We have lost a record nine million full-time jobs this cycle."

Earnings have fallen at a 1.6pc annual rate over the last three months. Wage deflation is setting in – like Japan. Interestingly, The International Labour Organisation is worried enough to push for a global pact, fearing countries may set off a ruinous spiral by chipping away at wages try to gain beggar-thy-neighbour advantage.

Some of the US pay cuts are disguised. Over 238,000 state workers in California have been working two days less a month without pay since February. Variants of this are happening in 22 states.

The Centre for Labour Market Studies (CLMS) in Boston says US unemployment is now 18.2pc, counting the old-fashioned way. The reason why this does not "feel" like the 1930s is that we tend to compress the chronology of the Depression. It takes time for people to deplete their savings and sink into destitution. Perhaps our greater cushion of wealth today will prevent another Grapes of Wrath, but 20m US homeowners are already in negative equity (zillow.com data). Evictions are running at a terrifying pace.

Some 342,000 homes were foreclosed in April, pushing a small army of children into a network of charity shelters. This compares to 273,000 homes lost in the entire year of 1932. Sheriffs in Michigan and Illinois are quietly refusing to toss families on to the streets, like the non-compliance of Catholic police in the Slump.

Europe is a year or so behind, but catching up fast. Unemployment has reached 18.7pc in Spain (37pc for youths), and 16.3pc in Latvia. Germany has delayed the cliff-edge effect by paying companies to keep furloughed workers through "Kurzarbeit". Germany's "Wise Men" fear that the jobless rate will jump from 3.7m to 5.1m by next year. The OECD expects unemployment to reach 57m in the rich countries by the end of next year.

This is the deadly lag effect. What is so disturbing is that governments have not even begun the spending squeeze that must come to stop their countries spiralling into a debt compound trap.

French president Nicolas Sarkozy, with a good nose for popular moods, says: "We must overhaul everything. We cannot have a system of rentiers and social dumping under globalisation. Either we have justice or we will have violence. It is a chimera to think that this crisis is just a footnote and that we can carry on as before."

The message has not reached Wall Street or the City. If bankers know what is good for them, they will take a teacher's salary for a few years until the storm passes. If they proceed with the bonuses now on the table, even as taxpayers pay for the errors of their caste, they must expect a ferocious backlash.

We are fortunate that the US has a new president enjoying a great reservoir of sympathy, and a clean-broom Congress. Other nations must limp on with carcass governments: Germany's paralysed Left-Right coalition, the burned-out relics of Japan's LDP, and Labour's death march in Britain. Some are taking precautions: Silvio Berlusconi is trying to emasculate Italy's parliament (with little protest) while the Kremlin has activated "anti-crisis" units to nip protest in the bud.

We are moving into Phase II of the Great Unwinding. It may be time to put away our texts of Keynes, Friedman, and Fisher, so useful for Phase 1, and start studying what happened to society when global unemployment went haywire in 1932.

http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/ambroseevans_pritchard/5742937/The-unemployment-timebomb-is-quietly-ticking.html

SARKOZY NA REUNIÃO DA OIT

“TEMOS DE REVER TUDO...”

 

Sarkozy.jpg picture by claromotimeSarkozy, na reunião da OIT, em Genebra: “Temos de rever tudo. Não podemos ter, sob a globalização, um sistema de especulação, economia de renda e dumping social. Ou temos justiça ou teremos violência. Ou temos protecções razoáveis ou teremos o proteccionismo. É uma quimera pensar que esta crise é uma nota de pé de página e que poderemos continuar como antes...” Finalmente, um chefe de Estado que aparenta ter percebido o que se está a passar (e que aqui no CLARO tem vindo há uns bons três anos a ser tipificado como, ver tag ao lado, "mudança do modelo global"), não o confunde com um "abalozinho", tem propostas para discussão e ousa apresentá-las. E avança com ideias (que fazem sentido...) para conter dumpings sociais e ambientais a incluir na agenda da governança mundial do século XXI... E sugere alterações radicais ao edifício da governança mundial, cuja matriz ainda é a que saíu da vitória aliada na II Guerra e que já se revela incapaz de integrar as novas realidades surgidas pós-queda do muro. Bravo, Sarko!
 

La Mondialisation selon Sarkozy:

La Raison ou la Révolte


"Il y a deux types de mondialisation.

Celle qui privilégie la croissance externe, chacun cherchant par tous les moyens à prendre les emplois et les marchés des autres.

Celle qui privilégie la croissance interne, c’est-à-dire un modèle de développement dans lequel chacun produisant plus et consommant davantage contribue au développement de tous.

La première pousse à l’extrême la logique de la compétitivité à tout prix en recourant à toutes les formes de dumpings, à des politiques commerciales agressives, à l’écrasement du pouvoir d’achat et du niveau de vie.

La deuxième s’appuie sur l’augmentation de la productivité, l’élévation du niveau de vie, l’amélioration du bien être.

La première est conflictuelle.

La deuxième est coopérative.

La première oppose le progrès économique et le progrès social.

La deuxième au contraire les lie l’un à l’autre.

Tout l’enjeu aujourd’hui est de faire passer la mondialisation de la première logique à la seconde.

Ceux qui ne veulent rien changer prétendront que c’est chimérique.

Ma conviction est que ce qui est chimérique aujourd’hui, ce qui est irresponsable, c’est de croire que la crise est une parenthèse et que tout va pouvoir recommencer comme avant.

Ce qui est chimérique et ce qui est irresponsable, c’est de croire que ce système de spéculation, de rentes et de dumpings qui a enfermé la mondialisation dans l’impasse dans laquelle elle se trouve, va pouvoir continuer indéfiniment, que l’on va pouvoir continuer de tout donner au capital financier et rien au travail, que les marchés financiers vont pouvoir continuer à imposer à toute l’économie, à toute la société, leur obsession de la rentabilité à court terme dopée par de gigantesques effets de levier d’endettement.

Ce qui est chimérique et ce qui est irresponsable, c’est de croire que les peuples subiront sans rien dire les conséquences douloureuses de la crise, qu’ils ne réclameront pas plus de protection, pas plus de justice, qu’ils supporteront de nouveau, comme si de rien n’était, les parachutes dorés et les gains mirobolants des spéculateurs payés par leur travail et par leur peine.

Je crois profondément qu’il y aura dans le monde qui vient une exigence de raison qui s’exprimera avec tant de force que nul ne pourra s’y soustraire. Au nom de cette exigence de raison, il y aura des comportements qui ne seront plus tolérés. Vous l’avez d’ailleurs pressenti en mettant à l’honneur la notion de «travail décent».

Je le dis en pesant mes mots:

Ou nous aurons la raison ou nous aurons la révolte.

Ou nous aurons la justice ou nous aurons la violence.

Ou nous aurons des protections raisonnables ou nous aurons le protectionnisme.

Nous avons besoin de règles qui deviennent des normes et qui s’imposent à tous. Il ne s’agit pas d’harmoniser dans le détail toutes les législations du travail. Il ne s’agit pas d’imposer aux pays les plus pauvres les normes sociales des pays les plus riches. Mais il s’agit de mettre en place entre les nations un système de règles qui tirent tout le monde vers le haut au lieu de tirer tout le monde vers le bas.

Comment comprendre qu’une cinquantaine d’Etats dans le monde n’aient pas encore ratifié les huit conventions qui définissent les droits fondamentaux du travail? Quel monde voulons nous? Voilà la question que nous devons tous nous poser. La France, quant à elle, y répond en prenant l’engagement de ratifier prochainement la convention sur le travail maritime et la convention cadre sur la santé.

Le problème des normes sociales et environnementales est l’un des plus difficiles. Il nous oblige à nous interroger sur ce qu’il faut bien appeler « la marchandisation du monde».

C’est à dire l’extension progressive de la sphère marchande à toutes les activités humaines qui a été l’une des caractéristiques majeures de la mondialisation des vingt dernières années et qui a mis le droit du commerce au dessus de tout.

 

Mais la santé, l’éducation, la culture, la biodiversité, le climat, le travail ne sont pas des marchandises comme les autres. On sait l’énergie que la France a mise à faire valoir le respect de la diversité culturelle.

Elle mettra la même énergie à placer sur un pied d’égalité le droit de la santé, le droit du travail, le droit de l’environnement et le droit du commerce.

Elle mettra la même énergie à lutter contre la tentation du protectionnisme et à défendre l’idée que l’OMC ne peut pas être seule à décider de tout et que chaque institution spécialisée doit avoir sa part dans la définition des normes internationales et dans leur mise en œuvre.

Il faut plus de pouvoir, plus de moyens pour le Fonds Monétaire International, l’Organisation Mondiale de la Santé, l’Organisation Internationale du Travail pour que les normes qu’ils édictent ne restent pas lettres mortes. Et lorsque nous serons parvenus, à Copenhague, à un accord ambitieux sur le climat, il faudra que soit créée alors une véritable Organisation mondiale de l’environnement en mesure de faire appliquer les engagements qui auront été pris, je l’espère, par tous.

La gouvernance mondiale du XXème siècle ne peut pas être celle du XXIème siècle. Nous avons déjà trop attendu.

J’appelle à associer les grands pays émergents à la gouvernance mondiale. Nous avons trop attendu pour qu’ils soient représentés parmi les membres permanents du Conseil de sécurité. Trop attendu pour élargir le G 8 à 13 ou 14 membres.

Comment peut-on espérer gouverner le monde en laissant de côté plus de la moitié de l’humanité ?

J’appelle à soumettre le libre échange à une exigence de réciprocité. Sur ce point aussi nous avons trop attendu au point de dénaturer le libre-échange et de dresser contre lui ce qui devrait en être les plus ardents défenseurs.

J’appelle à ce que les interventions du FMI, de la Banque mondiale, des banques de développement, du PNUD soient soumises à une conditionnalité environnementale et à une conditionnalité sociale.


Il n’est quand même pas normal que le FMI ou la Banque Mondiale viennent au secours d’un pays sans qu’on puisse lui demander de respecter des règles élémentaires en matière d’environnement, de droit du travail ou de santé publique.

On ne peut pas accepter que l’aide internationale serve à encourager le travail forcé ou le travail des enfants ou une pollution qui menace l’avenir de la planète.

Mais, on ne peut aborder ce problème de la conditionnalité sociale ou environnementale sans poser la douloureuse question des politiques d’ajustement. Car on ne peut pas demander à un pays de respecter un certain nombre d’exigences sociales et lui imposer en même temps, comme on l’a trop souvent fait par le passé, des plans d’ajustement ayant des conséquences sociales et humaines désastreuses. Pour pouvoir donner des leçons, les organisations internationales doivent d’abord se les appliquer à elle-même.

On ne peut pas non plus exiger des pays pauvres et des pays émergents des efforts qu’ils ne seraient capables d’accomplir sans ruiner définitivement leur économie et leurs possibilités de développement. Les efforts demandés doivent être raisonnables et progressifs, et à tout effort doit correspondre une aide au développement accrue. C’est dire que l’on ne pourra progresser dans l’intérêt de tous que si l’effort est partagé, que si les pays les plus avancés sont capables de partager leurs rentes, de faire preuve d’une solidarité et d’une générosité bien comprises. Il n’y aura aucun progrès si l’aide au développement reste au niveau où elle est et si elle n’est pas regardée comme le complément indispensable des conditionnalités environnementales et sociales sans lesquelles la mondialisation est condamnée à l’échec.

Je voudrais proposer une autre révolution dans la gouvernance mondiale pour que les normes qui sont inscrites dans les accords internationaux soient effectivement appliquées. A quoi servent des normes qui n’ont aucun caractère obligatoire ?

Cette révolution repose sur l’idée que les institutions spécialisées puissent intervenir dans les litiges, notamment les litiges commerciaux, par le biais de questions préjudicielles.


Bâtissons ensemble cette nouvelle gouvernance mondiale pour que l'OIT puisse avoir son mot à dire auprès de l'OMC, du FMI et de la Banque mondiale dès lors que sont en jeu les normes fondamentales qu'elle est chargée de faire respecter!

La communauté internationale ne peut être schizophrène et ignorer à l'OMC ou dans institutions de Bretton Woods ce qu'elle promeut à l'OIT. C’est le rôle de la saisine préjudicielle d’éviter que cela se produise.

Ainsi le juge du commerce ne serait plus le seul à décider.

Ainsi le droit commercial ne serait plus le seul à prévaloir.

Ainsi l’OIT serait-elle obligatoirement saisie chaque fois que dans un contentieux impliquant des Etats une question relative au respect des droits fondamentaux du travail serait posée.

Le FMI serait obligatoirement saisi quand se trouverait posée une question relative au dumping monétaire ou à ce que l’on pourrait qualifier de «dumping prudentiel».

La future Organisation mondiale pour l’environnement serait obligatoirement saisie en matière de dumping environnemental.

De la sorte la logique marchande ne pourrait plus l’emporter sur toutes les autres et toutes les règles deviendraient véritablement des normes que chaque institution internationale spécialisée s’appliquerait à faire respecter pour ce qui concerne son domaine de compétence.

Naturellement, on ne règlera rien si on ne règle pas d’abord la question du capitalisme financier qui impose à l’économie et à la société son propre système et ses propres normes. Les réunions du G 20 à Washington et à Londres resteront dans l’histoire comme des étapes décisives dans la reconstruction d’un nouvel ordre mondial. A condition que les engagements qui y ont été pris soient tenus. Déjà beaucoup de choses ont changé, je pense en particulier aux paradis fiscaux. Mais dans beaucoup de domaines, il faudra aller beaucoup plus loin pour reconstruire un système financier qui finance davantage les entrepreneurs que les spéculateurs.

Il faut tout revoir: la surveillance prudentielle des banques, la réglementation des hedges funds, l’organisation des marchés, les règles comptables, les modes de rémunération. C’est le moment d’aller le plus loin possible. Ce n’est pas le moment de reculer. Nous n’avons pas de temps à perdre. Nous sommes passés au bord de la catastrophe. Faut-il prendre le risque de recommencer? Je sais bien que dans certains milieux, dans certaines administrations, parce que les marchés vont un peu mieux, parce que les spéculateurs se sont remis à spéculer, il y a la tentation de réduire la portée de ce qui a été décidé.

Céder à cette tentation serait une faute historique."

Wednesday, 08 July 2009

PSD... Luvas... PJ... BPN... Como...?

VEM AÍ GROSSA BERNARDA!
LuvasCTTPSD.jpg picture by claromotime
 

Dinheiro de luvas terá ido parar ao PSD

 

NELSON MORAIS

PJ acredita que ex-responsáveis e partido beneficiaram de um milhão. Falta apurar rasto final de verbas no BPN...

 

Polícias e Ladrões

É a história de “polícias e ladrões” contada pelo Tomás Vasques e que o CLARO também pode assinar. É uma história óbvia mas que para alguns é tudo menos clara… Quero dizer, é clara para toda a gente, excepto para alguns. Por isso, o Tomás tem de explicar a coisa pacientemente a uma senhora Fernanda. E é claro e bem didáctico:

 

Fernanda: penso que leu apressadamente o meu post. O meu curto texto nada tem a ver com quem dispara primeiro – polícias ou ladrões –, e muito menos com a apologia da violência policial injustificada. Tem a ver, isso sim, com a síndroma de uma certa «esquerda» que assenta em dois pressupostos: primeiro, as forças de segurança, nomeadamente PSP e GNR, em última análise, são um braço armado do Estado repressor que protege os «ricos» e reprime e mata os «pobres»; segundo, os «pobres» são sempre potenciais criminosos porque são marginalizados pelo Estado. E daqui, a desculpabilidade das suas acções. Nem um, nem outro dos pressupostos são verdadeiros. Mas, quando à luz destes pressupostos, numa situação como a que ocorreu no Domingo passado, num bairro da Amadora, a polícia dispara primeiro, cai o Carmo e a Trindade. Quando acontece o contrário, o «pessoal do costume» não tem uma palavra de solidariedade para com os polícias atingidos. E porquê? Porque não há que ter uma palavra com o «braço armado do Estado repressor». O meu texto só tinha este sentido.

A Fernanda pergunta-me: se o tomás ou alguém das suas relações um dia destes levar um tiro estúpido e injustificado da polícia vai achar bem e aplaudir? Penso que a pergunta só faz sentido se a Fernanda acha que eu ou alguém das minhas relações andamos no gamanço. Fora a ironia primária, isso é possível, mas é mais, muito mais provável eu levar um tiro estúpido e injustificado de alguém que me queira assaltar do que de um polícia. E, aqui, reside o busílis: nesta circunstância desejo que, antes do assaltante disparar, esteja um polícia por perto que, não tendo outro meio de o evitar, dispare primeiro sobre o assaltante do que este sobre mim.  Percebe Fernanda?”

 

Esperemos que sim, que tenha percebido... E que um dia ainda seja capaz de descobrir que um dos direitos fundamentais a garantir, sobretudo, aos mais frágeis e desfavorecidos é o direito à segurança que levou séculos, senão milénios, a conquistar e que é a base da liberdade, da dignidade e de alguma tranquilidade…

Monday, 06 July 2009

Pacheco na Sic com

“Pouca Qualidade”

 

Se ainda houvesse dúvidas sobre a “pouca qualidade” da comunicação social portuguesa, elas desapareceriam ao ver este “novo” programa da SicN que mete medo ao susto… Claro, o objectivo do programa não é mediático, é outro: preparar o futuro do dr. Balsemão. Esperemos para ver se Pacheco, à maneira de Hugo Chavez, também irá declamar, cantar, apresentar o seu poeta preferido, da importância dos poetas na sua vida, da origem da sua biblioteca, da origem da Marmeleira, da origem do camarada Mao, da família e das lutas operárias contra a carestia de vida (qu'isto da inflação negativa é mesmo um quisto), da origem da beleza e da assimetria da sua distribuição, da bandalhice dos jornalistas e da necessidade de não poder ser a comunicação social a seleccionar o que publica e da necessidade de o nomear "o grande educador da comunicação social". O pior de tudo é que Pacheco tem razão: a comunicação social portuguesa tem mesmo pouca qualidade. Prova? Em nenhum sítio do mundo com comunicação social de qualidade há programas destes, programas de Pachecos!
Pachecoanda.jpg picture by claromotime

TVI: o essencial e o acessório

Paulo Gorjão

Começo pelo acessório. É relativamente irrelevante se José Sócrates ou Mário Lino deram ou não o aval à compra pela PT de 30% do capital da Media Capital, detentora da TVI. Custa a acreditar que não o tivessem feito, como é óbvio, mas no fundo isso não passa de espuma.

O que me parece essencial é que 30% do capital da Media Capital volte para mãos nacionais, de onde, aliás, nunca deveria ter saído. A comunicação social é um dos centros de decisão nacionais cuja importância estratégica urge manter em mãos nacionais. Se a Prisa está com problemas de liquidez e se existe aqui uma janela de oportunidade, pela parte que me toca, não penso duas vezes: a PT tem todo o meu apoio, como cidadão e como português, nesta operação que permite colocar parte importante do capital da TVI, uma vez mais, em mãos nacionais.

Igualmente importante, a Telefónica prepara-se para entrar no capital da Prisa. A PT trava há anos uma guerra surda no Brasil com a Telefónica tendo como objecto o controlo da Vivo. É fácil de perceber que a entrada da Telefónica no capital da Prisa tem repercussões na relação de forças entre a PT e a Telefónica, razão adicional que, de um ponto de vista estratégico e de âmbito macro, me leva a ver com bons olhos a aquisição pela PT de 30% do capital da Media Capital.

Duas notas finais. Peço desculpa, mas José Eduardo Moniz não é nenhum modelo de virtudes na defesa da liberdade de expressão. Ainda não me esqueci da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI e do papel de Moniz nessa triste história. Não dou para o peditório do mártir Moniz, ponto.

Não acredito igualmente que José Sócrates estivesse a preparar a saída de Moniz. O primeiro-ministro pode ter muitos defeitos, mas não é burro. Se estivesse a planear um golpe contra Moniz não tinha feito as declarações recentes que fez em público.

Meteorologia política

no Conquilhas

Cavaco Silva não arriscou marcar as eleições legislativas no mesmo dia das autárquicas, como era seu desejo. E não arriscou por um simples motivo: as consequências eleitorais ao assumir publicamente a liderança do PSD. Ainda é cedo. 27 de Setembro é, pois, o dia que vai marcar o início de um novo ciclo politico: o ciclo da instabilidade governativa. Ainda por cima em tempos de vacas magras. Estão desenhados os contornos: um governo socialista com maioria relativa e uma oposição cerrada, no Parlamento, à direita e à esquerda; ou, em alternativa, um governo presidencial, também de maioria relativa, com a implacável oposição de uma «maioria de esquerda» no Parlamento. Numa ou noutras das soluções, a instabilidade e a paralisia governativa vão ser o pão-nosso de cada dia, com a recuperação da economia real a gemer por muito tempo. Mas é difícil fugir a estes contornos nos próximos dois anos. As presidenciais passam, então, a ser a chave do «problema». O presidente eleito terá de dissolver a Assembleia da República, a meio da legislatura, e aproveitar a «sua» maioria para a transformar em maioria parlamentar. Não é preciso comprar um GPS para conhecer o caminho: se o PSD ganhar as próximas eleições legislativas e, em consequência, se formar um governo presidencial, Cavaco Silva pagará a factura da governação. Manuel Alegre reforçará, então, as suas possibilidades de vir a ser o próximo presidente da República, resultado impensável noutro contexto. O que significa que o novo ciclo político vai durar apenas dois anos, na melhor das hipóteses. A coisa promete… fortes ventanias no litoral e neve nas terras altas.

Por Tomás Vasques às 16:01

Pró Investimento, Manifesto

Luís Nazaré, José Penedos e outros

contra os “28 velhos do Restelo”…

 

Luís Nazaré, José Penedos e mais umas dezenas de economistas lançaram também o seu manifesto. Que desfaz o dos “28 economistas do Restelo”, os tais que querem que tudo pare para que eles possam pensar. Se outro mérito não tiver, este manifesto “Pró Investimento” tem o imenso mérito de demonstrar, só pela sua existência, que o dos “28” não representa qualquer posição científica da “ciência económica” (cuja existência está ainda por demonstrar…) mas sim e apenas uma posição ideológica (ou talvez apenas um preconceito idiossincrático) de cada um desses economistas.

Mas tem mais méritos do que apenas esse, esta iniciativa de Luís Nazaré e José Penedos. Vale, por isso, bem a pena ganhar nuns minutos uma ideia das suas propostas. Parar é sacrificar o futuro, escrevem eles. Devia ser óbvio, sobretudo, neste país que tanto esteve parado e tanto se tem, por isso, inviabilizado. Não devia haver necessidade de o escrever. Mas, pelos vistos, há. E eles fazem, portanto, muito bem em escrevê-lo. Mas basta esta frase para perceber quão pouco temos avançado, nestas décadas. E quão desastrosa tem sido a hegemonia das forças da inércia, do complexo neo-corporativo e salazarento. Mais do que de “direita” e “esquerda”, é de forças da inércia (os 28 do Restelo) e de forças da mudança (este novo manifesto) que se trata.

Por mim, que estou de acordo com as linhas gerais aqui traçadas por Luís Nazaré, José Penedos e outros, parece-me faltar a este manifesto uma perspectiva do mundo (e da situação de Portugal nele) pós crise e faltar ainda um trabalho de inteligência económica e, sobretudo, estratégica. Mas é, desde há muito, o primeiro lampejo de lucidez e clarividência e, como tal, para princípio não está mal…

Portugal necessita de investimento público estratégico

Parar é sacrificar o futuro. 

1. Portugal confronta-se com uma dupla crise. Uma, de natureza conjuntural, é a tradução, no plano interno, da crise económica internacional. Outra, de natureza estrutural, é a expressão da incapacidade revelada pela economia portuguesa em se ajustar atempadamente às novas dinâmicas resultantes da globalização económica, em geral, e da sua plena integração na economia europeia, em particular.

 As manifestações da crise económica internacional têm uma tradução evidente na deterioração dos principais indicadores macroeconómicos: contracção do produto, quebra do investimento, aumento do desemprego, aumento do défice e da dívida pública, deterioração das contas externas e consequente disparo da dívida externa. A própria queda da inflação, se bem que podendo ter efeitos atenuadores pela via da manutenção ou mesmo do aumento do poder de compra dos estratos com emprego e rendimento estável, não pode deixar de ser vista como um reflexo da brutal desaceleração da actividade económica e da quebra da procura global.

 As manifestações da crise estrutural, por sua vez, são menos imediatas, na medida em que se estendem por um período mais longo de tempo, que se arrasta há mais de três décadas, praticamente desde que o País se confrontou com a necessidade de fazer face, simultaneamente, ao choque da integração europeia e às pressões da abertura à economia global.

 Com efeito, olhando retrospectivamente a evolução da economia portuguesa no pós 25 de Abril, e depois de um período de crescimento durante a segunda metade dos anos 80 até à crise de 1993, em boa parte induzido pela entrada de fundos comunitários e pela boa conjuntura económica internacional, constata-se uma progressiva perda de dinamismo e de capacidade competitiva, que se transforma em quase estagnação e em divergência com a Europa, a partir da crise de 2003 e até aos nossos dias.

 As causas da crise económica de expressão conjuntural transcendem a economia portuguesa e situam-se no plano mais vasto da economia global. São um resultado da acumulação de disfunções no sistema e de desequilíbrios no funcionamento da economia internacional, estimulados pelas políticas, hoje reconhecidamente irresponsáveis, de desregulação financeira e do laissez-faire das instituições de governança mundial. As causas da crise estrutural são mais específicas e residem nas debilidades endémicas da economia portuguesa.

 Estando interligadas e condicionando-se reciprocamente, ambas as crises não deixam, no entanto, de exigir atenções específicas.

 A resposta à crise conjuntural exige uma coordenação a nível europeu e mundial, bem como uma conjugação de políticas de contenção dos impactos mais negativos no plano económico e social e de ajuda à retoma, as quais não poderão deixar de se repercutir, como está a acontecer, na deterioração do défice interno e externo.

 A crise estrutural, por seu turno, impõe respostas mais profundas e de natureza estratégica, que devem privilegiar a diminuição das vulnerabilidades que têm vindo a ser evidenciadas pela economia portuguesa e pelo seu tecido empresarial: exige o reforço da coerência e da competitividade do seu aparelho produtivo interno e o aumento da sua capacidade de integração com sucesso nas novas dinâmicas da economia europeia e global.

 2. É precisamente neste perspectiva que os projectos estratégicos de obras públicas – o novo aeroporto e as ligações ferroviárias de alta velocidade, bem como a sua articulação com renovadas infra-estruturas marítimo-portuárias – devem ser considerados e avaliados.

 Uma economia como a portuguesa, pequena, aberta e periférica no contexto europeu, é fortemente tributária do investimento público e do papel estratégico do Estado para a criação de um contexto atractivo e das condições favoráveis ao desenvolvimento da iniciativa empresarial interna e externa. Esta, da qual depende em larga medida a produção de bens transaccionáveis, será cada vez mais sensível à qualidade da envolvente económica geral e à fluidez das ligações logísticas entre Portugal e o exterior.  Por terra, pelo ar e pelo mar.

 A proposta de suspensão e reavaliação dos investimentos públicos em infra-estruturas viárias e aeroportuárias pode colher uma fácil adesão, na actual conjuntura de crise e de restrições económicas acrescidas. Mas, na realidade, revela uma atitude demissionista e de impotência relativamente ao que pode e deve ser feito no sentido de melhor preparar o País para a recuperação sustentada da economia portuguesa.

 Na prática, parar os grandes projectos depois de anos e anos de estudos, de sucessivas decisões por parte de diferentes governos e dos custos já envolvidos, significa continuar a hipotecar o futuro do País a uma visão conservadora que recupera o essencial do pensamento económico que esteve na base do nosso atraso estrutural. Esta atitude não passa de um sofisma para continuar a pôr em causa todas as decisões que já foram tomadas: na altura própria surge sempre um argumento de oportunidade que faz com que tudo volte ao princípio. Não nos podemos esquecer de como se andou a discutir a construção de Alqueva durante penosos 40 anos!

 Pelo contrário, a aposta num projecto integrado e coerente de modernização e criação de novas infra-estruturas estratégicas – dirigidas aos meios terrestre, aéreo e marítimo - justifica-se, pelo menos, por três ordens de razões.

 Em primeiro lugar, porque irá permitir reforçar e dar maior coerência ao tecido económico e empresarial, superando constrangimentos fundamentais, valorizando as condições de atractividade do investimento externo de qualidade e criando uma efectiva capacidade de absorção e difusão no tecido empresarial dos efeitos directos e indirectos da presença do capital externo e da integração da economia portuguesa na União Europeia.

 Em segundo lugar, porque constituirá uma excelente oportunidade de valorização e integração das novas apostas nos campos tecnológico, energético e ambiental, onde as empresas portuguesas têm vindo a demonstrar um especial dinamismo e uma saudável visão de futuro.

 Em terceiro lugar, porque Portugal não pode alienar ou adiar a sua participação nas redes logísticas internacionais nem malbaratar a qualidade singular de um dos seus maiores recursos - a posição geoestratégica.  É fundamental valorizar e potenciar as relações com as Américas, a África e o mundo lusófono, transformando-as num factor de competitividade externa, num ambiente de preocupação acrescida com a segurança de abastecimentos e de diversificação de dependências.

 A aposta num projecto integrado e coerente de infra-estruturas estratégicas justifica-se sobremaneira num contexto de crise económica e de pessimismo generalizado, como é o actual, onde importa injectar confiança nos agentes, fornecendo um quadro claro e de longo prazo para o desenvolvimento da actividade empresarial, geradora de emprego e riqueza.

3. A saturação do aeroporto da Portela é uma evidência, ainda que momentaneamente mitigada por um decréscimo no tráfego aéreo. A breve trecho, a sua incapacidade de responder às necessidades da procura tornar-se-á flagrante, não se vislumbrando quaisquer hipóteses de expansão ou de combinação virtuosa com uma aerogare de segunda categoria, conhecidas como são as restrições aeronáuticas no espaço aéreo da grande Lisboa e a lógica operacional das companhias de aviação civil. 

A percepção de que a Portela tinha um prazo de validade limitado tem mais de 40 anos. Ainda antes do 25 de Abril, foi identificada a necessidade de construção de um novo aeroporto. As vicissitudes do processo democrático iniciado em 1974 acabariam por protelar o projecto, arrastando-o num carrossel de interesses e desinteresses, estudos e reformulações, a que as frequentes descontinuidades governativas e os objectivos político-partidários de curto prazo não foram alheios.

 O desafio, mais do que incremental, é estratégico. As infra-estruturas aeroportuárias são essenciais, quer para o desenvolvimento turístico quer para o tráfego internacional de mercadorias, e Lisboa possui as condições certas para se transformar num dos principais hubs entre a Europa e o Atlântico Sul. Perderam-se dezenas de anos a discutir localizações e interesses (como se eles não estivessem sempre presentes em qualquer situação, inclusive no status quo!), enquanto os nossos vizinhos espanhóis foram robustecendo a sua rede aeroportuária, atónitos perante a indecisão portuguesa. Esperamos que o novo aeroporto não chegue tarde demais.

 4. No caminho-de-ferro, o panorama é semelhante. Lisboa e Madrid deverão estar ligadas por TGV. Não por imperativo estético, mas pela absoluta necessidade de não ficarmos de fora da rede europeia de alta velocidade, a bem da mobilidade dos cidadãos (a actual ligação demora nove horas!) e da fluidez no transporte de mercadorias. Além do mais, é provável que a procura supere as previsões correntes. O TGV é hoje um caso de sucesso em toda a Europa, designadamente em Espanha, onde se verificaram surpreendentes externalidades positivas ao nível do desenvolvimento regional e do descongestionamento das grandes urbes.

 O Norte de Portugal, onde se concentra grande parte da actividade empresarial do País, não pode deixar de beneficiar desse potencial de desenvolvimento. O trajecto ferroviário Lisboa-Porto, com as suas inadmissíveis 2.45 horas de duração, é um constrangimento de peso. Não existe nenhum outro caso na Europa ocidental onde as duas principais cidades estejam ferroviariamente tão afastadas no binómio tempo-distância. Sendo certo que as questões fulcrais e visivelmente irresolúveis residem no actual traçado e no transporte de mercadorias, as quais afectam negativamente aquele binómio, a maior ou menor potência das locomotivas é um problema secundário. Do que não duvidamos é que urge aproximar Lisboa do Porto e o País, como um todo, da Europa.

 5. É certo que as apostas estratégicas devem ser reflectidas em todas as suas vertentes e tendo em conta todas as suas implicações, entre as quais a componente do financiamento e da sustentabilidade financeira a longo prazo. Sem dúvida que os montantes envolvidos implicam encargos avultados ao longo de muitos anos. Mas não é menos verdade que os mesmos têm como contrapartida activos de importância capital que serão deixados às futuras gerações, tornando Portugal melhor e mais competitivo.

 Como todas as apostas estratégicas, também estas devem ser sujeitas, no seu desenvolvimento e execução, a um rigoroso escrutínio, não só de carácter técnico e económico, mas também político, através da Assembleia da República e demais órgãos competentes. Admitimos, inclusive, que o seu desenvolvimento integrado, suportado por um sistema de coordenação eficaz, possa ser objecto de reajustamentos técnicos e de um faseamento ordenado, face às disponibilidades orçamentais e à evolução da situação financeira do País. Mas não aceitamos a discussão permanente e a indecisão.

 Por tudo isto, sentimos o dever de dizer presente neste debate tão essencial para a construção do futuro de Portugal. Porque pensamos que o progresso não se consegue apenas com apelos à prudência e à parcimónia. Porque pensamos que é necessário ter a coragem e o arrojo de ir mais além na criação de oportunidades de desenvolvimento do País.

José Mateus Cavaco Silva at July 06, 2009 00:54 | link | comments
Tags: portugal
Sunday, 05 July 2009

MANUEL PINHO FAZ ESCOLA!

Abençoada hora em que Manuel Pinho, fazendo um par de cornos, mandou aquela aldrabão da treta do comuna norte-coreano marrar com o comboio. Os cornos que Pinho mandou ao mentiroso estão a ser replicados por todo o mundo… A atitude fez escola. E ainda bem, como se pode ver pela foto. Obrigado a Pinho, por este belo efeito mimético!

4th of July: God Bless América

(que muito precisada anda…)



Foto picada aqui

Saturday, 04 July 2009

Ver Claro

Jorge Coelho criou um consórcio com a Sonangol, para os mercados públicos em Angola, com destaque para o sector da construção. A Sonangol tem 49% do (...)

Continua na Coluna do “Correio da Manhã”

José Mateus Cavaco Silva at July 04, 2009 20:24 | link | comments
Tags: ver claro

SARKOZY: SAGEZA E MESTRIA

de uma clareza e solidez demolidoras!

Nicolas Sarkozy face à l'ObsEn couverture
Nicolas Sarkozy face à l'Obs

Deux ans après son élection, Nicolas Sarkozy affronte dans un environnement tourmenté la seconde partie de son quinquennat. Crise, chômage, retraites, bouclier fiscal, ouverture, médias ou justice... Dans un entretien exclusif pour «le Nouvel Observateur»...

 

 

Sarkozy escolheu o semanário socialista «Nouvel Obsservateur» para a grande entrevista antes de férias. Não escolheu “amigos”, escolheu o mais imperdoável, para com ele, dos semanários franceses. Logo, o mais credível…

Face aos “ataques” do Nouvel Obs., o discurso de um Sarkozy, não à defesa mas aberto e claro, é de uma sageza e de uma mestria demolidoras. E, sobretudo, de uma clareza sem subterfúgios e de uma solidez inabalável. Construir um tal discurso dá muito trabalho mas, sobretudo, exige um gabinete de spin doctors em permanente trabalho de inteligência e dotados de muito conhecimento e de articulações e complementaridades. Não há aqui gente que “põe notícias”…

Mesmo na “auto-crítica” a algumas facetas comportamentais do passado, veja-se a forma singular como ele dá a volta por cima… Ou estude-se a maneira como ele desarma a questão do défice e até aproveita para dar uma lição e calar os críticos, que deixa sem possibilidade de resposta!

Há muito a aprender neste trabalho… Para quem for capaz e tiver a grelha e/ou a matriz necessária para detectar e, em seguida, descodificar e integrar todo o trabalho de “perceptions management” da máquina de Sarkozy! Mas, atenção, é para quem tenha instrumentos para isso… Os aprendizes de feiticeiro farão bem (a eles mesmos e seus clientes) em abster-se!

Friday, 03 July 2009

"28 economistas pedem paragem

das grandes obras para pensar".

Como eles pensam muito devagar...

Nunca mais será sábado, nem nada !

"Economistas pedem paragem das grandes obras para pensar"

 O velho sonho de “ditadura aristocrática” em que os critérios “científicos” (de facto, banalmente ideológicos) da tecnocracia se pretendem substituir à “ignorância” dos eleitores e suas escolhas. Uma outra forma de dizer a "suspensão da democracia" sugerida por Ferreira Leite (que, coitada, não percebeu que a registar-se o caso dessa figura, ela seria dos primeiros a ser "suspenso"...).  É uma história velha, essa pretensão tecnocrática e um pouco sinárquica, que já produziu dos piores desastres da história da humanidade. Neste caso, acresce ainda a miséria intelectual do “argumentário” que os "28 economistas do Restelo" foram capazes de produzir…

 A única conclusão possível deste “manifesto” é que estes economistas velhos (que nunca apresentaram obra…) são incompetentes para projectar o futuro. Tal como não foram capazes de prever a crise, são cegos para o pós-crise. Uma miséria normal quando se junta um bando de velhos do Restelo (Catroga, Silva Lopes…), um autista (Campos e Cunha) e um pivot político do PSD (Alexandre Patrício Gouveia) que empalmou todos os “idiotas úteis” disponíveis ou que iam a passar… O problema, para nós todos, é que a sua "iluminada" proposta propõe um país à medida da miséria intelectual deles!

O dilema das obras, de Martim A. de Figueiredo

“Os adiamentos de que falam PS e PSD nas grandes obras contrariam o último Nobel da Economia, mas confirmam o que dizem alguns pensadores conservadores. E agora?

“No editorial de sábado, que constitui a primeira parte deste texto (e que pode reler aqui, ao lado, em www.ionline.pt) explicava-se que mesmo entre grandes economistas as opiniões dividem-se sobre obras públicas. (…)

“Do lado do PS defende-se aumentar a dívida, argumentando que o pagamento é diluído por várias gerações (e é) e sublinhando que só o TGV criaria 56 mil novos postos de trabalho, elevaria o investimento privado e faria crescer o PIB. Esta é também a ideia do Prémio Nobel Paul Krugman . Sucede que Ronald Hutt explica que a criação de emprego que sempre se associa a investimentos em obras é uma ficção e nada semelhante à generosidade com que dele falam os governos. Repare-se na candura do argumento de Hutt: "Quando se diz que um bilião em novas estradas nos EUA gera 26 mil novos empregos, isso significa que um bilião deixa de ser investido noutro lado perdendo-se, aí, os empregos que esse bilião gerara." E uns não transitam para o lugar dos outros.

“ Do lado do PSD, desvalorizam-se as eventuais vantagens de gastar em obras e apontam-se baterias aos riscos do endividamento excessivo. O PSD diz mesmo que, feitas as contas, sairá mais barato desistir do TGV (pagando as "multas" a Bruxelas) - e por isso o melhor é adiar a decisão, e investir esse dinheiro na economia das pequenas empresas. Mas Krugman também é cristalino: "O aumento do défice será ainda melhor para a América se esse dinheiro for canalizado para a construção de estradas, reparação de pontes e desenvolvimento de novas tecnologias. Se o governo não gastar, o investimento privado e a economia vão colapsar." Ou seja, sem dívida a economia pode chegar moribunda às gerações que aí vêm.”

Desistir do futuro…

 “Investir” mais dinheiro (como quer Manuela Ferreira Leite e que foi um fartar vilagem, nos últimos 30 anos…) num tecido económico morto (não é aqui relevante a questão da dimensão mas sim a ausência de management, tecnologia, capital, canais de distribuição, posicionamento na cadeia de valor e, portanto, competitividade) será gastar em pura perda os pouquíssimos recursos ainda disponíveis… E, quando esses acabarem, não haverá mais e nem ninguém nos quererá adiantá-los.

 Não se pode pôr a questão em termos de “gastar mais” ou de “gastar menos”… Trata-se, sim, de gastar melhor e isto é gastar em, projectos inovadores que gerem serviços e produtos competitivos e de futuro.

 Temos aqui uma luta de classes, como diria a análise marxista: a aliança social-democrata (grande capital + trabalhadores por conta de outrém), aliança representada pelo PS de Sócrates, contra um pequeno capital sem recursos tecnológicos, sem gestão, sem mercados e… descapitalizado, representado por um PSD cada vez mais caído na tentação de ser o partido da direita populista!  

José Mateus Cavaco Silva at July 03, 2009 23:19 | link | comments
Tags: portugal, governo







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