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Competitive Intelligence & Perceptions Management
num Blog-Notas, para tornar o obscuro bastante mais...

CLARO
Sunday, 31 May 2009

Bombas atómicas à solta

 

“…o que mais me impressionou na palestra de Oliveira Costa foi precisamente a tranquilidade que revelou. O cavaquismo vai ter necessidade de negociar (internamente) um tratado de não proliferação de armas nucleares. As coisas são como são.”

 

No Câmara Corporativa

Google vai mudar a Internet...

 

E, como diz o meu amigo Pitigrili (que eu já não sei se é de Nova Iorque, Luanda ou Lisboa…), a utilização da net “vai mudar completamente dentro de poucos meses...”

COMO O NOSSO FUTURO

ESTÁ NO FUNDO DO MAR

(e nos confins do espaço)

 

O modelo global da economia é definido por indústrias motoras, uma dimensão espacial organizadora, estatuto da empresa, quadro de concorrência, etc. É tudo isto que está a mudar hoje, mesmo debaixo dos nossos olhos.

 

O automóvel, que foi a indústria motora do modelo saído da II Guerra e dinamizou a montante e a juzante inúmeros sectores e segmentos da economia (da metalurgia às auto-estradas…) está esgotado e não tem capacidade para responder aos desafios e necessidades que se começaram a manifestar…

 

A área espacial e organizadora do modelo explodiu no fim dos anos 80 quando implodiu o “muro de Berlim” e começaram a surgir novas realidades (que o velho figurino não conseguiu acomodar…) com a adesão da China à OMC e com a Rússia a integrar-se no mercado mundial…

 

O próprio quadro de concorrência começou a empalidecer e a ficar amarelo com os dumpings sociais e ambientais dos chineses e se, num primeiro tempo, isso pareceu positivo pois os baixos preços das bugigangas chinesas faziam descer a marcha da inflação e aumentavam o poder de compra dos assalariados euro-americanos, depressa se percebeu que esse pequeno ganho tinha um alto custo e que o quadro de concorrência estabelecido não comportava estas novas realidades…

 

Neste cenário, a empresa, como a conhecíamos desde 1945, começou a dar provas de incapacidade estrutural para responder aos desafios e se, nos anos 90, alguns correram atrás de ilusões (investimentos na China e etc.) também depressa perceberam que não tinham capacidade para pagar os custos dessas aventuras em que perdiam o controlo do andamento das coisas (veja-se o caso de algumas das maiores multinacionais do agro-alimentar e do automóvel). Assim se começou a colocar o problema da dimensão da empresa a que o krach de 2008 veio dar uma enorme visibilidade…

 

Na mudança de modelo global que estamos a atravessar, vão mudar, portanto, as indústrias motoras. O que ocupará o lugar do automóvel…? E que dimensão de investimento (capital e tecnologia) irá exigir…?

 

Num primeiro tempo, surgiu como candidato ao lugar o espaço, a industria espacial. Nela convergia uma série imensa de inovações, do software à nanotecnologia, e dela parecia emanar também uma série de serviços de valor acrescentado (de que já usamos alguns…) capazes de reorganizar o nosso quotidiano, como o automóvel fizera desde 1945.

 

Ao espaço começa a juntar-se o mar. Mas o mar visto numa perspectiva inovadora e só agora (tecnologicamente) possível.

 

Os confins do espaço e os fundos marinhos parecem assim posicionar-se para se colocarem no centro do novo modelo global. Quem se integrar e os integrar, ocupará um lugar no centro do modelo, quem ficar de fora é condenado a ser periférico, por largas décadas. Periférico e, claro, muito, mesmo, muito dependente. É por isso que tem toda a razão a investigadora da Universidade de Aveiro, Marina Cunha, citada mais abaixo:

 

No Semanário Económico:


“O cenário é feio, mas é muito valioso. Tão valioso que Portugal, Rússia, China, Malásia, Filipinas e mais três dezenas de países, querem ter direito a mais quilómetros de mar. O objectivo da disputa não é o de encher barcos com turistas e levá-los a passear longe para ver corais ou peixes coloridos. A atracção encontra-se a grande profundidade e nem todos os turistas podem gostar da paisagem.

 

A luz é ínfima, o silêncio é arrepiante e alguns seres vivos que ali habitam podiam entrar num filme de terror: tapetes de bactérias, seres parecidos com minhocas e quimeras - peixes com um aspecto bastante estranho e que poucos teriam coragem de saborear, mesmo servido num restaurante de luxo.


É no meio desta paisagem assustadora que se encontram verdadeiras preciosidades. Até pode haver cofres cheios de ouro, moedas e jóias perdidas em navios submersos. Mas os países que reclamam a extensão da plataforma para além das 200 milhas marítimas não são caçadores de tesouros. Ou melhor, até são. Mas estes tesouros podem ter forma microscópica.

 

Eles procuram minerais e moléculas para serem utilizados na indústria farmacêutica, níquel, cobalto, manganês, cobre e energias fósseis como o petróleo ou o gás. Quem tiver mais território marítimo terá mais êxito na exploração destes recursos. E isso vale dinheiro. Mais dinheiro do que os objectos encontrados no Titanic e leiloados pela Christie´s.


Um relatório das Nações Unidas estima que o mercado mundial da indústria farmacêutica assente em recursos marinhos valia 643 mil milhões de dólares em 2006. Em 2005, as vendas de produtos com substâncias vindas do fundo do mar para combater o cancro ultrapassavam os mil milhões de dólares. Por exemplo, um medicamento para o tratamento de doentes com Sida, baseado nestes recursos, rendeu 23 mil milhões de dólares.

 

Uma boa parte deste mundo submerso está ainda a ser explorada pela indústria das enzimas e dos cosméticos. Mais atraentes para o sector energético são os hidratos de gás. Acredita-se que contenham o dobro da energia de todos os outros combustíveis fósseis existentes.

 

"É um investimento muito importante no futuro. Se os recursos a nível terrestre estão ameaçados, os países viram-se para o mar", diz Marina Cunha, investigadora da Universidade de Aveiro. “

CLARO, COM CERTEZA!

Quem foi o parvo que disse que a loucura e o fanatismo tinham limites…? E quem foi o parvo que disse que não tínhamos que aturá-los…E mesmo que alimentá-los?

Ver claro

Irão em Angola

A petrolífera estatal iraniana Petropars meteu um peão em África ao conseguir a sua primeira licença de exploração. Teerão procurava há muito (...)

 

Continua na coluna dos sábados no “Correio da Manhã”, Ver Claro

"Why Women Mean Business" 

 

 

No Feminino Negócios destaca este livro sobre mulheres, feito por mulheres e destinado a ambos os géneros. Why Women Mean Business incide no potencial corporativo e diferencial das mulheres nas organizações.

Avivah Wittenberg-Cox, fundadora e responsável pela European Professional Women’s Network, e Alison Maitland, outrora jornalista do Financial Times, são as autoras de Why Women Mean Business: Understanding the Emergence of our next Economic Revolution, ainda sem tradução disponível em português.

O livro é dedicado à womenomics, a revolução económica, despertada nos últimos 30 anos, com origem no crescente poder e potencial das mulheres dentro das organizações… Continua
AQUI

                                                                                                                             


 

General Lemos Ferreira: "Esta crise
não será facilmente ultrapassada…"

 

na TDS news



 

DA FORMAÇÃO DO MUNDO

Realidade, mediatização, "actualidade" e percepção da violência, no mundo hipermediatizado deste início de século XXI ou como " cette (re)présentation médiatique sélective de l'information "formate " une image du monde"… Que se torna, digo eu, o mundo (possível) de quem o vê e assim o forma. Um problema (ou o seu quadro, apenas) da percepção do mundo, da formação do mundo de cada um e, portanto, uma questão de perceptions management…

Géographie de la ville en guerre: Les médias,  la violence,  l'événement  et  le haut-lieu

mercredi 8 avril 2009

Plusieurs billets de ce blog ont posé la question de la création de l'événement par le biais des médias et, à l'inverse, "l'oubli" de certaines informations devenues trop "ordinaires" pour devenir des actualités (sur)médiatisées. Le sensationnel fait-il (ou doit-il faire) l'actualité ? Cette question s'est posée, dans ce blog, autour des violences à Mitrovica (ville qui a "disparu" de l'actualité médiatique, à l'exception de quelques articles lors de "moments" forts tels que l'auto-proclamation de l'indépendance le 17 février 2008 et l'anniversaire de ce "événement"), mais également les violences dans la ville de Bagdad, devenues "ordinaires", non dans leur "réalité" mais dans la perception qu'en a l'opinion publique, dans la façon dont les lecteurs/téléspectateurs des médias occidentaux "reçoivent" cette information.

Cette (re)présentation médiatique sélective de l'information "formate" une image du monde : quels sont les moments qui nous sont montrés ? Que nous disent ces événements sur les menaces, les risques, les dangers dans le monde actuel ? Quels sont, au contraire, les moments qui nous sont "cachés", devenant ainsi des non-événements, non pour l'importance de l'action, mais parce que leur non-présentation les fait devenir de simples "faits ordinaires" ? Il y a des moments qui "méritent" (le mot est volontairement provocateur) de devenir des événements, tandis que d'autres peuvent être oubliés dans cette information, dans cette mise en scène des dangers du monde, rythmée par la vitesse et "l'immédiat".

Et les lieux ? Des zones, des pays, des régions entières sont absents de l'actualité. Ou peu (re)présentés : mardi 7 avril, des violences en Moldavie. Mais que sait-on le reste du temps de la Moldavie ? Comment analyser ces violences ? Sont-elles structurelles ou conjoncturelles ? Combien de personnes, tout simplement, savent placer la Moldavie sur une carte (sans être très précis : la Moldavie, c'est sur quel continent ?), ou connaissaient même avant-hier le nom de cet Etat ? Provocateurs, ces propos ? Peut-être pas tant que cela. En tout cas, il est sûr qu'il existe des faits et des lieux qui sont fortement médiatisés, et ainsi transformés en événements et en hauts-lieux, alors que d'autres sont "oubliés", comme "rayés" de la carte de notre imaginaire collectif.

Une étude sur les moments et les lieux (re)présentés dans les médias permettrait certainement de montrer de façon plus rigoureuse comment des faits et des lieux sont mis en scène ou au contraire ignorés par les médias. Les médias participent à notre représentation du monde (tout particulièrement dans ces dangers), mais parallèlement, ils répondent avant tout à la demande du public (la question de l'audimat ou des ventes), et donc montrent ce que l'opinion publique attend. C'est donc un double mouvement. Il s'agit là de montrer avant tout un problème : les médias, par leurs "sur-objets" et leurs "non-objets", entre surmédiatisation et oubli, formatent-ils notre conception du monde qui elle-même est déjà ancrée dans l'idée de menaces ?

Géographie de la ville en guerre Tratnjek Bénédicte

BOLERO DE RAVEL
grande orquestra, excelente som, boa imagem

Friday, 29 May 2009

José Gouveia Barros, juiz desembargador do Tribunal da Relação de Guimarães, falou com vários jornalistas "Juíz assume que decidiu com papéis"

 

in CM

 

E não se pode mandar este juíz prá Rússia...? Vendo bem, ele ia para lá e a miúda vinha para cá. E tudo ficava resolvido e para o bem de todos!

Thursday, 28 May 2009

Nesta foto, Dias Loureiro… falta !

DiasLoureirofalta.jpg picture by claromotime

Wednesday, 27 May 2009

CHRISTIAN HARBULOT PROFERE

CONFERÊNCIA NO TAGUSPARK

 

 

Conférence Intelligence Economique à Lisbonne

 

25/05/2009 : Christian Harbulot participera, le 04 juin 2009 à la conférence sur l'intelligence économique au Taguspark à Lisbonne, le plus grand centre de Science et Technologie au Portugal et la plus forte concentration NTIC au Portugal.
En savoir plus

 

CONSELHOS MÉDICOS...

Como não ficaria bem comigo se alguma informação necessária à vossa vida vos faltasse, por eu a ter guardado e "congelado", aqui deixo alguns bem avisados conselhos médicos... Só para que ninguém exagere e acabe vítima da sua ignorância!
Onanisme.jpg picture by claromotime

 

UM NOME? TODO UM PROGRAMA...

 

Ora aqui está uma rua com nome bem sugestivo... Pergunta uma pessoa a outra “então e tu onde moras?”... Responde a perguntada, “eu, na rua Donnacona”... Pois, com certeza, claro!


RueDonnacona.jpg picture by claromotime

Tuesday, 26 May 2009

Carla Bruni, wife of French president Nicolas Sarkozy, naked in photo to be auctioned at Christie's

CARA BRUNI

 

Nude photo of Carla Bruni in bed to be auctioned in Berlin

 

O Telegraph noticia que “a nude photo of France's First Lady entitled "Carla Bruni in bed" will go under the hammer next week in Berlin.

 

The intimate image of the 41-year-old wife of Nicolas Sarkozy was taken by Pamela Hanson, the US photographer, and shows the former supermodel lying on a bed, her body partially covered by a white sheet.

Only ten numbered copies exist of the black and white print - taken in 1994 at the height of Bruni's modelling fame when she was 26 years old and dating Mick Jagger.

 

Já há umas semanas, “a Carla Bruni nude portrait sells for £45,000. The black-and-white picture, which shows the wife of President Nicolas Sarkozy standing bare-breasted and pigeon-toed, was bought by an unnamed Chinese art collector.

”Christie's the auction house said the image, taken by photographer Michel Comte in 1993, fetched more than 20 times its expected price.

”Miss Bruni may be France’s new darling, but if price is any indication, she has some way to go to eclipse 1960s beauty Brigitte Bardot.”  No
Telegraph

 

Com crise ou sem crise, com mais ou menos “estoiros” do sistema financeiro, pelos vistos, ainda há amadores de fotografia dispostos a abrir os cordões à bolsa...

 

Monday, 25 May 2009

No "Casus Belli"

Guerre économique,

un état des lieux

 

fest_geo L'association Anteios organise, du 12 au 14 juin prochain à Grenoble, un colloque consacré aux nouveaux acteurs et aux nouveaux enjeux de la guerre économique. Les organisateurs visent large et proposent un programme qui fait la part belle à la guerre informationnelle dans ses multiples déclinaisons : les fonds souverains, le crime organisé, les ONG, la guerre économique vue du Japon, des Etats-Unis ou de l'Allemagne,  la géopolitique du cinéma, la criminalité informatique, la contrefaçon... Un beau programme qui pourrait être résumé par l'intitulé d'un atelier consacré à "la conflictualité informationnelle".
A noter également, la présence d'un grand témoin au discours souvent dissident :
Emmanuel Todd.

Source :


Sur le même thème :

 

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Tags :
géopolitique, influence, infoguerre, intelligence économique, économie

Prof Joseph Nye Elogia

o Soft Power da China

 

Ver Aqui :


Sobre o mesmo tema no “Casus Belli”: 

JOHNNY CASH: ABOUT HER…

”I forgot more than you’ll ever know!”

FUNDOS SOBERANOS…

Perceber a ameaça deste novo fenómeno e evitar velhos reflexos e outras muito datadas banalidades ideológicas ao que é novo! Claro, repetir o vade-mécum é fácil e tentador… E estudar dá realmente trabalho!

« Un éditorial de El País critique l'intervention de Nicolas Sarkozy devant le Parlement européen le 21 octobre. En effet, le président a lancé une nouvelle offensive contre les fonds souverains étrangers :"Je n'aimerais pas que les citoyens européens, dans quelques mois, se réveillent en découvrant que les sociétés européennes appartiennent à des capitaux non européens qui auraient acheté au plus bas du cours de la Bourse, à vil prix.". La solution serait donc la création de fonds souverains européens.

L'éditorial résume cette proposition à une manifestation de l'esprit interventionniste français. Pourtant, une prise de participation d'un fond souverain dans une entreprise correspond substanciellement à una nationalisation transfrontalière. Je ne vois donc pas oú est le problème de riposter avec des instruments également étatiques: les règles du jeu doivent être les mêmes pour tous. L'ancrage des Etats Unis ne les a pas empêcher de comprendre cela et d'interdire certains insvestissements de ces fonds.

Par ailleurs, il est urgent d'égaliser les marges de manoeuvre car la crise ouvre d'immenses poissibilités d'investissements à des fonds dont la manne est souvent pétrolière. Or, les participations que les fonds souverains russes, chinois, saoudiens... ont effectuées jusqu'à présent n'ont rien d'innocent et se placent, bien au contraire, dans des secteurs stratégiques: banques, aéronautique... alors même qu'ils sont encore moins soumis aux règles de transparence financière que les acteurs financiers qui connaissent aujourd'hui la crise!(voir : "Les fonds souverains, la conquête de la politique par la finance" sur www.infoguerre.fr)

Publié par Alice Lacoye Mateus à l'adresse 11:30 0 commentaires

Libellés : crise financière, fonds souverains, guerre économique »

                  Lex Appeal

    Le monde change. Que fait le droit?

 

                                                                                                                                   

Sunday, 24 May 2009

John Robb: O Último Post,

antes do possível regresso

 

THE BUBBLE

Nearly the entire world's population of 6.7 billion is now mediated in some form -- via phone to radio to TV to Internet -- and a majority have been mediated by two-way technologies.  For example, over 60% of these people or 4 billion now have wireless phones up from 15% in 2002, and another billion will have them in a year).  It's extremely hard now to find a sizable population from the Niger Delta to the Swat Valley in Pakistan to the favellas of Sao Paulo that haven't been fundamentally changed through connection to the global media sphere that:

  • Shapes their perceptions
  • Drives organizational design and interpersonal contact 
  • Reorganizes their view of the world

There's no reason to think it will stop here.  Each iteration of connection is deployed faster than the previous and the value of being connected to the network (not only through Metcalfe's law but through radical improvements in the quality of the connection) is growing exponentially.  This likely means that every significant social movement, conflict, innovation, etc. will start/erupt in some corner of this media sphere and virally propagate within it.  

 

So, in short, if you want to accomplish anything in the future, you must be deeply connected to this media sphere, accomplished in its use, and immersed in its flows.

The Bubble

Bubble_boy2This insight is why the Pentagon's approach to the global media sphere is so hilarious.  Bathed in a world view dominated by deprecated cold war logic/secrecy, it is in the process of trying to create an impervious bubble to shield itself from the very environment within which it is expected to fight.   This can be seen in everything from a growing plethora of buildings that bar any and all communication devices to the blocking of Web sites that contain dangerous ideas.  Bill Lind has a great post on this:

 The goal of the website blockers, it seems, is to cut American military men off from any views except those of DOD itself. In other words, the blockaders want to create a closed system. John Boyd had quite a bit to say about closed systems, and it wasn’t favorable.

In fact, John Boyd said that closed systems tend towards insanity (talking to itself without reference to the outside world).  He also made a great case that the ultimate goal of grand strategy is to "disconnect" or "isolate" the enemy on the moral, psychological, and physical levels while improving your own connectivity on the same level.  So, in essence -- by blocking access, hyping the threat posed by Chinese citizen hackers, and locking down facilities -- the US military is self-inflicting grand strategic failure on itself.   US servicemen are now being increasingly reduced to a level of isolation on par with an immunologically suppressed "bubble boy."  

Another approach is for the US military to learn to learn live in this media sphere.  To leverage it and operate within it on a level that befits the trust and treasure we routinely imbue it with. 

Avoiding it, by claiming it is too tough an environment for the US military to operate, is a path to complete obsolescence.

Depois deste post, John Rob interrompeu o “Global Guerrillas”, está “taking a break “ e… “Not sure when I will be back”. Ok, mas que volte. A sua invulgar e original visão faz falta. Well, see you later, innovator!

Saturday, 23 May 2009

Festa a crédito… terminou em Espanha

Antes da crise estoirar, o volume de crédito em Espanha crescia a taxas recorde de 25%/ano. Resultado: as famílias espanholas são as mais endividadas da Europa ocidental e as empresas têm um endividamento duplo das francesas ou alemãs. Tudo isto torna a saúde relativa da banca espanhola muito… provisória!

Continua aqui in “Ver Claro”, a coluna no Correio da Manhã

Que é isto a que chamamos Estado?

 

“No caso Freeport, não se trata apenas de saber se a ética, em certo momento, cedeu ou não à tentação, mas de perceber o que é isto a que em Portugal, por falta de outro termo, chamamos Estado. É um autêntico Estado de direito democrático, operando regularmente, ou o brinquedo de um clube de cavalheiros que tudo se permitem a si próprios?  

 

Rui Ramos, in CM

 

Muito bem visto e questionado. E claro que – digo eu - “isto” não é “um autêntico Estado de direito democrático, operando regularmente”, mas sim - e como já o é há quase uma longa dezena de décadas -  “o brinquedo de um clube de cavalheiros que tudo se permitem a si próprios”.

 

A interpelação de Rui Ramos tem, do meu ponto de vista, toda a justeza e aciudade. Só é pena que surja a propósito do caso Freeport, um caso de “guerra de informação” que é um envelope vazio (como daqui a uns tempos convenientes os senhores do Direito (que não da Justiça) irão provar…

 

A propósito da diferença Justiça/Direito nunca poderei esquecer um exame na Univ de Louvaina em que o prof perguntava “qu’est ce que c’est, selon vous, le Droit et la Justice”… E, perante as longas elucubrações do aluno, o prof interrompeo-o e disse: “c’est pas mal mais c’est confus, sachez que le Droit c’est un code et la Justice c’est simplement rendre à chacun ce que lui est du”. Para quem sabe, as coisas são sempre simples… Duvido é que se ensine disto nas nossas faculdades de Direito.

Friday, 22 May 2009

CRISE E MUDANÇA DE MODELO

NÃO CHORAR PELO LEITE DERRAMADO!

.
Síntese do dia:

France: panique sur l'investissement; Allemagne: plongeon historique du PIB ; Etats-Unis: menaces de déflation... ; Le PIB japonais en chute libre !

.
E ainda:

Matières premières: flambée des prix du sucre ; British Airways voit l'avenir en noir ; Goodyear supprimerait 870 emplois à Amiens ; Le Trésor américain renfloue à nouveau GMAC ; British Airways accuse une perte annuelle sans précédent ;  BankUnited, plus grosse faillite bancaire américaine de l'année ; Sony veut réduire de moitié le nombre de ses fournisseurs ; Comment la Californie peut s'en sortir ; Nokia : ralentissement des ventes et suppressions d'emplois ...
.

Et voilà, quem não percebeu há, pelo menos 2 anos, que vinha aí a grossa tormenta do afundamento (e respectivos estertores de finamento) do modelo global nascido em 1945 e em simultâneo a emergência (e as dores de parto) de um novo modelo global com novas referências, novas hierarquias, novas indústrias motoras, novo estatuto/dimensão da empresa e novo quadro de concorrência... Bom, quem não o percebeu, perdeu muito tempo e isso pode-lhe agora ser fatal. Tanto a empresas como a Estados! Agora é tarde e, portanto, quem não o percebeu, tivesse-o percebido... Ou, se não era capaz de o fazer, contratasse a Inteligência Competitiva necessária. Agora é que já não vale a pena chorar pelo leite derramado!

Monday, 18 May 2009

AI MANUELA… AI MANUELA!

(rumbalarumbala-rumbalarumbala…)

 

8x3_lowO título é de uma velha canção do trovador Patxi, a retomar a Carmela da guerra civil espanhola. O conteúdo é sobre desgraças mais actuais. É a conjuntura desta coisa e os seus horríveis cartazes vistos por um olhar de fora, o de Jordi Joan Baños , do jornal “La Vanguardia”. Leia, é muito instrutivo:

 

“Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio.

 

En realidad, las esperanzas de Ferreira Leite no son muchas. Una mayoría de portugueses hace un balance positivo de la socialdemocracia light del Partido Socialista de Sócrates y de sus intentos de racionalización de la administración del estado...”

Sunday, 17 May 2009

A CRISE TRAZ GRANDE

MUDANÇA ESTRUTURAL

 

O pêndulo guinou para o capitalismo de Estado, é o fim do mercado livre? A pergunta é de Ian Bremmer, em artigo na Foreign Affairs. Bremmer responde aqui às questões de Jorge Nascimento Rodrigues. Esta entrevista pode ser complementada com o artigo de JNR, publicado no caderno de Economia do Expresso, “Os quatro cavaleiros do estatismo”. Começa-se, finalmente, a perceber o que já era claro há quase meia-dúzia de anos: a emergência de um novo modelo do sistema global que, se já era fortemente provável, foi tornada inevitável pela entrada da China no sistema económica global, formalizada com a adesão à OMC/WTO. A geo-política regressa, já aí está, em força. E quem (empresas e estados) não o perceber a tempo vai pagá-lo fortemente... talvez até com a vida!

 

The coming back of state capitalism

An interview with Ian Bremmer, president of the Eurasia Group. Bremmer just published a «shocking» article at Foreign Affairs magazine questioning «The End of the Free Market?». «State Capitalism comes of Age» (FA, May/June 2009, volume 88, number 3) is an inspiring article for a political and economic discussion that is essential for the coming years, during and beyond the current Great Recession.

An interview by Jorge Nascimento Rodrigues  

BREMMER’S INTERVIEW IN BRIEF

. «But angry activist response to the global economic crisis—and the fact that the crisis originated inside western financial institutions—provided the real tipping point. »
. «There is no “global financial crisis,” because there is no real financial crisis inside state capitalist countries.»
. «The conflict between liberalization and increased state intervention will not take place within these developed states. It will take place internationally, as we see these competing models create friction in international politics and global markets.»
. «The most surprising of these horsemen would probably be the sovereign wealth funds (SWF), because they rocketed to prominence so quickly.»
. Two major risks: stiff innovation for growth and rising protectionism in world trade

INTERVIEW
Q: What was the main reason for the coming back of state capitalism around the world? The recent policy activism against the global crisis or the longer geopolitical transition with the emergence of new great powers using various state “tools” in its go-global strategies?

A: The rise of state capitalism really began several decades ago with the rise in importance of oil in the global economy. It accelerated with the growth in importance of emerging markets to global economic growth. But angry activist response to the global economic crisis—and the fact that the crisis originated inside western financial institutions—provided the real tipping point. An important additional point: there is no “global financial crisis,” because there is no real financial crisis inside state capitalist countries. There is a global recession brought about by the developed world’s financial crisis. China, for example, doesn’t have a liquidity problem. Its economy has taken a hit because consumer demand for Chinese-made products inside the European Union, the United States, and Japan—it’s largest trade partners—has fallen sharply. China has plenty of money with which to begin financing the next phase of its expansion.

This is not a return of socialism or even Marx’s revenge

Q: Are we assisting to the swinging of the pendulum in economic doctrines? State interventionism won the “battle” against the deregulation and privatization wave of the 1980s?

A: Only a bit. Certainly, we’re going to see a lot of partisan political rhetoric inside the United States around this subject—and there’s a real risk of over-regulation in the US, Europe, and Japan. But it’s highly unlikely that any of these countries will simply embrace state capitalism. In other words, the conflict between liberalization and increased state intervention will not take place within these developed states. It will take place internationally, as we see these competing models create friction in international politics and global markets.

Q: From a theoretical point of view these new trends are the coming back of the socialist mantra (even some talk of Marx “revenge”)? Or these economic fragmented arguments - for the moment not yet an articulated theory- are nowadays basically a disguise for geopolitics action for certain emergent powers or populist politics for certain politicians?

A: This is a good question. No, this is not a return of socialism. This is capitalism as practiced by the state. That’s a very big difference. It’s capitalism with a different set of rules and a different cast of characters. In a political context, state capitalism makes sense as a tool for authoritarian governments, because it allows them to micromanage both political and economic challenges that have a direct impact on state stability. But in an economic context, state capitalism is not a particularly efficient engine for long-term expansion. You get excessive leverage and high growth…until you don’t. By the way, the financial crisis and global recession have revealed that the lack of regulation of recent years is hardly a durable model for long-term growth either. There is a delicate balance between these two extremes that policymakers all over the world will have to find.

Q: From the “four horsemen” of state interventionism - SWF, state “strategic” companies (full owned by the state or with golden shares, including the energy sector), privately owned “national champions”, and government policies - which examples from reality surprised you more?

A: The most surprising of these horsemen would probably be the sovereign wealth funds (SWF), because they rocketed to prominence so quickly after having existed as a very small factor in global market performance for many years. Over-leverage has made them much more influential.

China tops the list…of the likeliest winners

Q: As in the 1890s and 1900s with the new financial capital or in the 1970s with the Pension Fund Revolution (Peter Drucker coined the concept), are we living now a new profound world financial restructuring after the crash of the “innovative financial vehicles” of the last Wall Street bubbles? Who will gain the race?

A: There is a restructuring underway, and there will be clear winners and losers. Of the likeliest winners, China tops the list. Beijing has responded to its economic slowdown with a massive state spending spree, and it has the reserves to do a lot more. Once China resumes its former growth pace, its large supply of low-cost labor and growing capacity for innovation in higher value-added manufacturing sectors will still be there. Politically speaking, 30 years of double-digit economic growth has earned the communist party leadership a lot of domestic political capital, and despite the social turmoil provoked by growing gaps between rich and poor, severe environmental damage, endemic local-level corruption and other chronic problems, hundreds of millions of Chinese citizens are freer today than they’ve ever been to decide how and where to live. As a result, the leadership has proven a major beneficiary of a rising tide of national pride. We’ll find more winners in the Persian Gulf. Major Arab energy producers like Saudi Arabia, the United Arab Emirates (Abu Dhabi, not Dubai), and Qatar are coping well with the global slowdown, despite the fall in energy prices since last summer. For the most part, gulf banks avoided exposure to the financial products that did so much damage in the west, and budget planners in these governments made wisely conservative assumptions about crude oil prices. Brazil will also re-emerge from the financial crisis with it status as an emerging market power intact. President Lula da Silva has helped forge a consensus in favor of responsible macroeconomic policy that spans most of Brazil’s political spectrum. His still high public approval ratings suggest his government will ride out the current crisis with its market-friendly reputation secure. India has several advantages which help limit political risk in the country. Most important is the decentralization of economic power that ensures that, though reform often proves a (very) slow process, Delhi’s enormous state bureaucracy can no longer easily obstruct the entrepreneurial talents and energies that have transformed the country over the past two decades.

Risks in Russia

Q: And those who won’t fare so well?

A: Among the countries that won’t fare as well is Russia, where there is a growing risk of elite divisions over economic policy—particularly if the slowdown creates severe hardships and high unemployment in many of the one-company towns in the Urals and Siberia. Infighting among key politicians in Ukraine prevents its government from moving forward on implementation of changes needed to ensure IMF help is not delayed. In turkey, conflicts between the ruling Justice and Development Party and influential secularists among the country’s media, military, and business elite have alternated between simmer and boil. These tensions aren’t likely to be resolved anytime soon, distracting the government from the kinds of reforms needed to address serious structural problems. Finally, the dollar will probably eventually take a hit, but that’s a longer-term issue.

Q: Innovation, and particularly innovation diffusion through the economic tissue, is the engine of growth. State pro-activism is good for some breakthrough projects, like the Soviet Space Korolev program in the 1950s or the DARPA in America in the 1960s. But it is poor in the diffusion phase. The new trend will stiff innovation and growth as the Soviet implosion reminds us?

A: That’s right. Innovation in these states won’t be as efficient—and, as a result, global growth won’t be as robust. Over the longer-term, however, technological innovation will have a transformative effect.

Q: The rising of state interventionism grows the risk of protectionist policies around the world? WTO will have a bad time?

A: It certainly does. This is something that believers in free markets in the West must fight hard to resist, even though worsening economic conditions will always incentivize populist/protectionist policies.

G20: G-to-zero?

Apetece perguntá-lo depois de Banco Mundial e FMI, muito discretamente, reconhecerem que a crise se agravou muito desde a reunião de Londres, que é (...)

 in Ver Claro, a coluna dos sábados no “Correio da Manhã”

QUERES DINHEIRO VAI

AO TOTTA/SANTANDER

 

O despacho de Vasco Valdez, no tempo em que Ferreira Leite era ministra, é considerado legalTutela de Manuela, nas Finanças, deu uma boa ajuda ao Totta A operação traduziu-se num benefício fiscal de "cerca de um milhão de euros", depois de ter saído do Governo e antes dos três anos previstos na lei, Ferreira Leite era administradora não-executiva no Banco Santander de Negócios. Em 2007, ganhou quase 83 mil euros em salários. Este caso, noticiado no “CM” de 16 Maio 2009, configura uma situação típica do “complexo neo-salazarento e corporativo”, de que uma das características é precisamente, como aqui o temos definido, essa de fazer “os seus negócios privados com os dinheiros públicos, mesmo se tal passa pela "sedução" e manipulação de agentes e de dirigentes da instância política e do aparelho burocrático do Estado”, como aqui se escreveu há bastante tempo. Claro que, além do mais, o impacto negativo destes casos na competitividade é enorme. Se faltasse ainda alguma coisa para demonstrar e provar que este complexo' é anti-económico e fatal para Portugal, Jorge Nascimento Rodrigues supria tal lacuna em o Compadrio político mata competitividade, onde escreveu: “que o compadrio político é um cancro nas economias é algo empiricamente constatável. E frequentemente noticiado. Mas falta avaliar o seu impacto na gestão e na própria criação de riqueza. Parte dessa lacuna foi, agora, preenchida por uma investigação académica dirigida pelos professores Raj Desai e Anders Olofsgard para o Brookings Institution norte-americano. A conclusão é arrasadora: o compadrio político é antieconómico. O estudo, intitulado ‘Do Politically connected firms undermine their own competitiveness?’, demonstra com base num inquérito, entre 2000 e 2005, a um universo de 10 mil empresas em 40 países, na maioria do chamado mundo em desenvolvimento, que o compadrio político é prejudicial à economia, pois “fomenta a ineficiência, desincentiva a inovação, torna mais míope o planeamento, corrompe a competitividade e distorce a concorrência nos mercados”.

 

Correio da manhã“Tutela de Manuela deu ajuda ao Totta

 

A equipa do Ministério das Finanças liderada por Manuela Ferreira Leite, durante o Governo de Durão Barroso, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do Grupo Totta, que integrava os bancos Totta & Açores, Santander Portugal, Crédito Predial Português (CPP) e Foggia. A operação traduziu-se, segundo fonte conhecedora do processo, num benefício fiscal de "cerca de um milhão de euros." (…) Em Março de 2006, menos de dois anos após ter saído do Governo e antes dos três anos previstos na lei, Ferreira Leite era administradora não-executiva no Banco Santander de Negócios. Em 2007, ganhou quase 83 mil euros em salários.

Vasco Valdez diz que 'Manuela Ferreira Leite não tinha conhecimento da situação, porque delegou funções, e que não foram concedidos benefícios de natureza contratual, pelo que não estava obrigada a cumprir os três anos [de ‘nojo’] previstos na lei.' O fiscalista Saldanha Sanches diz que ' não há dúvidas legais, porque não há um benefício fiscal de natureza contratual, mas a nível ético 'o que a salva é o adjectivo ‘natureza contratual’, que está na lei'. Até ao fecho da edição, não foi possível falar com Ferreira Leite, que está fora do País.

OTERO QUESTIONA ÉTICA POLÍTICA

Paulo Otero, um dos mais respeitados especialistas em Direito Administrativo, não tem dúvidas: 'Se não existisse o elemento contratual na lei [das incompatibilidades dos políticos], este caso não era tão líquido.'

Para o professor, 'a lei, neste caso, não suscita dúvidas, mas é questionável do ponto de vista ético.' Ou seja 'é o comportamento da pessoa que está em causa'. Por isso, diz, 'a lei deveria ser mais apertada'. Paulo Graça, outro especialista, concorda que não há ilegalidade e que 'a lei deveria ser mais rigorosa.'

PORMENORES

O QUE DIZ A LEI

O artigo 5.º do regime de incompatibilidades dos titulares de cargos políticos diz que 'os [...] titulares de cargos políticos não podem exercer, pelo período de três anos contado da data da cessação das respectivas funções, cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado, desde que, no período do respectivo mandato, tenham beneficiado [...] de benefícios fiscais de natureza contratual.'

DATAS-CHAVE

Vasco Valdez assinou o despacho de 'concordo' com base no parecer do Centro de Estudos Fiscais de 17 de Junho de 2004. O parecer acolhia o pedido do BTA, ao abrigo do regime especial do Código do Imposto do Rendimento Colectivo (IRC), de 12 de Maio de 2004 e 2 de Junho. O primeiro pedido remontava a 21 de Outubro de 2003.

António Sérgio Azenha

                                                                 

Friday, 15 May 2009

VER CLARO - A Coluna dos Sábados no "CM"

EuropaDemora.jpg picture by claromotime
 

POLÍTICOS, ADVOGADOS,

PARECERES E POLÍCIAS...

 

Duas notícias, dos últimos dias, no DN, que revelam bem o real estado deste sítio e dos seus políticos. Curiosamente ou nem tanto, estes políticos são todos advogados e juristas! Enfim, caso para dizer: “onde isto já vai!”

 

Crise faz aumentar guerra dos pareceres milionários

 

Rebentou a guerra na fabulosamente lucrativa indústria dos pareceres… Uma das componentes mais essenciais e estratégicas do “complexo neo-corporativo e salazarento”.

 

Saldanha Sanches põe o dedo na ferida - em resposta aos lamentos de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a falta de dinheiro do Estado e das autarquias para pareceres - e diz que MRS “não devia emitir pareceres porque é um académico que há dez anos não publica nada”. E crava-lhe a bandarilha final: “O que o prof. Marcelo faz é lobby político”...

 

Pois, acho que toda a gente já o suspeitava mas ninguém se tinha ainda atrevido a dizê-lo!

 

"Garcia Pereira acusa polícia de executar penas"

 

Muito oportuno: no dia em que a PSP de Setúbal estava a ser atacada na esquadra a tiros, pedradas e molotovs…

 

Segundo o DN, “Garcia Pereira disse ontem que Portugal tem forças de segurança "que se acham simultaneamente polícias, juízes e executores de penas". O advogado comentou assim as causas dos incidentes do Bairro da Belavista, Setúbal, à margem de um colóquio sobre Justiça, no Porto. "Generalizou-se um uso excessivo das armas de fogo por parte das forças policiais, contando com um certo estatuto de impunidade", afirmou ainda. "Quantos cidadãos foram mortos pelas polícias nos últimos anos e em quantos havia um verdadeiro caso de legítima defesa?" - questionou o advogado, acrescentando que não pretende "fazer apelos à benevolência face a actos de criminalidade" mas que a polícia "não tem legitimidade para decidir quem vive e quem morre".

 

Há alguma habilidade típica do tradicional discurso de advogado nestas declarações e há sobretudo uma ocultação da realidade quando, convenientemente para o efeito pretendido, se deixam de fora aspectos decisivos e perguntas fundamentais...

 

Este eterno candidato a qualquer coisa é realmente um rapaz notável, muito inteligente e com um magnífico sentido de oportunidade!

Wednesday, 13 May 2009

Um completo Putine!

 

O filho de Putina mostrou ser realmente um completo Putine:

Putine mostrou que também sabe cantar

A emoção, ou o nervosismo, pela presença do primeiro-ministro fê-la desafinar. Vladimir Putin compreendeu a situação e saiu em ajuda da aluna fazendo com ela um duo inédito.

Tudo aconteceu ontem, num colégio moscovita. Katia Kazakova não conseguiu controlar a voz perante as câmaras da televisão russa NTV e o primeiro-ministro, que assistia ao espectáculo. Foi então que Putin, com uma voz espantosamente melodiosa, cantou com a jovem uma canção soviética que data da II Guerra Mundial - O abrigo. Putin - cujos dotes na área da canção eram desconhecidos - deslocou-se à escola em causa, onde veteranos foram contar as suas experiências da II Guerra Mundial. A Rússia comemora hoje a assinatura do armistício.

 

no DN http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1226752&seccao=Europa

equ I voco

 

Parece-me bem que alguém se enganou no meio desta estória…

José Mateus Cavaco Silva at May 13, 2009 20:27 | link | comments
Tags: media, portugal

Quem Quer Afogar Sócrates?

 

Fundamentalistas do Ambiente querem afogar Sócrates nos poços, poçancos e charcas do mundo rural. É sabido que os talibãs do Ambiente declararam guerra, há tempos, a partir das posições da burocracia de Estado, ao mundo rural e ao campesinato. Mas esta de afogar Sócrates nos poçancos e outras charcas não lembraria, como soe dizer-se, nem ao careca… Pobre Sócrates!

Tuesday, 12 May 2009

O ESTADO FACE À CRISE...

 

O aspecto financeiro (e, em seguida, o económico...) tem sido o lado mais visível desta crise estrutural e global, aquele em que, respondendo às preocupações de empresas e famílias com as suas contas e carteiras, os media mais têm colocado o foco. Pode, contudo, não ser o mais importante, nem o mais decisivo. Se a árvore financeira não nos impedir de ver a floresta da crise, apercebemo-nos que os nossos Estados, no modelo pós-II Guerra do contrato tradicional (impostos contra segurança... e, portanto, monopólio da violência legítima, sendo que, a propósito deste último aspecto, seria bom que os nossos juristas e outros pais das leis começassem a ler Max Weber...) se encontram fragilizados e em posição extremamente difícil para assegurar a sua parte do contrato.

 

A filosofia, o discurso, os aparelhos teóricos e os dispositivos materiais dos Estados, em matéria de violência, têm o seu grande referencial, um referencial hegemónico, mesmo (e herdado da “guerra fria”), na conflitualidade inter-Estados. Mesmo o terrorismo dos anos 70 era oriundo dessa matriz. Ora, a situação é hoje radicalmente diferente. E o exemplo prático mais claro disto é o caso dos piratas somalis, frente aos quais fortes dispositivos navais dos grandes estados e alianças se mostram tão impotentes que não conseguem estancar os seus assaltos e nem sabem o que fazer com os piratas quando os capturam, acabando por... libertá-los! Os Estados estão, já e para os próximos anos, confrontados com um triplo desafio, em matéria de violência: ao tradicional conflito inter-Estados, juntam-se duas novas componentes.

 

Num plano global, a novidade é um terrorismo pós-ideológico que faz da violência uma actividade económica altamente rentável e tem como referência estratégica o corte, a disrupção, de pontos nodais dos fluxos estratégicos da “globalização”. Com a disrupção de pipelines, gasodutos, explorações e instalações petrolíferas e outras até à interdição de vastas áreas marítimas decisivas para a navegação, passando pela ameaça permanente às vulneráveis redes em que assenta o funcionamento das nossas sociedades, este terrorismo mostra que soube ler o sistema global, identificar-lhe os pontos fulcrais, encontrar os meios e os métodos de os ameaçar em permanência e tornar-se uma dinâmica indústria da violência. O fantasma da al-Qaeda tem, para além de outras desgraças, gerado uma ocultação da realidade e da dimensão desta global indústria terrorista, que John Robb chama Guerrilla Entrepreneurs .

 

Num plano interno, do território do próprio Estado, começaram a surgir, na transição do século, novos fenómenos, novos tipos de criminalidade, que nos últimos anos se têm consolidado e estruturado como desafios permanentes à autoridade do Estado e geradores de climas de insegurança pública. Um dos aspectos inovadores destes fenómenos é, por exemplo, a sua capacidade de se apropriar do espaço público, da rua, instalar aí a sua própria autoridade, em diversos graus que podem ir da simples ameaça, à interdição e mesmo ao controlo total com a criação de zonas “cinzentas” que escapam já ao Estado (aquilo a que as pessoas se referem como “sítios onde nem a polícia se atreve a entrar”...). Também esta “inovação” soube encontrar formas de vida económica altamente rentáveis e geradoras de grandes fluxos financeiros.

 

A descrença da opinião pública nas capacidades dos Estados democráticos para enfrentar e dominar estes novos fenómenos começa, perigosamente, a tender para zero... Com o agravar e alastrar dos aspectos sociais desta grande e duradoura crise e com a descrença na capacidade do Estado, emerge uma vontade de auto-defesa tribalista (do bairro, da fábrica, da rua...) que desemboca na formação (mais ou menos orgânica ou espontânea) de “milícias”. Esta dinâmica não é, porém, linear e tende a gerar novas conflitualidades. Por exemplo, a iniciativa de trabalhadores em algumas grandes empresas de ameaçar a segurança dos quadros superiores e outros administradores, gera o aparecimento fomentado de “serviços de ordem” que garantam a segurança... A mecânica vai-se assim construindo nestas dinâmicas já lançadas. O Estado não tem instrumentos jurídicos e nem materiais para responder ao que as populações e contribuintes aqui lhe exigem. Está tão desamparado como frente aos piratas somalis... Neste vazio (relativo mas real), a vida tem, porém, de continuar. Então...

 

É neste contexto que convém ler uma notícia (só aparentemente banal)  que chega de França, esse país, há séculos, inovador e precursor nos conflitos sociais:

 

PARIS 10.05 - Incidents entre militants d'extrême-gauche et d'extrême-droite

 

Pois é… as «milícias» já estão na rua! A polícia vai lá separá-las mas isso em nada afecta a sua consolidação e crescimento. Pelo contrário. E o governo francês (como qualquer faria) escamoteia, faz tudo para ocultar esta questão decisiva. Precisamente porque nada tem a dizer e muito menos a fazer face a esta realidade ameaçadora. Portanto, saber se o modelo de Estado herdado da vitória aliada na II Guerra se revela capaz de resistir a este triplo desafio é uma das questões mais interessantes da grande e duradoura crise estrutural e global em curso.

 

Sobre estas matérias:

 

As guerras nas cidades num quadro de “global guerrilla”

 

Epidemic Innovation in Open Source Insurgency

 

Guerrilla Entrepreneurs take to the seas

 

Afghanistan and Black Globalization

 

Open Source Warfare  

 

Open Source Insurgency >> How to start

 

THE MATHEMATICS OF TERRORISM

 

A Global to Local to Global Criminal Example

 

PIRATES

 

Just How Easy it to Disrupt Infrastructure?

 

CYBER THREATS TO INFRASTRUCTURE

 

Tribal Raids and Medieval Defenses

 

HOLLOW STATES vs. FAILED STATES

DO “COMPLEXO”

 

Várias têm sido as interpelações para se explicar o que se quer dizer quando, desde há vários anos, aqui no Claro se fala do “complexo”. Por isso, nada melhor que repostar alguns textos sobre a essência do monstro:

O COMPLEXO NEO-CORPORATIVO E SALAZARENTO

Como há muito se escreve aqui no CLARO, este complexo neo-corporativo e salazarento é uma economia privada mas anti-mercado, que foge, aliás, do mercado como o diabo da cruz (nem que para isso tenha de invocar a "doutrina social da igreja contra o capitalismo"; que faz os seus negócios privados com os dinheiros públicos, mesmo se tal passa pela "sedução" e manipulação de agentes e de dirigentes da instância política e do aparelho burocrático do Estado; que prospera nas "rendas" de situações neo-corporativas e salazarentas e nos bens e serviços "não-transacionáveis" - como os "reinos" do betão e da banca; uma "economia" que se consolidou como o principal factor de bloqueio do desenvolvimento económico e que nos asfixia - porque ao País, depois de pagar os custos deste "complexo", não resta já o necessário - nem em recursos financeiros e nem em inteligência - para investir no desenvolvimento, ou seja, na segurança e bem-estar dos Portugueses...

Por acaso – mas, como já notava o Sena, o acaso faz muito bem as coisas – hoje num jornal do Porto, 'O Primeiro de Janeiro', Paulo Morais, o ex número dois de Rui Rio, explica em entrevista,  mas reduzindo-se ao seu conhecimento directo (o lobby do betão)  a fenomenologia deste "complexo":

" Nós hoje vivemos em Portugal uma situação perversa. Nesse aspecto somos dos piores países da Europa. E isto porque quem financia a actividade partidária, a actividade dos dirigentes partidários são, normalmente, os empreiteiros. Financiam as campanhas e financiam a vida privada de muitos dirigentes partidários, que fazem desta vida política a sua profissão. Não sabem fazer mais nada. Profissionalizaram-se na política e da política depende a sua sobrevivência. (...)

" O problema é que estamos a falar de milhões de contos. Penso que durante a minha passagem pelo pelouro do urbanismo terei chumbado, impedido negociatas e vigarices na ordem dos quinhentos e cinquenta milhões de euros. Estamos a falar de muito dinheiro. Seriam vigarices que se teriam concretizado, e quando estão em jogo negócios desta ordem, então as forças organizam-se de forma a tomarem por dentro os partidos para terem um poder que lhes permita dominar a administração em benefício próprio. Sejamos mais claros: muitos promotores imobiliários financiam a vida politica e partidária para que depois os políticos, financiados por eles, e que estão no aparelho de Estado, na Administração Central ou local, façam a gestão pública não em função do interesse da população mas em função do interesse de quem os sustenta, como bom dever de gratidão. (...)

" Se não houvesse corrupção Portugal estaria a um nível de desenvolvimento como estão a Noruega, Suécia ou Finlândia. Se não houvesse este desperdício de recursos na corrupção, é evidente que tudo seria canalizado em prol da população. Até porque a corrupção para poder funcionar tem que se instalar em cima da ineficácia. A corrupção é isto mesmo: criar dificuldades artificiais para depois vender as facilidades. Se não houver corrupção também não haverá todos estes constrangimentos. O país evolui e avança. Mas confesso que não fazia ideia que o tráfico de influências atingisse um nível tão gigantesco como de facto conheci, e como digo, e isto que fique bem claro, comigo e com o meu antecessor, estou certo, não houve qualquer cedência a nenhum desse tipo de influências.

Ler Paulo Morais, ao Primeiro de Janeiro

E, também ainda no registo do acaso, José Adelino Maltez escreve no "Tempoquepassa", uma das suas sínteses notáveis:

" Afinal os três principais presidenciáveis são o próprio situacionismo em figura humana que fazem discursos contra a degradação da presente democracia quando eles são os criadores da criatura que agora fingem rejeitar. Porque o Estado a que chegámos, apesar de ser grande demais na subsiodiocracia e na empregomania, não é suficientemente forte para combater a corrupção, a evasão fiscal ou o indiferentismo que nos seca a cidadania. Porque o sistema de financiamento da política, da partidocracia às campanhas presidenciais, passa pela habitual complacência do Bloco central de interesses face aos patos-bravos autárquicos, aos "lobbies" das consultadorias e empresas de estudos, com passagem pelo poder banco-burocrático que os encima e onde participa a procissão dos intelectuais que andam de mão estendida ao subsídio ou à avença."

José Mateus Cavaco Silva at November 29, 2005 02:48 | link  
Tags: complexo salazarento e neo-corpo

 

 

COMO A CORRUPÇÃO É ANTI-ECONÓMICA...

 

Do Politically connected firms undermine their own competitiveness?'

A corrupção, é claro, mata a competitividade e, consequentemente, a economia como  se demonstra num texto recente, óptimo e bem lúcido de Jorge Nascimento Rodrigues, na sua 'Janela na Web', sobre o impacto negativo na competitividade da economia do 'compadrio político', que no caso concreto de Portugal tem a forma de complexo neo-corporativo e salazarento, como temos escrito há anos aqui no Claro.

Este ‘complexo neo-corporativo e salazarento’ é uma economia privada mas anti-mercado, que foge, aliás, do mercado como o diabo da cruz (nem que para isso tenha de invocar a "doutrina social da igreja contra o capitalismo"; que faz os seus negócios privados com os dinheiros públicos, mesmo se tal passa pela "sedução" e manipulação de agentes e de dirigentes da instância política e do aparelho burocrático do Estado; que prospera nas "rendas" de situações neo-corporativas e salazarentas e nos bens e serviços "não-transacionáveis" - como os "reinos" do betão e da banca; uma "economia" que se consolidou como o principal factor de bloqueio do desenvolvimento económico e que nos asfixia - porque ao País, depois de pagar os custos deste "complexo", não resta já o necessário - nem em recursos financeiros e nem em inteligência - para investir no desenvolvimento, ou seja, na segurança e bem-estar dos Portugueses... E tudo isto, claro, assenta no - chamemos-lhe assim - compadrio!

.

Se faltasse ainda alguma coisa para demonstrar e provar que o 'complexo' é anti-económico e fatal para Portugal... Jorge Nascimento Rodrigues supriria aqui essa lacuna:

 

Compadrio político mata competitividade

Que o compadrio político é um cancro nas economias é algo empiricamente constatável. E frequentemente noticiado. Mas falta avaliar o seu impacto na gestão e na própria criação de riqueza. Parte dessa lacuna foi, agora, preenchida por uma investigação académica dirigida pelos professores Raj Desai e Anders Olofsgard para o Brookings Institution norte-americano.

A conclusão é arrasadora: o compadrio político é antieconómico. O estudo, intitulado ‘Do Politically connected firms undermine their own competitiveness?’, demonstra com base num inquérito, entre 2000 e 2005, a um universo de 10 mil empresas em 40 países, na maioria do chamado mundo em desenvolvimento, que o compadrio político é prejudicial à economia, pois “fomenta a ineficiência, desincentiva a inovação, torna mais míope o planeamento, corrompe a competitividade e distorce a concorrência nos mercados”.

Relação cinzenta

Raj Desai sublinhou-nos que o perfil deste cancro é extensível para além do chamado Terceiro Mundo: “Muitos países que são democráticos e mais desenvolvidos do que a maioria da nossa amostra sofrem deste mal. A relação entre democracia e compadrio é cinzenta”.

Relação dúbia particularmente agravada em países onde a sociedade civil é fraca, a separação e equilíbrio de poderes é insuficiente ou recente, a justiça é débil, o «lobbying» não é transparente e os grandes grupos económicos e financeiros possuem redes informais de quadros que entram e saem da política, conseguindo um poder de influência desproporcionado.

Estas redes de talentos são mais sofisticadas do que as típicas redes familiares e corporativas (por exemplo, altos quadros militares ou de partido único) dos países onde dominam cleptocracias e ditaduras. O estudo refere mesmo que “nos países da OCDE, as firmas com ligações políticas frequentemente representam posições significativas de capitalização de mercado”.

Captura do Estado

A literatura económica popularizou o termo de “captura do Estado” por estes mecanismos de obtenção de favores com valor económico (atribuição de monopólio, tolerância aos carteis, restrições de mercado a concorrentes, açambarcamento de concursos públicos, subsídios e créditos publicamente garantidos legislados “por medida”, isenções “cirúrgicas”).

Os beneficiários deixam o Estado refém de interesses particulares – quer dos políticos como dos empresários ou banqueiros – para obterem rendas ilegítimas actuais ou futuras.

No caso dos políticos de carreira, os benefícios traduzem-se em financiamentos políticos ou favores aos próximos (por exemplo, criação de emprego artificial) e quanto aos que optam pela “mobilidade” entre a cadeira política (que pode ser ministerial, parlamentar ou em agências de regulação e fiscalização) e o lugar privado beneficiam, em regra, de consultoria, advocacia de negócios ou mesmo lugares cimeiros de administração passado algum tempo.

O tema é muitas vezes confundido com a corrupção dos agentes do Estado. Mas os americanos distinguem o compadrio político – «cronyism», como lhe chamam – da corrupção (em regra, os subornos «comem» 1,8% das vendas e 2,5% dos contratos governamentais, refere Desai) e também do «lobbying» legalmente estabelecido e sujeito a escrutínio.

Por essas razões a actuação legal e ética face ao compadrio e à corrupção deverão ter perfis distintos, ainda que, em muitas situações, as duas realidades se misturem.

Quem é Raj Desai:

(http://www.brookings.edu/experts/d/desair.aspx)

É investigador visitante do The Wolfensohn Center for Development do Brookings Institution e professor de desenvolvimento internacional da Edmund Walsh School of Foreign Service da Universidade de Georgetown. Ambas as instituições se localizam na capital americana, Washington DC.

Pequeno Manifesto de Raj Desai. Antídotos:

Raj Desai preconiza um conjunto de regras que, segundo sublinha, são aplicáveis “a pequenos países europeus como Portugal”.

. Reforço do sistema de controlo e contrapeso ao governo

. Fortalecimento do aparelho judicial independente

. Dar voz a um espectro largo de agentes económicos, incluindo pequeno empresariado, consumidores, contribuintes

. Reforço do papel dos reguladores

. Alargamento do período de «nojo» entre a saída de lugares públicos e a retoma de carreiras privadas ligadas às áreas que anteriormente se tutelava

José Mateus Cavaco Silva at September 15, 2008 18:26 | link | comments
Tags: inteligência económica, portugal, complexo salazarento e neo-corpo, corrupção 
 

SOBRE O FUTURO DO ATLÂNTICO

 

Jorge Nascimento Rodrigues, um grande amigo aqui da “casa”, avança, no seu Geoscópio, uma inteligente hipótese sobre algumas consequências desta crise estrutural e global, que merece a maior atenção e um bom e adequado debate. Um dos poucos textos que, realmente, lê e pensa esta crise (e suas fatais consequências) numa visão a partir de Lisboa e não, como é costume do burgo, uma qualquer tradução para o calão nacional do pensamento de um  "sábio" qualquer.  Por isso, para incentivar esse debate, aqui se disponibiliza o texto em questão com parabéns ao Jorge pela qualidade desta contribuição:

O ocaso do Atlântico? - ensaio sobre uma hipótese

O Mar-Oceano que nos banha domina a História da Europa há mais de quinhentos anos. A aliança que se formou entre as suas duas margens comandou a geopolítica no século XX. Agora que a crise financeira bateu fundo e que as novas potências emergentes se afirmam politicamente na mesa dos grandes, o mapa-mundo parece «deslizar» para o Oriente. Nós ficamos numa extrema.

Do Atlântico sempre veio bom vento de negócio e bom casamento político para a Europa. Com as navegações de Quinhentos chegaram o ouro e a malagueta da Guiné, as especiarias e as pedrarias da Índia pela rota do Cabo, o bacalhau do Lavrador, a prata de Potosi e de Guanajuato. E, também, a globalização do ignóbil comércio esclavagista negreiro. Depois vieram o ouro e os diamantes do Brasil e a Revolução americana. Os europeus emigraram massivamente para o Novo Mundo. Os portugueses inclusive «deslocaram» através do oceano a sede do império por uns anos para o Rio de Janeiro quando Napoleão quis dominar o continente europeu de Lisboa a Moscovo.

O «tio» da América deu a mão depois a uma parte da Europa nas duas Grande Guerras e ainda nos mandou o Plano Marshall, o escudo defensivo contra a chamada Cortina de Ferro, as modas da Coca-Cola, dos jeans e de Hollywood, a ‘terceira vaga’ dos chips e dos computadores pessoais, os gurus da gestão, e mais recentemente a Internet.

O Mar-Oceano – como os europeus chamavam há muitos séculos atrás ao Atlântico - que nos banha deixou uma marca inconfundível: o ter sido o berço da globalização económica e política, graças, primeiro, às Navegações portuguesas, e depois a espanhóis, holandeses e ingleses.

O Atlântico é como que o centro do mundo – os mapas-mundo vendidos na Europa e nas Américas colocam este oceano no meio de tudo.

Tempos que parecem estar de partida

A crise financeira da Wall Street nova-iorquina, que começou como uma doença localizada nuns produtos financeiros de que ninguém ouvira falar até ali - subprime -, transformou-se num tsunami global que galgou rapidamente as distâncias geográficas oceânicas, à velocidade dos fluxos electrónicos.

E, ao contrário do passado, em que as crises financeiras graves mas pontuais tomavam o nome de «asiáticas» ou «latino-americanas» ou mesmo do país de origem, o vírus da Wall Street contaminou, agora, rapidamente a Europa. Um ‘Velho Mundo’ que era elogiado pela alegada solidez financeira de uma Suíça, pela praça global londrina alternativa à Wall Street em várias áreas, e pelo comportamento de aço dos homens do Banco Central Europeu (BCE) que contrastava com a «irresponsabilidade» de um Alan Greenspan, o ex-presidente da Reserva Federal americana, a quem muitos responsabilizam pela desregulação financeira e pelos assomos cíclicos de «exuberância irracional» das últimas décadas.

Se a Wall Street já leva uma quebra histórica de 54% desde o seu último pico especulativo em Outubro de 2007, a segunda maior da sua história, as bolsas europeias não ficaram atrás e até um país tido como rico – a Islândia - já faliu. Foi a primeira vítima nacional dessas inovações criadas por magos financeiros que aproveitaram a janela de oportunidade aberta nos EUA pela revogação de regulações que vinham, algumas delas, das lições dolorosas da Grande Depressão.

Outros países europeus estão na linha de risco quer no Leste – entre aderentes e não aderentes da União Europeia (UE) – como dentro da própria UE (Áustria, Itália, Grécia, Irlanda, para citar os na ribalta). Teme-se que a Europa arranje agora o seu próprio subprime com uma crise financeira devastadora na Europa de Leste. Os líderes europeus naturalmente não gostaram desta invasão viral num dos circuitos sanguíneos vitais – a alta finança.

Criatura nova

Mas o contágio era inevitável em virtude da globalização financeira que se acentuou nas últimas décadas e de que a City londrina, a Suíça, o Luxemburgo, os offshore europeus e a banca europeia beneficiaram largamente. E é provável que a actual crise financeira seja uma criatura nova ao fim de um processo de evolução: “O sector financeiro transformou-se mais rapidamente do que qualquer outra actividade económica e as crises intermitentes do passado – como as do México, Japão, Sudeste asiático, Rússia – já podiam estar a reflectir a emergência de algo novo”, afirma William Thompson, professor na Universidade de Indiana, um dos «pais» da teoria dos ciclos longos geopolíticos e director de uma revista académica de estudos internacionais.

Essa criatura tem naturalmente uma «estrutura». Como revelou a revista ‘New Scientist’, 66 grupos de investidores institucionais geriam 75% das movimentações especulativas mundiais que eram da ordem de 1700 mil milhões de euros por dia (4% do PIB mundial anual) na véspera do aprofundamento da crise no final de 2008. Ou seja, em menos de um mês passava pelos dedos destes dadores de ordens electrónicas o equivalente à riqueza produzida pela economia real em 360 dias.

Apesar de um novo «amigo» em Washington, os líderes europeus parecem continuar a não comungar excessivamente do voluntarismo financeiro do outro lado do Atlântico. O BCE mantém um nível de taxas de juro mais elevado do que o definido pela Reserva Federal americana ou o Banco de Inglaterra que adoptaram uma abordagem «à japonesa», com taxas progressivamente mais próximas de zero, alegadamente para não deixarem cair os que são demasiado grandes para falir e na esperança que umas migalhas caiam na economia real. E os dezasseis ministros das Finanças do Eurogrupo (zona euro), ainda recentemente, disseram «não, obrigado!» ao apelo de Lawrence Summers, o conselheiro económico do presidente Obama, para mais intervencionismo anticrise «à americana». Os europeus parecem distanciar-se do amigo americano no discurso político anticrise.

Distanciamento latente que bebe vigor em duas outras fontes. Primeira: a necessidade da Alemanha desenvolver uma nova Ostpolitik face à Rússia, que julga poder dar cartas de novo na cena mundial aproveitando as fraquezas europeias (como no gás, na capacidade de defesa e no Estado de Bem-Estar social) e americanas (declínio político de influência global com a anterior Administração Bush). Segunda: a viagem sintomática da Secretária de Estado Hillary Clinton à China, insistindo com os chineses que têm de continuar a financiar os americanos. O que Hillary não disse em público é que concessões geopolíticas globais os EUA estão dispostos a dar em troca.

Moral da história: a Alemanha tem muitas dores de cabeça a Leste e tem de voltar a dar atenção estratégica a esse lado da sua fronteira, ficando o Atlântico cada vez mais longe; e os Estados Unidos reconheceram publicamente o novo estatuto da China como seu parceiro estratégico fundamental nos tempos mais próximos, o que alguns já chamam de G2.

O mosaico pode tornar-se, por isso, muito mais complexo que o antigo esquema simples do eixo Atlântico. Diz Thompson: “Na medida em que os EUA se focalizem mais na Ásia, é possível que as relações euro-americanas percam peso. Mas também é provável que os próprios europeus se tornem mais orientados para oriente – gás russo, petróleo da Ásia Central, produção chinesa, outsourcing de serviços na Índia. O que pode resultar num relacionamento euro-americano bem mais complexo, com ambas os lados do Atlântico sujeitos a pressões e oportunidades alternativas”.

Orfandade da Europa

Diferenças entre os dois lados do Atlântico que poderão ter uma dimensão mais vasta ainda: “No plano ideológico e político da prática social, as diferenças são cada vez maiores. A Europa da União Europeia é uma construção precária e pouco ágil, cujo papel no mundo enfraqueceu e, sinceramente, não vejo como poderá voltar a ter preponderância. A América, com todos os seus contrastes e desequilíbrios, continua surpreendente e capaz de «acreditar no progresso», como escreveu o guru irlandês da gestão Charles Handy”, diz o economista e professor jubilado Mário Murteira, director de uma revista de geoeconomia. Alguns analistas defendem que os EUA revelam ainda maior capacidade de adaptação – um ingrediente darwiniano fundamental em época de choques – do que o ‘Velho Mundo’.

O que deixa a Europa numa situação de orfandade. O investigador Dylan Kissane, francês de origem, mas radicado na Austrália, sublinha-nos: “O problema central da Europa é a sua identidade. O que é que Europa realmente quer dizer? O que é um europeu?”. Apesar de ser a maior economia do mundo, se encarada integradamente como União Europeia, a dependência estratégica do Reino Unido e do continente europeu em relação ao eixo atlântico desde o início do século XX marcou-lhe o destino. Com a perca de importância desse eixo atlantista por mudanças de estratégia do «tio» da América, sofre a Europa. «A Europa corre contra o tempo à medida que o eixo se desloca», ironiza Kissane, que trabalha na Universidade do Sul da Austrália.

E com o declínio do peso relativo do Atlântico poderá perder também o Brasil. É um cenário que Thompson deixa: “Estar nas bordas do Atlântico pode ser uma desvantagem até certo ponto, apesar das descobertas de petróleo. Mas, no final, depende de como o Brasil vai emergir na sua relação com a economia mundial – um fornecedor de matérias-primas ou um centro tecnológico de inovação, ou uma mistura equilibrada disso”.

Inversão radical do eixo do mundo

Mas esta «deslocação» do eixo do mundo não nasceu de um dia para o outro. É um processo evolutivo. A crise financeira global de 2007/2009 apenas está a dar mais um empurrão.

O ciclo atlântico começou a ficar cinzento no começo dos anos 2000 quando a consultora Goldman Sachs veio falar da emergência de uma nova realidade geoeconómica, os quatro BRIC (grupo de Brasil, Rússia, Índia e China), e dentro desta dos dois gigantes asiáticos. A consultora punha inclusive datas para a China e a Índia ultrapassarem vários países europeus e o Japão no clube dos grandes. E, finalmente, os próprios EUA no caso da China (2030, e depois «corrigida» para ainda mais cedo, para 2020). Foi um choque.

Há uma comparação que diz tudo, refere-nos William Bernstein, historiador económico americano e autor de ‘A Splendid Exchange – How trade shaped the world’: “Em 1960, a Ásia valia 20% do PIB mundial, enquanto o tal eixo atlântico contava com mais de 54%. Agora inverteu-se radicalmente: a Ásia já está à frente do eixo atlântico por alguns pontos percentuais”.

A rápida ascensão da China a segunda (depois dos EUA) ou terceira (depois dos EUA e do Japão) economia nacional do mundo – depende de como se mede o produto interno bruto – e a sua projecção geopolítica por vários continentes, particularmente os banhados pelo Atlântico (América Latina, onde já é o segundo parceiro comercial, e África), veio baralhar o jogo deste eixo atlântico de mais de quinhentos anos.

Muitos investigadores da geopolítica rapidamente vaticinaram a “re-Orientação” do mundo, a deslocação da centralidade do Atlântico para o Oriente, particularmente para o Pacífico banhado por um bom lote de economias com altas taxas de crescimento nos últimos vinte anos – várias gerações de «tigres do Pacífico» - e por grandes e médias potências (EUA, China, Japão, Rússia, Canadá, Coreia do Sul, México, Indonésia, Austrália).

Um olhar vindo da Austrália é absolutamente radical: “O Atlântico está a terminar o seu papel de quinhentos anos. O eixo central do século XX baseado na aliança entre a Europa e os Estados Unidos também. O Atlântico é hoje importante apenas para os seus povos. Pelo contrário, a Ásia-Pacífico está a emergir como elemento decisivo para todo o mundo”, refere-nos Dylan Kyssane, responsável por estudos recentes sobre mudanças na balança de poder mundial. Ele aponta 2015 como um ano eventualmente charneira em que essa nova visão do mundo ficará mais evidente. E acrescenta: “Há um único espaço onde a maioria dos grandes, a China, a Rússia, o Japão e os Estados Unidos se intersectam – o Pacífico. O deslocamento do centro do poder não é uma questão hipotética; o único ponto pendente é saber quando emergirá tal eixo do Pacífico como tal”.

E, nesse espaço, a China surge como a potência dominante do futuro, em muitos cenários futuristas. Mas o americano Thompson coloca alguma água na fervura: “O já falecido André Gunder Frank disse uma vez que a economia mundial já havia sido sino-cêntrica, que tinha temporariamente se deslocado [para a Europa], e que agora estava de regresso ao que era anteriormente. Parece-me muito exagerado. A questão que continua em aberto é se a China se tornará o centro tecnológico da economia mundial no mesmo sentido que antes o foram os EUA e a Inglaterra”.

No entanto, a «deslocação» é indesmentível em termos de números. Um estudo dos investigadores portugueses Fernando Fonseca e Fernando Gonçalves ao conjunto dos membros do G7 (os sete chamados mais ricos – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) e dos quatro BRIC revela que, entre 1994 e 2003 (ano para o qual dispunham de dados oficiais mais recentes numa bateria de indicadores), os únicos dois países que aumentaram o seu peso relativo enquanto potência foram a China (que subiu espectacularmente 41 pontos!) e a Índia (mais modestamente, cerca de 7 pontos). Todos os outros baixaram o seu peso, ainda que os EUA muito suavemente. Em termos de agregados geográficos, o espaço da Ásia Oriental lidera na escala de peso relativo desde 1994, e viu todos os outros grandes espaços diminuir de peso naquela década analisada.

Uma primeira ameaça à centralidade do Atlântico já havia surgido quando os japoneses nos anos 1980 tentaram desalojar os EUA como economia mais dinâmica do mundo e chegaram a inventar um «capitalismo de rosto humano» contra o capitalismo do Tio Sam. A escalada do ‘Sol Nascente’, no entanto, acabaria por ser travada com a crise japonesa que dura há mais de quinze anos, sem luz ao fundo do túnel.

Um mapa estranho

Em vinte anos, o mapa-mundo que tem em frente dos seus olhos «deslizou» – agora o centro do mundo está no Pacífico, o calmo oceano que o ‘conquistador’ espanhol Vasco Núñez de Balboa avistou primeiro que qualquer outro europeu e que Fernão de Magalhães atravessou vindo do Atlântico. Se visitar empresas em Singapura ou em Seul, ou em Tóquio ou Beijing é provável que veja na parede pendurado um mapa estranho, em que o pequeno rectângulo português fica situado numa extrema dando para o abismo oceânico sem continuidade.

Resta saber como a crise actual com a sua derrocada financeira e a quebra no comércio internacional vai afectar os países asiáticos que viveram do modelo exportador e do circuito virtuoso do dólar – nomeadamente a China, que é o maior exportador do mundo. “A tão propalada crise atingiu também a China, que inevitavelmente necessita de certa introversão – mas não fechamento – na sua estratégia económica”, diz Murteira.

Irá esta Grande Depressão mundial – como já lhe chama o Banco Mundial – estragar o «deslizamento» para Oriente? Thompson uma vez mais deixa um aviso: “O impacto imediato desta crise será abrandar os processos, e por isso as viragens, na economia mundial”. O «deslocamento» pode ir para intervalo.

No entanto, o professor americano não tem dúvidas que ganhos políticos a curto prazo surgirão a favor da balança oriental: “Um ganho concreto é a maior sensibilidade à participação asiática na gestão da economia mundial – poderemos assistir, de facto, a um movimento de enfraquecimento das deliberações do G7 ou G8 [que agrega a Rússia] a favor de um grupo mais alargado e menos centrado nos interesses do eixo Atlântico”. Grandes economias como a China e a Índia continuam estranhamente arredadas da mesa do G7 – um grupo que pode ter os dias contados. A reunião em Londres do G20 (o grupo que além dos chamados ‘ricos’ abrange os BRIC e outros emergentes) realizada em Abril foi um primeiro sinal desta mudança.

O escaldante Índico

A ‘orientalização’ das preocupações das grandes potências recebe ainda mais uma ajuda há muito previsível: o Índico promete regressar como um oceano «escaldante». Já não por causa das guerras entre portugueses contra «rumes» (turcos e egípcios) e indianos no século XVI e entre portugueses contra holandeses no século XVII em torno das rotas das especiarias, mas por causa da crise do petróleo.

O Índico é o oceano mais importante nas rotas marítimas do petróleo – a mais importante commodity da economia mundial actual, a mais valiosa ‘especiaria’ de hoje em dia naquele oceano que se relaciona com o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico, o Mar do Sul da China e o Atlântico. Pelos «gargalos» estratégicos dos estreitos de Ormuz, Bab-el-Mandebe e Malaca, pelo canal do Suez e pelo Cabo passa diariamente o maior peso do comércio mundial. O Índico monopoliza 50% do tráfego de contentores marítimo e 70% dos produtos petrolíferos. Pelo estreito de Ormuz (entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã) passa 40% do petróleo e pelo estreito de Malaca 40% do comércio mundial marítimo.

“Com o crescimento económico de longo prazo na Ásia é natural que os próprios fluxos de crude ainda dominantes do Índico para o Atlântico e o Mediterrâneo sejam substituídos pela direcção Índico/Pacífico, onde os estreitos de Malaca e Sonda, ou o porto estratégico de Singapura, assumirão cada vez maior relevo global”, adianta o historiador económico Bernstein.

Pirataria, terrorismo, risco de estados-falhados e choques entre zonas de influência entre grandes potências ribeirinhas (como a Índia) e outras com interesses vitais na região (como a China, o Japão e os Estados Unidos) poderão tornar-se regulares. Os mais optimistas esperam que essas potências consigam criar uma parceria de polícia. Um documento americano, ‘Marine Corps Vision and Strategy 2025’, parece ter uma certeza: o Índico e os mares adjacentes serão um teatro central de conflito global e de competição neste século.

A vantagem do Atlântico que sobrevive

Mas tudo isto não significa a morte súbita do Atlântico. “O eixo atlântico ainda tem uma vantagem descomunal em relação à Ásia - a força institucional”, sublinha Bernstein. E não se refere só à democracia como regime político face às ditaduras que ainda perduram naquela região (como o caso da China). Fala de um conceito largo de base institucional: “Com excepção de umas pequenas bolsas, a Ásia é absolutamente dominada pela corrupção e por grande instabilidade política”. O historiador americano deixa uma porta entreaberta de optimismo: “O eixo atlântico não está a desvanecer-se de imediato no mapa-mundo na sua parede”.

Ideia que é compartilhada por Mário Murteira: “Julgo que ainda resta desse eixo um certo património comum - um sistema de valores, incluindo certa visão do «progresso» como desenvolvimento humano. Este núcleo, mesmo tendendo para residual, ainda assegura o nosso horizonte numa navegação cada vez mais incerta”.

E além de viverem num tempo longo, este tipo de «deslocações» não são de soma nula, diz Thompson: “Se o Pacífico se tornar o novo centro mundial, o papel do Atlântico dependerá crucialmente da capacidade de inovação tecnológica da Europa. O Atlântico não estará condenado a ficar um charco estagnado”.

E o professor americano recorda a História: “Quando Portugal abriu o caminho para o Índico à penetração europeia, não condenou o Mediterrâneo ao esquecimento. Diminui-lhe o peso no comércio de longa distância nomeadamente nas especiarias, mas isso inclusive foi temporário, como se verificou uns cinquenta anos depois”.

O que eclipsou o Mediterrâneo e o próprio Índico foram os novos ciclos de commodities centrados nos fluxos entre a Europa e o Novo Mundo, quando as especiarias deixaram de fazer girar o mundo com a decadência do império holandês e a irrupção da Revolução Industrial. Mas isso aconteceu mais de duzentos anos depois de Vasco da Gama ter chegado a Calecut e provocado um acidente vascular cerebral em Veneza e em Alexandria.

Monday, 11 May 2009

Uma Alegre Campanha Europeia

Merkel Ataca… Cameron !

 

AFP 10/05/2009  La chancelière allemande Angela Merkel a critiqué dimanche à Berlin ceux qui "refusent le traité de Lisbonne" tout en prônant "la poursuite de l'élargissement" de l'Union européenne, dans une attaque voilée contre les conservateurs britanniques.

 

"Ceux qui refusent le traité de Lisbonne, qui permet de mieux travailler, qui permet d'admettre de nouveaux membres, et qui parlent en même temps d'élargissement, nous refusons de leur tendre la main", a déclaré Mme Merkel lors d'un meeting de campagne pour les élections européennes en présence du président français Nicolas Sarkozy.

"Celui qui veut plus (d'Europe) doit coopérer", a-t-elle insisté avec une véhémence inhabituelle devant les membres des jeunesses des Unions chrétiennes (CDU-CSU), son groupe parlementaire.

Mme Merkel n'a pas identifié ceux qu'elle dénonçait, mais au premier rang des partis eurosceptiques figurent les conservateurs britanniques, qui remettent en cause le traité de Lisbonne, déjà ratifié en Grande Bretagne, mais demandent l'entrée de la Turquie dans l'UE.

Cette attaque visait le chef des conservateurs britanniques, David Cameron, a estimé un membre du gouvernement français qui écoutait le discours.

Le ton de plus en plus eurosceptique des Tories, qui ont décidé de quitter le Parti populaire européen (PPE) dont font partie l'Union pour un mouvement populaire (UMP) de M. Sarkozy et la CDU (Union chrétienne démocrate) de Mme Merkel, inquiète Paris et Berlin. L'euroscepticisme de M. Cameron est "impressionnant", a dit ce ministre à l'AFP.

La chancellerie allemande s'est refusée à tout commentaire.

M. Cameron, donné gagnant dans les sondages aux prochaines élections générales, profite de la campagne des élections européennes pour exiger un référendum sur le traité de Lisbonne, bien que le parlement britannique l'ait déjà ratifié.

La chancelière allemande, appuyée par M. Sarkozy, a réaffirmé son opposition à l'entrée de la Turquie dans l'UE.

"Angela Merkel a raison", a dit M. Sarkozy, défendant le traité de Lisbonne. "Nous voulons avec Angela Merkel une Europe avec des institutions dignes de ce nom. L'Europe ne peut pas continuer à changer de président tous les six mois, à se mettre d'accord sur le minimum alors que le monde attend qu'elle se mette d'accord sur le maximum".

C'est la première fois qu'un président français intervient en Allemagne avant un tel scrutin, a relevé un diplomate. Mme Merkel devrait lui rendre la pareille en France à la fin du mois, a-t-il ajouté.

Selon l'Elysée, leurs discussions ont essentiellement porté sur le prochain Conseil européen des 18 et 19 juin. M. Sarkozy et Mme Merkel ont souligné "leur parfaite identité de vues et leur même volonté que la France et l'Allemagne aient à nouveau un rôle moteur (lors de ce Conseil) comme au G20 (à Londres le 1er avril)".

TAMBÉM HÁ NOTÍCIAS BOAS…


 
Na AFP de hoje: La chanteuse israélienne Noa (G) et son amie arabe Mira, sélectionnées pour représenter Israël ,  lors du 54e concours de l'Eurovision, à partir du 12 mai, à Moscou. le 20 avril 2009 à Tel Aviv

Sunday, 10 May 2009

Parábola dos Economistas

(e ainda outros Especialistas) face à Crise

na profética visão (1568) de Pieter Brueghel

Pieter Brueghel

A Microsoft já não é deste mundo!

 

" Mais où est passé Microsoft ?

Sale printemps pour Microsoft. La semaine dernière, coup sur coup, nous apprenions que le groupe informatique arrêtait le service de son encyclopédie en ligne Encarta, impuissant à rivaliser avec l'incontournable Wikipedia et que, pour la première fois, Firefox 3.0 était passé devant Internet Explorer en Europe. Une écrasante victoire de l'Open source sur le géant du logiciel, comme me le rappelait Stéphane Zibi de Spread Factory.

Et puis il y a ce rapprochement possible entre Twitter et Google, que Microsoft semble laisser faire, sans réagir. Et le projet de rachat de Sun par IBM, qui donnerait naissance à un mastodonte du logiciel libre. La même semaine, Hewlett-Packard a annoncé qu'il allait commercialiser certaines de ses machines nomades avec le système d'exploitation Android de Google. Les bonnes nouvelles sont rares, ces derniers temps, dans le camp Microsoft... sauf quand le groupe annonce 5000 suppression d'emplois dans le monde, ce qui a le don de booster son cours de bourse pendant un temps. Pas très longtemps en fait, car Microsoft semble dangereusement embourbé.

Blindé de cash, le groupe aurait pourtant de quoi porter ses ambitions. Mais en nourrit-il encore ? Et lesquelles ? Depuis l'échec de sa tentative de reprise de Yahoo!, le géant de Redmond est méconnaissable. Comme le petit lapin pris dans les phares d'une voiture sur une route de campagne. A force de vivre sur ses rentes, Microsoft s'est laissé débordé et ressemble de plus en plus à son rival des années 90, IBM, alors incontournable, qui a basculé du jour au lendemain dans la crise la plus sombre.

Jusqu'où plongera Microsoft ?

06.04.2009 15:25 Lien permanent | Commentaires (58) |

« L'ogre Google veut s'offrir l'oisillon Twitter 

RITA HAYWORTH Rita en Vogue


Basta ver este (ou outro) video e “men can understand why the GI´s went crazy for her”!

Saturday, 09 May 2009

NA COLUNA DO "CORREIO DA MANHÃ"

 
 
A Europa demora a encontrar soluções e dá sinais de se atrasar na resolução dos problemas da sua "stressada" economia e, portanto, na saída da crise, (...)
 
Continua no "Correio da Manhã" 

José Mateus Cavaco Silva at May 09, 2009 23:56 | link | comments
Tags: europa, ver claro

OqueStrada  UM FABULOSO OVNI

NA NOSSA PAISAGEM MUSICAL…!

 

OqueStrada "Oxalá Te Veja" (exclusivo Antena 3)

Friday, 08 May 2009

COMO BIN LADEN ESCAPOU...

 

Várias vezes Bin Laden esteve debaixo de mira. Várias vezes (sempre...) nunca a luz verde chegou. Nesta cena não editada do The Pass to 9/11, os guerrilheiros do comandante Massu e do seu chefe de estado-maior Fahim (os vencedores dos soviéticos e dos talibans) levaram “Kirk”, o homem da CIA no Afeganistão ao acampamento de Bin Laden, meses antes do “11 de Setembro”. Nesta cena, “Kirk” informa a Casa Branca que tem o alvo e pergunta se pode disparar...



A cena termina com a reprodução das famosas palavras de Massud sobre o “já não haver homens em Washington” e a frustração de “Kirk”. Meses depois, a 11 de Setembro de 2001, chegaram notícias de Bin Laden...

 

Agora, quando os talibans estão a menos de 100 quilómetros de Islamabade e ameaçam deitar a mão ao arsenal nuclear paquistanês e quando se infiltram à vontade em Kabul e ameaçam a patética figura “presidencial” do paschtun Karzai, alguém se lembrou de convidar Fahim para vice-presidente do Afeganistão. Não parece, todavia, crível que Fahim aceite tal cargo para vir brincar aos “processos de paz”. Até porque ele tem de garantir (como tem feito há anos) que os territórios a norte de Kabul se mantêm seguros e imunes à penetração taliban. Se Fahim descer a Kabul, como vice-presidente, alguém lhe terá garantido que “desta vez é a sério”.

 

Se Obama conseguir êxito onde Bill Clinton redondamente falhou... Se não o conseguir o mundo fica mesmo muito perigoso e irrespirável! Tudo está, portanto, nas mãos de Obama.

José Mateus Cavaco Silva at May 08, 2009 19:15 | link | comments
Tags: usa, terrorismo
Thursday, 07 May 2009

A OLHAR À VOLTA...
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Ciências Ocultas, Escrita, Convicção e Muita Ignorância 

 

“Consta por aí" e ele… escreve! Com convicção. Muita convicção. E, claro, mais ignorância! Aliás, a convicção é tanto maior quanto maior for a ignorância. Consta que o dito cujo que assim opera é... “sociólogo”! Pois... Claro, tinha de ser!

 

O Tabuleiro de Aljubarrota

 

Foi lançado um "Jogo de tabuleiro retrata a Batalha de Aljubarrota"... Será? Retrata mesmo ? Mas o que foi Aljubarrota? Foi tecnologia de ponta, ousadia (meter a uso, contra o diktat de Roma, o arco longo), inovação (as medidas que garantem vantagem à peonagem sobre a cavalaria) e uma estratégia que integra tudo isto… É isto que, realmente, é ser português! Problema, a maior parte do tempo não nos deixam… O Estado, ao serviço do “complexo”, não deixa. Mas quando é tempo de harmonia entre o Estado e a Nação, como o foi nesta guerra, com o Mestre de Avis, Álvaro Pais, João das Regras e Nun’Álvares, então é dia de Aljubarrotas. D. João II é quem leva isto mais longe (e não o tivessem morto ainda novo… e outra teria sido a história e a nossa história), com ele chegámos ao fim do mundo. E unificámo-lo, fizemos a primeira unificação do mundo, o início de toda a globalização!

 

O suicídio de Carvalho da Silva…

 

Requiem por um candidato ganhador da “Esquerda” a Belém. “É preciso que as campanhas respeitem o sofrimento que estas pessoas estão a sentir” (e que “justifica” a agressão a Vital Moreira). Carvalho da Silva quer definir o teor das campanhas e condicioná-las… As campanhas deverão ser o que Carvalho da Silva acha que devem ser! E quem não é da trpa dele, leva... E forte. Acabou a “solução presidencial” Carvalho da Silva.

 

“Isabel II ganhou meio milhão em subsídios da PAC”

 

E a nossa lista de gulosos… Quando sai? Ou pensam clandestinizá-la e dar-lhe a classificação “top secret”? E tudo isto numa Europa sem dinheiro para a inovação… E que se atrasa em tudo! Mesmo no que não estava atrasada...

 

"Karzai escolhe ex-senhor da guerra para vice"

 

Ex-senhor da guerra...Pois, Fahim foi “só” o responsável pela derrota dos talibãs e pela sua expulsão de Kabul, escassos dias depois do assassinato do comandante Massoud pela Al-Qaeda e do “11 de Setembro”. Aliás, ele não foi “só” isso. Foi também um dos maiores responsáveis pela derrota dos soviéticos. Definitivamente, há uns ocidentais a querer brincar às guerras, como um tal Brad Adams, de cuja “indignação moral” o Público se faz entuasiasta arauto. Esta gente quer brincar às guerras e quer garantir a vitória dos talibãs… E depois temos estes jornalistas-papagaios que ao escrever o seu conto lhe acrescentam uns pontos, escrevem por ouvir dizer e nem sabem sobre quem ou o que escrevem… E assim se forma uma “opinião”!
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Assaltante violado... Durante 3 dias! Ah, grande senhora! 

 

 

Leio no “correio da Manhã” e farto-me de rir... E ri ainda mais quando soube que, quando ela o soltou, o assaltante foi fazer queixa à polícia! E como ela soube usar o viagra... Bom, a senhora era uma praticante de karaté, mas se todas fossem assim o mundo andava muito mais tranquilo e era muito mais frequentável.
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Assaltanteviolado.jpg picture by claromotime
 

Coincidências Femininas

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Manuela Ferreira Leite faz de Sócrates o responsável da crise. Em França, a líder socialista Martine Aubry também não hesita, porém, o grande responsável da crise é mesmo… Sarkozy. Coincidem na “coragem” mas… mudam de homem! E isto, esta patética falta de visão, este desajustamento entre estas altas representantes da velhas elites e o novo mundo emergente, abre as portas ao aparecimento de novos políticos e mesmo de novas “elites”… Depois, queixem-se!
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A brincar às virgens tímidas...

 

Qualquer político ou jornalista (de política) que não saiba como, desde há 30 e tal anos, se financiam as campanhas eleitorais (todas) dos partidos políticos (todos) é uma besta. E, portanto, perigosa. Os esquemas de financiamento destas campanhas muito caras não variaram, no fundamental, mesmo se a sua matriz instrumental se sofisticou. Que ninguém me diga que Soares, Sampaio, Cavaco e tutti quanti ignoram como foram pagas as suas campanhas… E que ninguém me diga que há um jornalista (de política) que (por mais burro que seja) também o ignora. Por mim, confesso, observei de, relativamente, perto a “angariação de fundos” para a primeira campanha eleitoral pós-25 de Novembro. O que vi chegou-me. Nunca mais quis estar por perto de tal tipo de actividade. Como jornalista, depois e durante anos, ia tendo ecos do desenvolver de tais actividades. De seguida, bebia um chá… Como se diz na Andaluzia, o que é mesmo ridículo é ver as putas armadas em virgens tímidas…
 

“Revista do Estado contrata Câncio”

 

Li-o há dias no CM. Só o retive porque, não tendo em si importância, acaba por ganhá-la na questão da forma. Este é um caso claro do velho “à mulher de César não basta sê-lo, tem de parecê-lo…”. Foi um acto, certamente, de boa fé mas pouco reflectido…
 

"Crise torna a sustentabilidade prioritária", Expresso/BES

 

Se esta manobra do “complexo” para hegemonizar o “sustentável” tiver êxito, então o chamado “Ambiente” vai tornar-se o lugar geométrico de geração e promoção do subdesenvolvimento do País. À pala do “Ambiente” é a ideologia ruralista e salazarenta, a anti-modernidade que vai afirmar-se e o “complexo” que vai facturar. O “complexo” procura “sustentabilidade”. O “complexo” tenta tornar-se “sustentável”… É a confissão involuntária da crise. Da sua crise… 

 

 

 

PasdeBurros.jpg picture by claromotime
 

 

 

Hipocrisia e ignorância das “elites” deste Portugal

 

Se a informação sempre esteve no coração da guerra, nas sociedades mediáticas, a comunicação é a guerra… Fingir ser surpreendido por isso é de hipócrita. Acreditar que alguém “engole” a surpresa é de ignorante. E tudo isto é fazer um jogo deslocado (que não se enquadra no contexto) e perder-se em esterilidades.

 

"Uma Europa nuclear"/Expresso

 

Olhem o mapa… O nuclear domina a Europa. Toda? Não! No seu extremo oeste, uma pequena aldeia continua a resistir. É o contemporâneo sítio dos astérixes…
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"As indústrias da geografia"

 

As cabeças formatadas no “antigamente” e que ainda por aí se arrastam e se mostram estão a tentar pôr na moda o arcaico conceito salazarento do “oceano moreno” e seu “triângulo de ferro”. Por estes dias, leio mais um de volta ao “triângulo” (Lisboa-Luanda-Brasília)… Isto é pior que o “mar dos sargaços”! Temos aqui as “bermudas” da geo-política! Esta gente, sem estudos sérios para se fundamentar, adopta posições ideológicas (as que lhes meteram na cabeça há 50 anos...) e faz “triângulos de ferro” para enjaular as potencialidades… Nem conhecem o mundo de hoje, quanto mais perceber a radical mutação que ele vive e perceber que funções podem ter em 2020 e como e quem desempenhá-las!
 

Fragmentação em marcha acelerada…

 

Leio no CM de 05/05/09, sobre a "Internet", que o Youtube vai ter em 2009 um prejuízo de 357,2 milhões de euros e encara, como solução para cortar os prejuízos, bloquear o acesso a utentes de África, Ásia, América Latina e Europa de Leste... Portanto, logo que assim seja, gente de 4 continentes (Europa incluída!) passarão a estar OUT! O Youtube tem sido um símbolo maior da globalização e, se esta começou em 2008 a sofrer fortes brechas e rupturas, era claro que o símbolo não podia ficar imune... É a fragmentação em marcha acelerada, a materialização de conceitos, há muito adoptados aqui no Claro, como "Functioning Core" e "Non-Integrated Gap". Por isso, aqui se antecipou há tempos este tipo de fenómenos e definimos (aqui no Claro e também na coluna "Ver Claro" no Correio da Manhã, aos sábados) "fragmentação" como o substantivo marcante dos próximos 2 ou 3 anos, tal como precariedade o foi na primeira metade desta década. Só quem não se "diverte" a estudar história é que ignora que tudo e qualquer coisa pode voltar para trás... Já começou a acontecer com a globalização e, como aqui já há muito se escreveu, quem insultou a globalização irá ainda chorá-la!
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PORTUGAL, PAÍS POBRE...?

NÃO, UM PAÍS DE BURROS!

Quem, senão uns burros, atira fora 2,2 mil milhões de euros...? E, assim, como não empobrecer...?

 

 

 

Wednesday, 06 May 2009

O REGRESSO DOS IDIOTAS ÚTEIS

Ainda a propósito das “indignações” de falso moralismo e real estupidez, que já referimos aqui no Claro, importa (para perceber do que falamos e a dimensão idiota de essa “indignação” de que o Público ontem se fazia entusiasta arauto…) ver bem o vídeo abaixo. Claro, eles não sabem o que dizem nem o que fazem, são idiotas úteis (como já os classificava Estaline), mas este tipo de erros (“pior que um crime, é um erro”, como diria o outro) não pode passar em branco…

Ahmad Shah Massoud - His Last Day



 

"THE PATH TO 9/11"

Se outro mérito não tivesse (e tem...), "The Path to 09.11" tem o imenso mérito de prestar uma mais que justa e merecida homenagem à inteligência e coragem do Comandante Ahmed Sha Massoud, o afegão que venceu os soviéticos e soube casar o islão e a liberdade.

AAAAAB-1.jpg

"...In 1998, journalist John Miller's interview with bin Laden is broadcast, and O'Neill and others in Washington are alarmed by the al Qaeda leader's fatwa against the U.S. CIA field agent "Kirk" contacts bin Laden's primary opposition, General Massoud of Afghanistan's Northern Alliance, and they concoct a plan to capture bin Laden and bring him to the U.S. to face justice. The plan is never approved for action, but the simultaneous bombings of two U.S. embassies in Africa push the Administration to respond with an ineffective missile strike that some think merely elevates bin Laden's stature in the Muslim world. Arrests of al Qaeda operatives at the Canadian-U.S. border and in New York on the eve of the millennium provide further evidence that Muslim extremists are bringing their holy war to America. (...)

"In 2001, counterterrorism czar Richard Clarke's warnings about bin Laden are downplayed, as is an FBI agent's warning to his superiors that some suspicious individuals are learning to fly jet aircraft. (...)

" Shortly thereafter, the Northern Alliance's Massoud, who had pressed the U.S. for assistance against the Taliban and warned that bin Laden might strike, is assassinated by al Qaeda agents. Two days later comes September 11, and O'Neill dies bravely, along with thousands of others, in an attack by the enemy he had devoted his career to thwarting.(...) "

Tuesday, 05 May 2009

À BEIRA DA DERROTA,

KARZAI CHAMA FAHIM

Fahim.jpg picture by claromotime

O Público de hoje escandaliza-se muito com o anuncio do convite feito por Karzai, presidente do Afeganistão pós-queda dos talibans, a Mohammad Fahim para a vice-presidência. Parece que Fahim é um “senhor da guerra” tadjique e há uma série de gente horrorizada com o regresso à primeira linha deste ex-ministro da Defesa de Karzai.

 

Pois… Fahim foi só o responsável pela derrota dos talibãs e pela sua expulsão de Kabul, dias depois do assassinato de Massoud pela Al-Qaeda e do 11 de Setembro. Aliás, não foi só isso. Foi também um dos maiores responsáveis pela derrota dos soviéticos. Definitivamente, há uns ocidentais a querer brincar às guerras, como este Brad Adams, um dos "escandalizados" do Público. Naturalmente, a querer ganhar guerras com uns escuteiros católicos (não os do Baden Powell... porque esses foram mesmo criados para fazer a guerra irregular). E a querer, portanto, garantir a vitória dos talibãs…

 

E quem grita, esbraceja e escreve tão "moralmente indignado" nem sequer nota que o convite a Fahim é uma de duas coisas: ou um convite envenenado, destinado a provocar esta reacção pavloviana, ou a primeira manifestação da vontade de Karzai em combater, de facto, os talibans. Pela simples razão que, sem o contributo de Fahim, os talibans têm a estrada aberta para Kabul... Como, desde que há anos ele deixou a Defesa, se tem estado a ver!

 

E só Fahim e os seus tadjiques poderão ainda impedir que os talibans tomem conta também do Paquistão, criando o califado Af-Pak... Nuclear, senhores, nuclear!

 

Claro que estas "indignações morais" são inimigas da inteligência e da análise e deixam sempre escapar o essencial. No caso,  o que (também) não é notado pelos “indignados” morais é que este apelo de Karzai a Fahim é a confissão de impotência do eixo Washington- Riade-Islamabade!

Aqui no Claro várias vezes nos últimos anos escrevemos que não só toda esta guerra dos terroristas talibans e al-Qaeda podia ter sido evitada (“11 de Setembro” incluído) como era fácil resolvê-la logo que para isso houvesse lucidez e vontade. E até aqui escrevemos como o comandante se riu com gosto na sua última viagem ao Parlamento Europeu quando em Paris alguém lhe disse que não se sabia onde Bin Laden se escondia… Depois de parar de rir, Massoud pediu uma carta de determinada região do Afeganistão, marcou aí um ponto, descreveu de memória todo o lugar (incluindo localização de sentinelas e segurança), virou-se para o amigo francês e perguntou: “Quando é que o querem ir buscar…?” Fez-se silêncio na sala e a pergunta directa ficou sem resposta…

Também aqui escrevemos e descrevemos como Massoud levou várias vezes o chefe de antena da CIA aos “acampamentos” de Bin Laden e o teve debaixo de mira. À espera de uma ordem de fogo, de Clinton, que nunca chegou… Até que Massoud achou que já tinha exposto demais os seus homens, em incursões muito longe das suas bases e que não tinham nenhum resultado porque o homem da CIA nunca recebia a resposta necessária à sua pergunta de “podemos disparar e liquidá-lo?”. Na última vez, Massoud passou-se e perguntou em voz de raiva contida se “já não há homens em Washington”. Tudo isto antes do “11 de Setembro”…

Importa dizer, para encerrar este post, que o comandante directo destes homens que sabiam permanentemente onde Bin Laden se acoitava e estavam disposto a ir lá buscá-lo ou liquidá-lo era… Fahim. Entre 9 e 11 de Setembro, Massoud e os USA pagaram bem caro as patéticas hesitações de Bill Clinton (e outros) e suponho que ao homem da CIA só lhe deve ter restado enfiar-se num convento e não querer saber mais do mundo… E todos nós, neste planeta, tivemos a ameaça terrorista como herança.

 

COM OS HOMENS DE MASSUD AFASTADOS,

OS TALIBANS "BRINCAM" NO AFGANISTÃO

Alguns posts anteriores aqui no Claro sobre esta matéria:

http://claro.motime.com/post/726379/726379

http://claro.motime.com/post/720814/720814

http://claro.motime.com/post/720496/720496

http://claro.motime.com/post/702654/702654

http://claro.motime.com/post/697792/697792

http://claro.motime.com/post/678338/678338

http://claro.motime.com/post/678334/678334

http://claro.motime.com/post/678330/678330

http://claro.motime.com/post/671183/671183

http://claro.motime.com/1184351098/669968

http://www.claro.motime.com/1158157188/603978

http://www.claro.motime.com/1158082289/603676

http://claro.motime.com/1112583963/438192

e muitos outros que podem ser pesquisados no tag “terrorismo”. 

Saturday, 02 May 2009

VER CLARO

Na Coluna dos Sábados no "Correio da Manhã"

 

China-África

As trocas comerciais atingem os 100 000 milhões de dólares, usando dumping sistemático nos contratos, e os chineses instalados são quase 2 milhões... (...)

José Mateus Cavaco Silva at May 02, 2009 22:56 | link | comments (1)
Tags: china, ver claro
Friday, 01 May 2009

Barbara Matera BOMBA BELLA!

 

“Berlusconi et tutti quanti”… diz hoje o Libération a propósito da escolha desta candidata de Berlusconi ao Parlamento Europeu. Os critérios políticos do italiano são realmente muito específicos e a sua auto-proclamada vontade de rejuvenescer e feminizar a classe política italiana apresenta resultados pouco vulgares.

Uma correspondente do Libé, escrevendo de Itália, explica como se processou a coisa e quais os seus critérios. “La pré-sélection des "euro-candidates" semble s'être effectuée en partant du constat suivant: les belles signorine légèrement vêtues qui font les potiches à la télé font monter l'audimat. La présence d'accortes jeunes femmes sur les listes du PDL devrait donc avoir le même effet sur le nombre de voix et du coup, de "possibles" candidates ont été apparemment retenues plus pour leurs mensurations (plutôt avantageuses) que pour leur expérience en politique (aucune). En voici quelques unes

«Mais pas d’inquiétude, les journaux (dont Rainews24) ont rapporté que les "candidates à la candidature" avaient suivi une formation accélérée de droit communautaire et de culture générale (via dell'Umiltà à Rome, rue de l'humilité la bien nommée!), histoire de savoir ce qu’est l’OTAN, la BCE et où se trouve Strasbourg (d'autres candidats devraient-ils également penser à s'inscrire !?...). Les cours ont été dispensés par le ministre des Affaires étrangères, Franco Frattini, par le candidat à la présidence du Parlement européen, Mario Mauro, et par le Monsieur Propre de la Fonction Publique, Renato Brunetta (célèbre pour son combat contre l’inefficacité des services publics italiens et pour avoir affirmé que les femmes fonctionnaires passeraient leur temps à faire du shopping pendant leurs heures de travail).

«A l'issue de cette formation, le choix des heureuses élues aura sans aucun doute été cornélien, le "jury" d'examen ne sachant certainement pas où donner… des yeux. Beaucoup de ces signorine ont en effet pour point commun de ne pas hésiter à exhiber leur plastique (dans tous les sens du terme) en toute occasion, d’avoir participé aux concours de "Miss quelque chose" ou/et d'avoir fait des apparitions sur le petit écran et dans des émissions de télé-réalité. Et, nec plus ultra, d’avoir bénéficié de raccomandazioni (recommandations) "en haut lieu" pour un rôle dans une fiction télé.

«Elles peuvent, de plus, parfois vanter une certaine proximité avec le président du conseil, qui adore s’entourer de (jeunes) femmes plutôt avenantes et n’est jamais en manque de bons mots sur le beau sexe... Son épouse, Veronica Lario, commence à en avoir marre… »

Pois é, de facto, a senhora Berlusconi não gostou da escolha, fartou-se mesmo e até escreveu uma carta pública e aberta sobre a matéria. O que os italianos irão dizer nas urnas é outra estória... Daqui a poucas semanas já veremos o efeito das curvas no gráfico dos resultados eleitorais. Aí saberemos da razão destas razões de Berlusconi...
.
Senhoras e Senhores, a vossa atenção para o programa político da candidata Barbara Matera:


 

VÍRUS A/H1N1 PANDEMIA ACELERA

 

A pandemia progride e alastra rapidamente, a partir do Máxico, pelos EUA e Europa (que recusa, contudo, suspender os voos para o México…). As mortes no México já serão de algumas centenas (mesmo se oficialmente andam pelas cem…) e também nos EUA já se verificaram as primeiras mortes de pessoas que tinham estado em contacto com o México. Casos confirmados apareceram já, entretanto, em vários países da Europa. Os mexicanos começam a estar aterrados com a epidemia e vão passar o feriado de 1 Maio fechados em casa. A OMS decidiu, entretanto, alterar a designação de “gripe suína” para vírus A/H1N1… Um vírus, portanto, de fácil transmissão entre humanos, por simples contacto de proximidade. Muito mais perigoso que a anterior ameaça da “gripe das aves”. A AFP faz o ponto da situação:

Grippe porcine: l'épidémie progresse : Dossier

José Mateus Cavaco Silva at May 01, 2009 04:43 | link | comments
Tags: Pandemias







Um blog não é um jornal, nem é um fórum. É um local de confronto de ideias. Debate das ideias que o autor do blog submete aos leitores. Convém, por isso, que por mail ou directamente nos "comments", os leitores se exprimam. Troquem ideias. Não só com o autor do blog como também entre si. Para o debate, todos são bem vindos. Da discussão…

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